31/08/2019 às 13h17min - Atualizada em 31/08/2019 às 13h17min

Minas Mulher ajuda a transformar ideias e sonhos em atividades rentáveis

Diário de Uberlândia acompanhou primeira reunião do projeto

ADREANA OLIVEIRA
Início das atividades no bairro Pequis aconteceu em agosto | Foto: Adreana Oliveira

Saímos do bairro Santa Mônica para o Residencial Pequis, a aproximadamente 20 km de distância, mas, com o trânsito das 18h e a falta de sinalização adequada nas proximidades do bairro, o deslocamento levou quase uma hora. O Diário de Uberlândia acompanhou a primeira reunião do Minas Mulher, programa de extensão do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) com mulheres da região do Pequis.

Iniciado em abril, o programa atua em quatro insti tuições. Além da Escola Municipal Professora Rosa Maria Melo, no Residencial Pequis, recebem oficinas do Minas Mulher a Escola Municipal Freitas Azevedo, no bairro Morada Nova, o Centro de Esportes Unificado (CEU) do bairro Shopping Park, em parceria com o programa Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Território (DIST) Shopping Park, e a Escola Estadual Messias Pedreiro.

O projeto conta com iniciativas educacionais voltadas para empreendedorismo, finança, carreira, inovação, tecnologia, autonomia, inclusão, liderança e empoderamento, proporcionando oportunidades de aprendizagem, capacitação e compartilhamento de experiências.  O projeto quer contribuir para a transformação imediata da realidade e do entorno dos envolvidos e ampliar suas  perspectivas quanto ao futuro sem depender de programas assistencialistas.

No Pequis, até o final do ano, serão oferecidos os cursos de lembrancinha e design de sobrancelhas. “Levantamos as necessidades desse grupo em enquetes feitas na porta da escola no horário em que as mães deixavam seus filhos. A maioria não tem emprego fixo ou depende de algum programa social. Vamos fornecer a elas cursos de qualidade dos quais saem com o certificado de uma instituição federal”, explica Juliana Alves, coordenadora do projeto.

O curso tem dois momentos, a fase de qualificação e a de prospecção de negócios, para que as mulheres aprendam a montar um bom portfólio e a precificar o seu produto ou serviço. “Muitas delas fazem de tudo um pouco. Estamos levando a oportunidade de se
profissionalizarem em um ramo. E não adianta fazer um trabalho maravilhoso e não divulgar”, explica Juliana.

O fato de não precisar sair do bairro para trabalhar e ficar mais perto dos filhos é outro ponto positivo para quem pensa em abrir um negócio. “Empreender não é fácil, requer tempo, preparação, estudo. É preciso direcionamento para que a empreendedora não se perca.”
 
O ENCONTRO
Ao chegar à sala reservada para a apresentação do Minas Mulher no Residencial Pequis, encontramos mais do que a sala de aula. O ambiente contava com um espaço para as crianças brincarem enquanto às mães eram apresentadas novas perspectivas de vida. As voluntárias do programa se revezam no cuidado com as crianças e bebês – se precisar de colo, tem.

Entre as voluntárias há advogadas, professoras, pedagogas, publicitárias e empresárias. No grupo, mulheres com olhares curiosos. Na apresentação, descobrimos que são mães; algumas, avós, e ali querem dar futuro melhor para os filhos. Estão dispostas a aproveitar o programa fornece. Dali devem sair confeiteiras, maquiadoras, artesãs, designers de sobrancelhas.

São muitas histórias e, entre as características que permearam as apresentações, destacaram-se em suas personalidades força, companheirismo, determinação, solidariedade e comprometimento. Elas têm a oportunidade, pelo menos uma vez por semana, de algumas horas dedicadas somente a si.

Lua Ferreira dará o curso de design de sobrancelhas. Ela conheceu o Minas Mulher pelo Instagram e procurou as voluntárias para oferecer seu trabalho também de forma voluntária. Inquieta e sonhadora, ela vem de uma família de mulheres fortes, chefes de família.

No mercado desde os 13 anos com trabalhos de faxineira até balconista, ela entrou no mundo da estética e do design de sobrancelhas por acaso. “Eu nem gostava, mas há cinco anos surgiu essa oportunidade no salão da minha sogra, e, como eu tinha acabado de ter um filho, não poderia me dar ao luxo de recusar, e todo mundo falava que eu tinha jeito pra coisa.”

Aos 28 anos, tem atitude positiva que contagia. “Uma pinça mudou a minha vida e pode mudar a de vocês. Se, há cinco anos, alguém me dissesse que eu estaria ministrando cursos, sendo reconhecida até fora da minha cidade e prestes a fazer minha primeira viagem para Paris, eu não acreditaria. Acreditem em vocês.”

ESTADOS UNIDOS
Programa foi apresentado em conferência da ONU


Aline Aparecida Barroso, Alessandra Barroso Urabayashi, Cinara Cristina Alves Magno, Juliana Alves e Lucimeire Brito na Conferência da ONU | Foto: Divulgação


No dia seguinte ao da entrevista para a revista dos 131 anos de Uberlândia do Diário, cinco das voluntárias do Minas Mulher embarcaram para os Estados Unidos. O programa foi um dos selecionados para a 68ª Conferência da ONU para a Sociedade Civil, em Salt Lake City, Utah, que aconteceu entre 26 e 30 de agosto. O encontro deste ano teve como tema “Building inclusive and sustainable cities and communities” (Construindo cidades e comunidades sustentáveis e inclusivas).

Como o programa da IFTM só cobre os bolsistas e o projeto não tem nenhum patrocínio nem viés político, elas mesmas bancaram a viagem para apresentar o programa. “Eu fiz a inscrição sem comentar com as meninas, não tinha expectativa e nem sei explicar o que senti quando recebi a aprovação para nosso workshop. Já apresentei projetos em congressos nacionais e internacionais, mas dessa vez é a ONU”, diz Juliana Alves, que viajou acompanhada por Lucimeire Brito, Alessandra Barroso Urabayashi, Aline Aparecida Barroso e Cinara Cristina Alves Magno.

O workshop apresenta o projeto social uberlandense que busca atender a Agenda 2030 da ONU. Essa conferência é o principal evento das Nações Unidas para a sociedade civil. O encontro deste ano teve como base o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 11 — que prevê tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

A voluntária Lucimeire Brito, advogada, presidente da Comissão Advocacia 4.0 e Compliance da Ordem dos Advogados o Brasil (OAB), explica que a Agenda 2030 é um plano de ação global, criado pela ONU para mudar o mundo até 2030. O plano indica 169 metas para erradicar a pobreza, promover vida digna para todos, buscando concretizar os Direitos Humanos, alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres. Os 17 ODS são como uma lista de tarefas a serem cumpridas pelos governos, a sociedade civil (você também) e o setor privado, na jornada coletiva para um 2030 sustentável.

O Projeto Minas Mulher trabalha os ODS 4 (Educação de Qualidade) e ODS 5 (Igualdade de Gênero).
 
VOLUNTÁRIAS DO MINAS MULHER
Alessandra Barroso
Aline Barroso
Camila Doria
Cinara Alves Magno
Debora Garcia
Deusliria Vilela
Elainey Carmona
Fernanda Nappi
Francielle Rodrigues
Jéssica Hanna
Juliana Alves
Kelly Silva Dias
Keula Santos
Larissa Macêdo
Leila Costa
Lucimeire Zago
Maria Alice Ferreira
Mayra Oliveira Coelho
Nísia Salles
Rita Meirelles

Gostou do projeto? Saiba mais na página do Instagram: @projetominasmulher.

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