07/07/2019 às 09h00min - Atualizada em 07/07/2019 às 09h00min

Mesmo sem reeleição, políticos de Uberlândia seguem com atividade política

Diário conversou com Felipe Attiê, Tenente Lúcio, Arnaldo Silva e Gilmar Machado sobre as pretensões para o futuro

VINÍCIUS LEMOS
A maior parte de políticos de Uberlândia não reeleitos em 2018, mas com extensa carreira na vida pública, usou o primeiro semestre de 2019 para tratar da vida particular, mas sem deixar totalmente a política. Entre militância, articulações e até mesmo a gestão de uma secretaria municipal, três ex-deputados – Tenente Lúcio, Felipe Attiê e Arnaldo Silva – e o ex-prefeito Gilmar Machado foram entrevistados pelo Diário de Uberlândia sobre pretensões políticas e os trabalhos entre janeiro e junho deste ano.

Em geral, eles disseram que no próximo ano não têm pretensões de se candidatarem a um cargo municipal, seja no poder Executivo ou no Legislativo. A exceção é Lúcio, ligado Partido Liberal (PL), que tem conversado com correligionários sobre a possibilidade de concorrer a vereador. Ele ainda não bateu o martelo sobre o assunto.

Caso dispute a eleição, seria a possibilidade do oitavo mandato no poder Legislativo de Tenente Lúcio. Ele foi vereador por quatro mandatos, sendo presidente da Câmara Municipal de Uberlândia em três ocasiões, além de ter tido dois mandatos como deputados estadual e um como deputado federal. Em 2018, Lúcio não conseguiu eleição para integrar a Câmara Federal novamente. O ex-deputado segue em tratamento contra um câncer que exigiu dele uma cirurgia, executada na capital paulista há aproximadamente dois meses.

A saúde, segundo ele, tem melhorado, mas ele não se afastou completamente da política, não só pela possibilidade de uma candidatura no ano que vem, algo que ele diz condicionar à recuperação do organismo. “Sempre montei chapa de vereadores em Uberlândia, mas eu não quero seguir [na atividade]. Talvez eu venha candidato na chapa [do PL]. Recebi convite até para outras cidades, mas meu título é de Uberlândia e se me candidatar será na cidade”, afirmou. Como terceiro suplente da coligação de seu partido nas últimas eleições, Lúcio ainda pode assumir uma cadeira no Congresso caso haja candidatura de titulares para o pleito municipal em 2020 e, eventualmente, vitórias. Recentemente, ele entrou com pedido de aposentadoria, com 35 anos de contribuição, segundo contas do político.

Também com problemas de saúde na família, Felipe Attiê descarta a possibilidade de candidatura para 2020. “Sempre estive ligado ao poder Legislativo, acho que já dei minha contribuição [como vereador e deputado]. Assim como já fui secretário de Habitação, também não tenho vontade de buscar um cargo do tipo do Executivo”, afirmou. Attiê disse que dispensou um cargo em uma estatal assim que deixou a Assembleia Legislativa de Minas Gerais em janeiro de 2019.

O ex-deputado estadual tentou a eleição em 2018 para a Câmara Federal e não foi eleito. Ele tem no currículo cinco mandatos como vereador de Uberlândia, desde 1997. Entre 2009 e 2012 ele se licenciou da Câmara para ser secretário de Habitação no governo Odelmo Leão. Nos últimos quatro anos, até dezembro, ele foi deputado estadual.

Attiê afirmou que segue ligado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), mas que se afastou das articulações para montagem de chapa para a legenda. Contudo, ele disse que teria interesse em disputar, futuramente, um cargo no Executivo, mais precisamente o de prefeito de Uberlândia, algo que está suspenso no atual momento. “Hoje seria 85% de chances de eu não ser candidato a nada”, afirmou, complementando que o foco agora são negócios próprios. Ele buscar administrar uma fazenda da família, gerenciar imóveis urbanos de sua propriedade e também fazer obras. Estudos também estão nos planos, como um mestrado em Economia.
 
EX-PREFEITO
Gilmar Machado segue na política militando o Partido dos Trabalhadores (PT) | Foto: Arquivo/Diário de Uberlândia


Sem cargo público desde que deixou a Prefeitura de Uberlândia com o fim de seu mandato em dezembro 2016, Gilmar Machado também se aposentou como professor do Estado de Minas Gerais, após ter lecionado durante 37 anos. Machado ainda segue com atividades em sua igreja. Em 2016, não foi reeleito para o Executivo municipal e no ano passado ele não conseguiu se eleger para um quinto mandato como deputado federal. No currículo, ele ainda tem dois mandatos como deputado estadual.

Atualmente, contou ele ao Diário de Uberlândia que segue na política militando no Partido dos Trabalhadores (PT) e que vai defender sua tese de mestrado no mês agosto, em uma instituição particular de ensino. A pretensão de Machado é voltar às salas de aula como professor em instituições de ensino superior.

Ao mesmo tempo, o ex-prefeito ajuda na composição de chapa para o PT com vista para eleições proporcionais de 2020. Particularmente, ele não descarta por completo a possibilidade de ser um nome para o pleito. “Nunca deixei a vida política, sou militante do PT, que ajudei a fundar aqui. Estou trabalhando para montar chapa de vereadores. Não preciso de mandato para seguir militando, já fiz sem mandato antes de disputar uma eleição”, afirmou.
 
SECRETÁRIO
Ex-deputado Arnaldo Silva ocupa a cadeira de secretário de Gestão Estratégica | Foto: Arquivo/Diário de Uberlândia


Único entre os entrevistados com algum cargo público atualmente, o ex-deputado Arnaldo Silva ocupa a cadeira de secretário de Gestão Estratégica na Prefeitura de Uberlândia desde o início do ano de 2019. Ele não foi reeleito para o cargo de deputado estadual, cujo mandato foi de 2015 a 2018.

Ele garantiu que não vai se candidatar a nenhum cargo público no próximo ano, o que derrubaria o nome dele para a disputa pela Prefeitura de Uberlândia. Nos bastidores, chegou-se a ventilar a possibilidade de candidatura. “Não existe a mínima possibilidade. Trabalho para reeleição do prefeito Odelmo Leão, que vejo como necessária”, afirmou ao Diário de Uberlândia.

Ainda assim, a possibilidade de que Arnaldo Silva volte à Assembleia Legislativa é real, uma vez que o advogado e político é o primeiro suplente da coligação que seu partido, o Democratas, fez parte nas últimas eleições. Dentre os eleitos nessa coligação, existe a possibilidade de que até quatro deles busquem se candidatar ao cargo de prefeito em seus colégios eleitorais. Sendo assim, o nome de Silva seria o primeiro para ocupar novamente a cadeira de deputado em Belo Horizonte, o que ele não diz ser uma prioridade. “Tenho minha profissão que é advocacia e a vida pública foi decidida em uma visão colaborativa, não para fazer carreira”, disse.
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