14/08/2019 às 18h45min - Atualizada em 14/08/2019 às 18h45min

​MP investiga desvio de finalidade e recursos financeiros no Uberlândia Clube

Complexo foi interditado devido à estrutura precária; TAC provisório foi assinado nesta quarta-feira (14) na sede do Ministério Público

CAROLINE ALEIXO E SÍLVIO AZEVEDO
TAC provisório foi celebrado na tarde desta quarta-feira (14) na sede do Ministério Público | Foto: Sílvio Azevedo
Os problemas envolvendo o Uberlândia Clube, interditado nesta quarta-feira (14), vão além das questões estruturais. O Ministério Público Estadual (MPE) iniciou uma investigação para apurar irregularidades na administração e na transição de diretoria do clube, bem como adotar medidas para preservação do patrimônio histórico do município.

Uma reunião realizada nesta tarde resultou na celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) provisório visando a regularização da área e minimização dos prejuízos aos consumidores. Na ocasião, a nova diretoria foi empossada oficialmente perante o MPE. (Leia mais abaixo).

A denúncia foi protocolada na Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor no início do mês pela presidência eleita do Uberlândia Clube Sociedade Recreativa com anuência da Secretaria Municipal de Cultura. O promotor de Justiça e coordenador regional do Procon Estadual, Fernando Martins, chegou a receber o presidente eleito da associação e instaurou o procedimento em seguida.

 
 “Foi nos informado que há um administrador que está lá há aproximadamente 20 anos e não deixava a presidência gerenciar. Estamos apurando o desvio de finalidade, porque quem estava administrando não podia administrar, e investigando também desvio de recursos financeiros”, disse o promotor.

Durante a manhã, o Procon Estadual interditou todo o complexo com o apoio da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Após ser feita vistoria, foram constatados problemas nas partes hidráulica e elétrica, piso e telhado deteriorados, além de alvenaria em condições precárias.

As lojas instaladas na parte inferior do prédio também foram interditadas a partir das 18h e só serão liberadas para funcionamento até próxima vistoria do Corpo de Bombeiros. Já a parte superior, onde fica a área de festas, ficará interditada por tempo indeterminado até que se faça a reforma.

“O prédio está sucateado e isso não pode ocorrer porque tem acesso de consumidores. Na parte superior só tem material inflamável e de construção. Isso é um perigo. De outro lado, as lojas também não apresentam todos os requisitos de segurança”, finalizou Martins.

 Prédio foi interditado por oferecer risco de incêndio no Centro de Uberlândia | Foto: Diário de Uberlândia

Armas do conselheiro foram apreendidas no local
Durante a vistoria de hoje, a Polícia Militar apreendeu no local uma espingarda calibre 12, uma pistola e um revólver calibre 38, além de diversas munições. O material é de propriedade do conselheiro e que assumia as funções administrativas do clube, Domingos Álvares Filho.

O capitão da PM, Thiago Lana, esclareceu que ele não foi detido porque tinha o registro das armas, mas estava vencido. O autor justificou aos militares que mantinha as armas no clube porque ficava lá o tempo todo e achava mais seguro mantê-las no local.

O presidente eleito na atual gestão do Uberlândia Clube, Hélio Hadri, contou que o então conselheiro estava à frente do local há muitos anos e não deixava a atual administração assumir. Além disso, intimidava diretores do clube colocando uma arma sobre a mesa toda vez que eles tentavam conversar acerca da situação do espaço.

 Armas de Domingos foram apreendidas durante vistoria no clube | Foto: PM/Divulgação

“Tomei posse, mas não consigo assumir. Eu vi que tinha muitas dívidas, o clube não tem alvará e não podia realizar festas. Tentei falar com ele [Domingos], mas sempre era muito agressivo comigo e se comportava como se fosse dono e o clube é um patrimônio da cidade. Nossa intenção é reerguer o clube e sanar as irregularidades”, disse Hélio à reportagem.

Sobre a intimidação dos diretores com uso de armas, o capitão da PM disse que tomou conhecimento dos fatos na data de hoje, contudo, nunca foi registrado boletim de ocorrência. Caso contrário, a polícia teria feito a apreensão das armas anteriormente e detido o suspeito.

Ao Diário, Domingos disse que a situação da arma foi uma brincadeira e que até um dos diretores presentes na vistoria hoje teria reconhecido. Ele ainda negou ter dificultado a nova diretoria de administrar e reforçou que estava no clube como empregado, contratado como diretor-executivo.

“Eu sou empregado e fiz o que eu pude fazer pelo clube. Agora dizer que eu impedi diretor de entrar lá é conversa fiada, é mentira. Eu não tinha autoridade para impedir ninguém de entrar lá”, defendeu.

Casal pagou R$ 17 mil para realizar festa no local
A reunião realizada nesta tarde na sede do MPE contou com representantes da associação do clube, lojistas, Corpo de Bombeiros e consumidores que se sentem lesados com a situação. Entre os presentes, estava um casal que disse ter pago R$ 17 mil ao clube para realizar a festa em celebração aos 25 anos de casados. A festa estava marcada para o dia 7 de setembro.


Eles registraram o boletim de ocorrência e foram até o MP tentar uma solução. O promotor informou que o local não oferece condições e que só deverá ser liberado após reforma. O clube deverá arrumar outro local e custear o serviço de buffet para a realização da festa.

O lojista Amarildo dos Santos também participou da reunião. Ele lamentou os problemas que a interdição irá gerar, mas reconheceu que a segurança dos usuários e consumidores deve ser prioridade.

 
“Obviamente a parte financeira de deixar o estabelecimento fechado irá pesar para todos nós. Mas nós precisamos fazer uma adequação para que venha trabalhar com mais segurança. As finanças realmente irão doer para todos nós, mas eu acho que pensar na humanidade e no próximo é muito importante.

TAC
O TAC provisório celebrado entre as partes junto ao MPE estabelece, entre outras coisas, prazo de dois anos para que o clube faça a regularização do prédio, cancelamento de todos os eventos sociais já contratados e transparência da gestão da associação junto aos lojistas.

Além disso, o promotor Fernando Martins pontuou no documento que a Escola Estadual Bueno Brandão terá que auxiliar na reestruturação do Teatro Rondon Pacheco para adequar todo o complexo às normas de segurança.

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