21/05/2019 às 16h25min - Atualizada em 21/05/2019 às 16h25min

Agentes de segurança do Cseub entram em greve por tempo indeterminado

Visitas foram canceladas nesta terça-feira, o que motivou princípio de motim na unidade de Uberlândia

VINÍCIUS LEMOS E CAROLINE ALEIXO
Agentes fazem atos desde ontem na porta do Cseub para chamar atenção às demandas da greve | Foto: Divulgação
Cerca de 70% dos agentes de segurança socioeducativos de Uberlândia aderiram à greve estadual da categoria nesta semana, o que fez as visitas familiares de terça-feira (21) serem canceladas e transferidas para quinta-feira (23). No Centro Socioeducativo de Uberlândia (Cseub), apenas 16 pessoas trabalham.

O pedido do movimento é de garantia do porte de arma aos agentes e de recomposição salarial, entre outras demandas. Durante a noite de ontem, policiais militares foram chamados para conter um princípio de tumulto na unidade em Uberlândia. Também houve manifestação dos agentes no local.

A greve começou nesta segunda-feira (20) em todo o estado e não tem previsão para acabar. A pauta dos servidores é que seja cumprida a Lei 23.049, de julho de 2018, que dá direito dos agentes socioeducativos a portar, fora de serviço, arma de fogo institucional ou particular dentro dos limites do Estado de Minas Gerais. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Socioeducativo do Estado de Minas Gerais (Sindsisemg) apesar da aprovação da Lei, ela nunca foi cumprida.

A pauta ainda pede recomposição salarial, cujo déficit chegaria a 35% em cinco anos, segundo os manifestantes. Outro pedido em Uberlândia é de regularização do uso e dos serviços arcados pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), que desconta 3% da folha mensalmente, mas não oferece hospitais específicos para atendimento do funcionalismo local.

Questões de jornada de trabalho, carteira funcional, realização de concurso público e até auxílio fardamento também são reivindicadas pelo movimento.

Um dos representantes do movimento na cidade, Lucas Travaglia de Sousa, disse que o Cseub foi construído para atender 80 adolescentes, porém a lotação atual é mais do que o dobro. Por isso, a categoria reivindica melhores condições.

 
“Isso coloca em risco até a vida dos agentes. Estamos cobrando direitos nossos que não estão sendo cumpridos. São seis anos sem nenhum tipo de reajuste salarial", comentou Lucas. 

Atualmente, o quadro de servidores na unidade conta com 90 agentes ativos, sendo que 30% dos servidores são mantidos por lei e estão se revezando durante os dias de greve, que segue por tempo indeterminado. Desde segunda, os agentes estão se concentrando em frente à unidade, durante atos de protesto. 

MOTIM
Os militares do Batalhão de Policiamento Especializado (BPE) da Polícia Militar (PM) foram solicitados no Cseub para ajudar na segurança do local depois de agitação dos internos do centro nesta segunda. Segundo a polícia, não houve confronto. O Cseub tem mais de 170 internos cumprindo medidas socioeducativas.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), houve um princípio de motim na unidade em decorrência do cancelamento das visitas. “Os adolescentes, não satisfeitos com a troca das visitas de terça para quinta-feira, em função da greve dos agentes socioeducativos, colocaram fogo em um colchão e chutaram as portas dos alojamentos.”

Lucas de Sousa esclareceu que a visita familiar dos menores ocorre na terça-feira. Devido ao estado de greve, os servidores estão mantendo apenas as atividades básicas como saúde, alimentação e suporte judiciário. Por isso, houve o princípio de motim e a polícia teve que ser acionada.

OUTRO LADO
Por meio de nota, a Sesp informou que, além de Uberlândia, outras 12 unidades socioeducativas aderiram ao movimento no Estado, sendo elas as de Montes Claros, Sete Lagoas, Santa Luzia, Teófilo Otoni, Juiz de Fora, Governador Valadares, Divinópolis, e as de São Jerônimo, Horto, Lindéia, CIA-BH e o Centro de Internação Provisória São Benedito, em Belo Horizonte. O sistema socioeducativo mineiro tem 37 unidades no total.

Ainda segundo a pasta, o porte de armas de agentes fora do expediente foi regulamentado na última semana, após publicação da resolução. A Sesp ainda informou que o pagamento do 13º e auxílio fardamento estão previstos para 21 de maio e para o mês de junho, respectivamente.

“Sobre o pedido de ampliação do quadro de efetivos, ressaltamos que novas contratações dependem, neste momento, da melhora da situação fiscal do Estado, o que é amplamente conhecido”, diz a nota. A Secretaria não se posicionou sobre a regularização dos serviços do Ipsemg.

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