07/08/2019 às 07h56min - Atualizada em 07/08/2019 às 07h56min

Uberlandense Guilherme da Cunha celebra 10 anos de carreira com novo álbum

"Guilherme daCunha + The modern Fokkers" está disponível na internet

ADREANA OLIVEIRA
Guilherme da Cunha é multi-instrumentista, compositor e produtor | Foto: Divulgação

A música leva a caminhos muitas vezes desconhecidos. A sensibilidade dos músicos atentos ao que acontece ao redor é o que vai determinar os próximos passos, as próximas faixas, o próximo trabalho. O momento de Guilherme da Cunha é do vôo solo, das experimentações. No ano em que celebra uma década de carreira o músico e compositor uberlandense lança seu quarto álbum, mais um no formato “one man band” (banda de um homem só).

Mas só o fato de ter a liberdade para fazer a própria agenda, não precisar discutir nuances do trabalho com outras pessoas não torna o trabalho mais fácil. As onze faixas de “Guilherme daCunha + The Modern Fokkers”, já disponíveis na internet, na plataforma SoundCloud, à primeira audição, podem soar bem complexas.

“Esse estilo de trabalhar sozinho já é meio que uma tendência do mercado, mesmo das grandes empresas, dos grandes artistas. Todos estão minimizando custos. Além da questão econômica tem outro ponto, é algo interessante a se fazer. Você tem que suprir a execução de execução de vários instrumentos, se força a estudar mais um pouco cada um deles e se preparar para a música que vai gravar. É gostos e complexo ao mesmo tempo, mas traz um efeito interessante”, disse Guilherme, em entrevista ao Diário de Uberlândia na manhã de ontem.

Aos 34 anos, o músico lança ainda a coletânea “XY” com um apanhado de suas composições. A cada trabalho reduz o número de participações especiais. “Sempre que convido alguém é porque aquela pessoa tem algo que realmente vai somar naquela composição, não é algo aleatório”, afirmou ele que no novo trabalho tem participação de Daniel Ian no contrabaixo e guitarra na faixa “Maressa” e nas guitarras em “Now it´s not the plans i need’; de Heitor Santos Victal no dueto de guitarras também na mesma faixa e de Gabriela Candeloro no solo de Arpeggiator em “Friendly Enemy”.

Com influências em estilos diversos, que vão da música clássica ao rock, Guilherme afirma que aos ouvir seus ídolos se sente mais inspirado. “A gente tem muitos deles como espelho, não enxerga somente o artista, se enxerga nele. Tantas figuras fantásticas revolucionam a música de tempos em tempos, como Thom Yorke e seu Radiohead, por exemplo, principalmente no que diz respeito à composição”, comentou.

A CIDADE

Nascido em Uberlândia, Guilherme acompanha a cena cultural da cidade há tempos, já que toca profissionalmente desde os 12 anos de idade. Gosta de saber o que está acontecendo ao redor, do entretenimento noturno e percebe que há uma tendência em tirar as casas de shows do centro da cidade.

“A efervescência musical da cidade sempre aconteceu por ali e agora o mercado imobiliário disputa esses espaços que eram dedicados à música para transformar em prédios e não sei exatamente como a Prefeitura de Uberlândia tem lidado com isso. Não consegue decidir o local da cidade que pode fazer barulho. Saindo um pouco do Centro, o Parque de Exposições do Camaru, por exemplo, foi criado sem vizinhança e agora é alvo de reclamação dos vizinhos que chegaram bem depois dele”, comentou.

Para o músico, Uberlândia é um celeiro de bons músicos e produtores. Por aqui ele tem o projeto Os Terríveis, que faz temporadas a cada quatro anos, prestigiando a Jovem Guarda. “É uma homenagem aos nossos pais e a quem viveu aquela época. Temos músicos e produtores musicais em Uberlândia, como o Nelson Félix, que tiveram com um pé lá dentro. Tenho muito carinho por esse projeto”.

Ele acredita que quem está no mercado dos estúdios, por exemplo, trabalha mais por amor mesmo do que pela questão financeira. Ele afirma que iniciativas como o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic) realmente fomentam a cena local, porém, é preciso rever algumas coisas.

“Estão estipulando os preços do mercado de uma forma ridícula, com preços praticados há anos que não levam em conta o aumento no valor da energia elétrica, aluguel, equipamento importado que segue cotação do dólar. Geralmente estipulam R$ 900 por faixa, um preço impraticável hoje em dia”, explicou.

Guilherme comenta ainda que os artistas que conhecem que tiveram projetos aprovados fazem questão da qualidade. “Felizmente por aqui temos pessoas comprometidas com a arte, que não querem um trabalho feito de qualquer jeito e por isso no fim das contas o que arrecadam vai basicamente para cobrir os custos, todo o trabalho envolvido de músicos e produtores no fim das contas não é compensando financeiramente”.

PALCO

Transpor “Guilherme daCunha + The Modern Fokkers” para os palcos é possível, tanto em uma estrutura enxuta como mais complexa. Guilherme, inclusive, já tem alguns músicos em stand by para o caso de surgir alguma oportunidade de mostrar o novo trabalho ao vivo.

“Essa é a parte complicada da ‘one man band’, não tem mesmo como montar o show sozinho. Requer muita preparação, tem que passar tudo para quem não está diretamente envolvido no processo, mas por ser uma pessoa muito organizada, consigo fazer bem isso”.

Porém, no momento, este não é o objetivo principal do músico, que também é multi-instrumentista e produtor e mantém um estúdio na linha old shcool em Uberlândia.

“Estou envolvido em um momento bastante burocrático, que é negociar esse material com gravadoras não só no Brasil como no exterior. São muitos detalhes principalmente no que diz respeito à divisão dos royalties”, explicou.
 


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