23/07/2019 às 16h16min - Atualizada em 23/07/2019 às 16h16min

Acidentes com escorpiões têm alta nos últimos 10 anos em Uberlândia

De 2008 a 2017, o bairro Tibery teve o maior número de registros; no mesmo período foram registrados mais de 2 mil casos em 88 regiões da cidade

SÍLVIO AZEVEDO
Estudantes Dayane Martins do Carmo e Adriano Soares Marques, junto ao professor Stefan de Oliveira (centro), parte dos responsáveis pela pesquisa | Foto: Sílvio Azevedo
O bairro Tibery, na zona leste, lidera o ranking de acidentes com escorpiões nos últimos 10 anos em Uberlândia, com 123 ocorrências, seguido pelo Martins (120), na região central, e o Santa Mônica (112), também na zona leste. Os dados, referentes aos anos de 2008 a 2017, foram computados por um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que produziu um boletim epidemiológico, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, com números de escorpionismo (acidentes com escorpiões) na cidade. Dentro deste período foram registrados 2.133 casos, uma média de 210 casos anuais, em 88 bairros.

Em um primeiro momento, a pesquisa é voltada para o profissional da saúde, com dados mais técnicos mostrando o perfil dos acidentados, com predominância de gênero, faixa etária, período, locais e bairros maior incidência de casos.

“Analisamos os dados epidemiológicos produzidos pelo serviço de saúde pública. Todos os acidentes devem ser notificados ao sistema de saúde e nós os analisamos. A ideia é transformar aqueles números coletados pelo município em informação que seja útil para a comunidade”, disse o docente do curso de medicina e um dos elaboradores do projeto, Stefan Vilges de Oliveira.

Dos acidentes, 93% são de sintomatologia leve, com dores e parestesias locais. A espécie predominante em Uberlândia é a do escorpião amarelo, com alguns registros do escorpião marrom.

Entre os dados que mais chamam a atenção no boletim está o do crescente aumento no número de casos de escorpionismo dentro do período estudado. E esse aumento está associado a vários fatores, mas principalmente à biologia da espécie.

“Os escorpiões se adaptam mais facilmente aos ambientes. E no perímetro urbano encontraram abrigo e alimento. Eles se alimentam normalmente de baratas, e nos ambientes modificados, onde têm lixo, entulho e baratas, eles se reproduzem e infestam essas áreas”, afirmou Stefan. 

A área urbana, contudo, é a principal zona de acidentes, com 70,28% dos casos registrados, seguido pela zona rural, 17,39% e 0,98% nas periurbanas. Outros 11,35% dos acidentes não tiveram a localização identificada na hora do registro da ocorrência.

As residências não são os locais preferidos dos escorpiões, mas na busca por alimento eles acabam se deslocando. Isso acaba se refletindo na porcentagem de picadas que acontecem nos membros. O estudo mostra que cerca de 25,76% acontecem nas mãos e 17,33% nos pés. Os dados completos dos acidentes envolvendo escopiões podem ser conferidos no site da Prefeitura.

SOCORRO
Caso seja picado por um escorpião, a vítima deve procurar um centro de atendimento que possua o antiveneno. Em Uberlândia, o site do Ministério da Saúde indica que são três locais: Hospital das Clínicas da UFU, Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Pampulha e Policlínica.

BOLETINS
O boletim de escorpionismo faz parte um projeto de extensão do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Medicina da UFU, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Com duração de um ano, serão produzidos mais cinco boletins com os temas leishmaniose, atendimentos antirrábicos, acidentes produzidos por abelhas, serpentes e intoxicações exógenas.

Para a produção dos boletins são realizados encontros semanais com os estudantes que participam do projeto, transformando os números em informações para a população. Em outros momentos, os alunos vivenciam a prática, com visita técnica ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

“Escolhemos temas pouco discutidos e nossa ideia é trazer informações de doenças e agravos que não seriam discutidos, pois não têm o mesmo impacto das outras doenças que acabam ganhando mais espaço da grande mídia, como a dengue. A gente discute as temáticas mais negligenciadas pelo serviço pois também geram óbito”, afirmou Stefan Vilges de Oliveira. 

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