27/08/2019 às 11h40min - Atualizada em 27/08/2019 às 13h50min

Reitor da UFU estima dívida de quase R$ 30 milhões no início de 2020

Estimativa foi mencionada durante audiência pública nesta terça-feira (27); evento debateu cortes na Educação e a consequente suspensão de serviços na instituição

IGOR MARTINS
Evento recebeu alunos e servidores da universidade no campus Santa Mônica | Foto: Melissa Ribeiro

Uma audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (27), no auditório 3Q da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), reuniu servidores e estudantes da instituição para debater sobre a suspensão de eventos e serviços na universidade, além de tratar sobre a possível implementação do programa “Future-se”. Na ocasião, foi mencionada sobre eventual dívida da instituição para poder manter o calendário acadêmico até o final do semestre letivo. 

Aberto à comunidade, o evento contou com a participação do reitor da UFU, Valder Steffen Júnior, que reiterou os cortes feitos na instituição para dar continuidade às atividades acadêmicas no restante de 2019. Segundo o servidor, a universidade sofreu um contingenciamento de mais de R$ 40 milhões. Dentre as suspensões citadas pelo docente estão:

Suspensão dos serviços de transporte intercampi e intermunicipal

- Suspensão temporária de 100% do contrato de lanches

- Redução do contrato de estagiários em 60% do quadro existente

- Suspensão temporária das bolsas de graduação

- Suspensão do pagamento de bolsas para iniciações científicas

- Demissão de 289 funcionários de mão-de-obra para serviços terceirizados

Por outro lado, o reitor afirmou que todos os projetos de extensão da universidade estão mantidos, bem como o funcionamento do restaurante universitário e as ações culturais promovidas pela instituição. Ainda de acordo com o reitor, a tendência é que a universidade mantenha todas as atividades acadêmicas durante 2019, o que levará a instituição a uma dívida de quase R$ 30 milhões no início de 2020, de acordo com a estimativa feita pela reitoria da UFU.

FUTURE-SE
A audiência pública realizada no campus Santa Mônica também debateu a possível implementação do “Future-se”, programa criado pelo Ministério da Educação (MEC) que oferece autonomia administrativa, financeira e da gestão das universidades e institutos federais. A ação pretende ainda que essas atividades sejam desenvolvidas por organizações sociais e garante a continuidade do orçamento anual destinado às instituições.

As instituições têm questionado a previsão do projeto de atuação de organizações. Segundo elas, a possível implementação do programa pode esvaziar as reitorias e oferecer um risco de privatização às universidades. A União, por sua vez, nega que o programa tenha este objetivo.
 
Uma aluna do curso de Ciências Sociais na UFU afirmou que os cortes não prejudicam apenas os estudantes da universidade. De acordo com ela, os cortes causam um impacto macroestrutural, uma vez que muitas pessoas dependem dos serviços oferecidos pela instituição fora da sala da aula.

“Estamos estagnados. A ciência está sendo atacada com tantos cortes, é um absurdo. Não é só a Filosofia, a Sociologia ou as Ciências Humanas, mas todo o tipo de produção científica. É preciso ter uma visão crítica em relação a estes cortes e ao efeito que isso pode causar em várias áreas do nosso país”, afirmou a estudante.


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