21/07/2019 às 08h00min - Atualizada em 21/07/2019 às 08h00min

Ex-goleiro da base do Uberlândia luta contra dificuldades para se tornar atleta profissional

Lucas Gabriel tem 18 anos, passou pela base do UEC e hoje joga futebol amador pelo Morumbi

EDER SOARES
O goleiro Lucas Gabriel | Foto: Divulgação

O sonho de ser jogador de futebol profissional move milhares de jovens pelo Brasil e todo o mundo, mas poucos são aqueles que conseguem êxito na carreira. O Diário de Uberlândia foi a campo e buscou um exemplo clássico para mostrar a luta que simboliza a mesma história de tantos jovens. É o caso do goleiro Lucas Gabriel Sobral Rocha, de apenas 18 anos. Em meio a uma família de amantes de futebol e música sertaneja, grande vindo da cidade de Vazante (MG), Lucas cresceu acompanhando o pai, Moacir Rocha, e seus tios em partidas de futebol por competições amadoras da cidade.

Como não poderia ser diferente, logo nos primeiros anos de vida se apaixonou pelo futebol e desde então cultiva o sonho de se tornar jogador profissional. O primeiro clube foi o Uberlândia Futsal, aos 11 anos.

 

“Eu comecei a querer ser jogador profissional e foi quando veio o apoio da família, pois não um sonho só meu, é um sonho da família toda”, disse Lucas.


Aos 15 anos foi que ele descobriu, devido também à altura avantajada, a vocação para o gol. “Eu me via jogando no gol, pois sempre fui muito extrovertido e gostava de ver todas as defesas e poses que os goleiros faziam. Então eu fui atrás de treinamentos específicos para goleiros”, comentou.

Com 17 anos, e depois de ser destaque do Campeonato Amador sendo titular do Morumbi em todas as partidas, o jovem arqueiro realizou outro grande sonho, que foi o de entrar para as categorias de base do Uberlândia Esporte Clube. Ele chegou a fazer treinos com os goleiros profissionais no Campeonato Mineiro – Módulo II deste ano, mas acabou sendo deligado. “Graças ao meu amigo e treinador Paulo Sergio (Paulão), que além de me ensinar muito, viu em mim muita qualidade para um goleiro que estava começando a pouco tempo. Sou muito agradecido ao clube pela oportunidade e pela experiência”, disse.

Depois de terminado o vínculo com o Verdão, Lucas Gabriel se abateu por poucos instantes, mas se quer cogitou a possibilidade de desistir do grande sonho logo tratou de buscar condições para continuar os treinamentos. Por mais um ano, ele defenderá a meta do Morumbi no Campeonato Amador, mesma equipe que depois disputará o Campeonato Regional Sub-20 da Liga Uberlandense de Futebol (LUF).  

Neste ano, o goleiro teve passagem rápida pela Sociedade Esportiva Patrocinense (SEP) e aguarda contatos para fazer mais avaliações e ser incorporado a algum clube profissional. “Em relação a me tornar um jogador profissional, o sonho não acabou e nem vai acabar, estou me dedicando cada vez mais, treinando pesado junto com o preparador de Goleiros Anderson, um excelente profissional que me ajuda a evoluir mais a cada dia. A experiência de estar dentro de um clube profissional, como foi o caso do Uberlândia, alimentou ainda mais o meu sonho de me tornar profissional”.

Os espelhos e exemplos no futebol de Lucas são o espanhol Iker Casillas, o alemão Manuel Neuer e o brasileiro Júlio Cesar. Além disso, em função de ter passado pelo Verdão, ele cultiva admiração pelos companheiros de profissão Vinícius e Diego.

PAI
Para todos os passos de Lucas Gabriel no sonho de ser profissional, estão os pais Quênia Sobral e Moacir Rocha. O pai é supervisor de vigilância e é quem orienta e faz todos os contatos para testes. Ele garante que só tem orgulho do filho e que continuará sempre apoiando o filho, tanto no sonho do futebol quando no de se tornar cantor sertanejo, já que Lucas Gabriel já faz apresentações pela noite de Uberlândia.

“Só tenho orgulho do meu filho. Sabemos que são duas profissões difíceis por trabalhar com a paixão das pessoas e estas paixões precisam ser controladas dentro de casa devido a família ser apaixonado por música e futebol. Sempre damos o maior apoio, acompanhando e aconselhando sempre estar com os pés no chão, mas buscando o sucesso em ambas profissões, sabendo das dificuldades de alcança-lo, mas com muito trabalho”, afirmou o pai “empresário”, que exige a continuidade da faculdade, na qual Lucas está no quarto ano de Sistemas da Informação.

Para Lucas Gabriel o importante é não desistir das coisas que mais tem. Ele garante que se não der certo a carreira profissional no futebol, a sua primeira opção, pode ser que se dedique mais tarde a música sertaneja. “Neste momento eu levo os dois sonhos lado a lado, do futebol e da música, pois são duas oportunidades diferentes, porém o futebol sempre foi a primeira paixão e eu faria de tudo para conseguir estar em um clube, treinando pesado e lutando mais uma vez por esse sonho. Porém, se não der certo o futebol, eu tenho a música como outra opção, pois uma coisa que aprendi com meus pais, é que tudo na vida depende do quão realmente você gosta daquilo”, finalizou.

SONHO RESTRITO
Aproveitando a história do jovem Lucas Gabriel que luta contra as poucas oportunidades dentro do mundo do futebol, o Diário aproveita para resgatar um pedaço da matéria publicada no dia 18 de novembro de 2018, quando nossa reportagem mostrou dados levantados pela Federação Nacional dos Atletas de Futebol Profissional (Fenafap). A entidade que representa mais de 18 mil atletas do futebol brasileiro traz números que não animam muito, principalmente aqueles que estão começando carreira no futebol.
Segundo levantamento da instituição, 70% dos atletas profissionais chegam ao meio do ano sem calendário, e para o fim da temporada este índice sobe para 94%, com somente 6% por cento de jogadores terminando o ano trabalhando, atletas a maior parte em clubes das Séries A e B do Brasileiro.
 
A Fenapaf, que tem sede no Rio de Janeiro, foi fundada em 1990 com o objetivo de aumentar a representatividade e a defesa sobre os direitos dos atletas profissionais de futebol em nível nacional. 

“Nosso foco é buscar melhorias nas condições de trabalho dos atletas. Temos lutado muito por um calendário mais equilibrado no nosso futebol, não pode um atleta fazer 70, 80 jogos por ano, enquanto outros chegam em abril sem partidas mais para serem realizadas. A relação dos clubes também precisa ser mais respeitosa, os compromissos precisam ser profissionais e precisam honrados. Os atletas necessitam dos salários em dia, do 13º, do devido descanso assim como qualquer outro trabalhador”, disse o presidente da Fenapaf, Felipe Augusto Leite.

FICHA
Nome: Lucas Gabriel Sobral Rocha
Nascimento: 14/09/00
Idade: 18 anos
Altura: 1,87
Peso: 67 kg
Clubes: Uberlândia Esporte Clube, Sociedade Esportiva Patrocinense e Morumbi (Amador)

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