31/08/2019 às 08h05min - Atualizada em 31/08/2019 às 08h05min

Startup uberlandense valoriza o profissional de limpeza

Iniciativa alinha as necessidades de contratantes com os profissionais na medida certa

ADREANA OLIVEIRA
Lara Chayene com seu kit de faxina simples já com o trabalho concluído | Foto: Adreana Oliveira

Lara Chayene começa a entrevista já fazendo piada com o próprio nome. “Lembra das empreguetes?”, disse ela ao citar o grupo de domésticas que foi sucesso na TV em “Cheias de Charme” (Globo, 2012). Chayene era o nome da personagem de Cláudia Abreu na trama. Lara finalizava uma faxina em um apartamento em que trabalhou pela primeira vez e a intermediação do serviço foi toda feita por uma empresa uberlandense, a startup Higia. Em 2017, o projeto surgia inspirado na iniciativa que se tornou o que é o Easy Táxi. Os idealizadores começaram oferecendo o serviço via aplicativo WhatsApp após um período de estudos e pesquisa de mercado. A ideia inicial era um aplicativo, mas a plataforma mais viável, até o momento, é o site (higiaonline.com), no ar desde julho.

“Queríamos resolver vários problemas. Nosso país está em recessão, as pessoas estão prendendo o trabalho, e a tecnologia ajudou a aumentar essa taxa de desemprego e deve ser o caminho para reverter esse quadro”, diz Nina D’Arc, CEO da Darc Script e uma das responsáveis pela iniciativa.

Lara Chayene passou por um treinamento para padronizar o atendimento e tornou-se microempreendedora individual (MEI), segundo D’Arc, uma forma de incentivar a independência dessas prestadoras e prestadores de serviço. Para Chayene, que já havia trabalhado como diarista e manicure, está valendo a pena. Na parceria, as contratadas têm um seguro de vida e a opção de plano de saúde. “Eu tenho uma filha de dois anos e faço meu horário para ficar mais tempo com ela. Se acontecer um imprevisto, na própria plataforma tem alguém para me substituir com a mesma qualidade.” A filha de Chayene, Louise, aguarda vaga na escola pública, e graças à agenda de limpeza, a mãe paga uma escola particular. A jovem de 21 anos concluiu o ensino médio no final da gravidez e pensa em fazer Farmácia. Enquanto isso, tem recebido avaliações cinco estrelas por onde passa.

 “Em um curto período de tempo, conquistamos já 60 clientes e temos quatro homens e 12 mulheres cadastradas. Não são faxineiros, são profissionais de limpeza. O Uber exige uma adequação da CNH, nós exigimos e fornecemos o treinamento sem custo”, diz Nina.

O nome da empresa foi emprestado de uma deusa grega que simboliza a higiene, e a ideia da startup surgiu quando a CEO viajou para os Estados Unidos e percebeu como os profissionais de limpeza trabalham por lá. “A proposta para nosso prestador de serviços é dar autonomia profissional com ganhos que podem chegar até 200% em comparação com quem trabalha com isso informalmente ou como empregado terceirizado de empresa de limpeza”.

A comissão da empresa fica entre 20% e 25%. “É um trabalho, não é bico. Os contratos são semestrais ou anuais. Assim, eles têm os clientes garantidos neste período. Temos ainda as coringas, que são acionadas no caso de algum imprevisto”, diz D’Arc.

O tipo de serviço varia de acordo com o cliente, residencial ou empresarial, e da limpeza, da simples à pesada. O número de profissionais também é variável, e a startup, além de Uberlândia, já atua em Araguari, Brasília e Belo Horizonte.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado, 6,24 milhões de pessoas trabalhavam como domésticas, maior número desde 2012 e desde a publicação da Emenda Constitucional 72, conhecida como PEC das Domésticas, que trouxe mais benefícios para a classe há seis anos, o número de carteiras assinadas tem caído. Desde 2016, foram 11,2% e para quem trabalha no setor sem carteira assinada subiu 7,3%.


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »