29/08/2019 às 19h17min - Atualizada em 29/08/2019 às 19h17min

​Operação Mercúrio resulta na apreensão de 80 veículos de luxo em Uberlândia

Outros produtos com indícios de lavagem de dinheiro foram apreendidos nesta quinta (29); grupo utilizava empresas em nome de laranjas

CAROLINE ALEIXO
Mais de 40 veículos foram apreendidos em concessionária no bairro Saraiva | Foto: Diário de Uberlândia
Entre os diversos núcleos estruturados dentro da organização criminosa investigada na Operação Mercúrio, realizada nesta quinta-feira (29), foi identificado um braço da quadrilha que atuava especificamente na lavagem de dinheiro dos recursos ilícitos obtidos por meio da venda de mercadorias roubadas. Só em Uberlândia, principal base operacional da quadrilha, 80 veículos de luxo foram apreendidos sendo 42 deles em uma concessionária no bairro Saraiva.

De acordo com o promotor de Justiça do Grupo Especial do Patrimônio Público (GEPP), Fabrício José da Fonseca Pinto, esse núcleo de lavagem de dinheiro atuava com a criação de empresas em nome de laranjas, inclusive familiares, para dar legalidade aos recursos obtidos por intermediários das mercadorias receptadas.

 

“Então as empresas fantasmas, as concessionárias de veículos, lavavam esses recursos ilícitos e esses intermediários recebiam valores em espécie, cheques ou em veículos. Com as buscas pretendemos apurar outras espécies de lavagem coma a utilização dos recursos com moeda estrangeira”, comentou.

Os veículos apreendidos na concessionária, incluindo uma lancha, e nas residências dos alvos da operação em Uberlândia foram avaliados em R$ 15 milhões.

“Talvez essa atividade de revenda de veículos seria meramente para lavar o dinheiro. Então não interessava muita pra essa empresa se obtinha lucro ou não com a revenda, talvez seria para evasão de divisas ou repatriar dinheiro de forma ilícita para aqueles que comercializavam veículos para eles”, ressaltou o auditor fiscal da Receita Estadual, Flávio Andrada.

Durante o cumprimento dos mandados, também foram apreendidos R$ 100 mil em espécie, 12 relógios de luxo e 140 garrafas de vinhos de alto valor, cujos produtos costumam ser adquiridos como forma de lavar dinheiro.

Organização criminosa foi estruturada em seis núcleos
A quadrilha se organizava em seis núcleos operacional, jurídico, lavagem de dinheiro, receptadores, apoio logístico, empresas fantasmas. As operações criminosas se iniciavam com os roubos de cargas, ocorridos em 2015 nas regiões do Triângulo Mineiro e Sul de Goiás.

 “Com o roubo das cargas, os executores diretos entravam em contato com os intermediadores que recebiam conhecimento da rede de receptadores. Esse núcleo passava a informação da carga roubada, pegava as notas originais, levava as notas até os receptadores, que faziam uma oferta entre 40% e 60% sobre o valor da nota para adquirir os produtos”, esclareceu o promotor de Justiça do Gaeco de Uberlândia, Adriano Bozola.

As empresas fantasmas, por sua vez, emitiam notas frias para dar legalidade às mercadorias que eram colocadas em estabelecimentos regulares. Os receptadores pagavam a carga roubada por meio de transferências bancárias, cheques próprios ou trocados com agiotas, além de veículos.

Os carros eram, então, entregues em lojas de revenda que sabiam da origem ilícita dos produtos e pagavam menor valor de mercado para revendê-los.

O auditor fiscal da Receita informou, durante coletiva nesta tarde (29), que foram identificadas quatro empresas em Uberlândia e Araguari nos segmentos de revenda de veículos, defensivos agrícolas, de material de construção e na revenda de café.

Elas teriam recebido mercadorias acobertadas pelas notas fiscais ideologicamente falsas e será apurada, a partir de agora, a origem dessas mercadorias para eventual tributação e responsabilização dos responsáveis.

PRISÕES 
Dos 93 mandados de prisão temporária e preventiva, apenas oito pessoas se encontram foragidas, segundo o Gaeco. Em Uberlândia, foram cumpridos 37 deles contra três advogados, empresários, laranjas, entre outros membros da quadrilha.

Também houve cumprimento de mandados em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins, Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina e Paraná. A maior parte dos mandados foi cumprida no Triângulo Mineiro e em Goiás.

Presos preventivos em Goiás são levados para o presídio de Uberlândia | Foto: Diário de Uberlândia

Entre os presos no estado vizinho estão quatro policiais civis que não tinham participação direta com a quadrilha, mas teriam recebido propina para deixar de autuar um dos alvos.

Os presos preventivos em cidades goianas foram trazidos para Uberlândia e ficarão detidos no Presídio Professor Jacy de Assis. Os investigados presos temporariamente serão ouvidos e, em seguida, o Ministério Público Estadual (MPE) irá analisar se pedirá prorrogação das prisões ou não.

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