19/05/2019 às 08h00min - Atualizada em 19/05/2019 às 08h00min

Gomide tenta manter base para 2020

Presidente projeta elenco com forte presença de jovens para Uberlândia disputar a elite do mineiro

DA REDAÇÃO
Flávio Gomide vê injustiça em fórmula para disputa do Campeonato Mineiro – Módulo I (UEC/Divulgação)
Passada a euforia do acesso à elite do futebol mineiro, o Uberlândia Esporte Clube dá uma pausa no futebol profissional dentro das quatro linhas, mas fora dos gramados a diretoria e o departamento de futebol já planejam a temporada 2020, na qual o Verdão terá pela frente a disputa do Campeonato Mineiro – Módulo I. Nesta competição, a meta é conquistar uma das três vagas do estado para a Série D de 2021, e, quem sabe ainda, uma vaga para Copa do Brasil.

Segundo o presidente do Verdão, Flávio Gomide, a base da equipe deverá ser composta, na maior parte, por atletas pratas da casa, alguns que participaram do vice-campeonato do Módulo II neste ano, mas também haverá jogadores mais experientes. Em entrevista ao Diário, Gomide comenta também sobre a situação financeira do clube e a fórmula de disputa do Campeonato Mineiro.
 
Diário de Uberlândia: O Verdão tinha um desafio grande de conquistar o acesso no ano após o rebaixamento, o que nunca tinha conseguido. Como foi trabalhar com essa pressão?

Flávio Gomide: Foi tranquilo. Tabus são para serem quebrados. Os rebaixamentos são tristes, mas o acesso meses depois é resultado de que o UEC está crescendo não só como clube, mas como time de futebol também. Quando caímos, nos reunimos com o Fabrício e falamos. "Nós vamos só bater no Módulo II e voltar." E assim foi, graças a Deus. Foram 12 garotos formados na base do clube que integraram o elenco, sendo que o Luiz Alexandre, Leo e Hugo jogaram quase todo o campeonato. Você acha que essa poderá ser uma tendência para o Módulo I do ano que vem. Essa será a tendência em qualquer campeonato que o UEC disputar. Caso contrário, não justifica o trabalho, esforço e gastos com a categoria de base. A base já fala por si própria, forma atletas uberlandenses, identificados com o clube. E no Módulo I teremos mais atletas da base no elenco.
 
Diário: Você já conversou com o Fabricio Tavares (diretor de futebol) sobre quais jogadores deste time vice do Módulo II poderão permanecer?

Flávio: Todos que subiram o time e roeram a carne de pescoço merecem estar na Primeira Divisão. Isso é fato. Mas nem todos conseguiremos manter, por vários fatores. Vamos lutar para manter a base do trabalho para sermos fortes num campeonato dificílimo do Módulo I, onde jogaremos cinco partidas em casa e seis partidas fora e ainda pegamos Cruzeiro ou Galo em casa. Será duro, e se desmanchar a base, será mais duro ainda. Por isso a necessidade de manter.
 
Diário: E o Jhulliam (artilheiro do Módulo II com 12 gols), o clube conseguirá segurar para o ano que vem?

Flávio: Vamos tentar. Falei para ele, que ele não pode ficar "metidinho" para negociar (risos). Mas estamos negociando com ele e com todos os outros.
 
Diário: O técnico Ademir Fonseca pode permanecer, ou o Verdão deverá procurar outro perfil de treinador?

Flávio:Ademir Fonseca e toda a comissão também faz parte da base. Vamos conversar com ele e com todos os outros. Foi uma comissão muito boa. Entendeu nosso projeto. Aceitou as condições, valorizou nossa categoria de base e lançou atletas nossos para o mercado da bola ver. Estão valorizados. Treinador de fora vem e põe nossos meninos para completar coletivo. Ademir veio e pôs nossos meninos para jogar. Ele tem nosso respeito.
 

DiárioQual o perfil do elenco que você prefere para o ano que vem para a busca de vaga na Série D e até uma Copa do Brasil?

Flávio: Base do elenco do Módulo II, base do Sub-20 e atletas de alta qualidade para ajudar essas bases.
 

DiárioFinanceiramente, o que o clube gastou neste Módulo II e quanto de passivo terá de pegar para salvar o ano? Já existe uma estimativa de orçamento para o ano que vem?

Flávio: Gastamos cerca de R$ 1,2 milhão. Como todo clube do interior de Minas, terminamos o campeonato fazendo aporte financeiro próprio do bolso para terminar. Agora é equilibrar as contas e pagar o passivo que ficou até o fim do ano. Equilibrando, começamos o ano sem dívidas ou com muita pouca dívida. E como todo ano, a luta começa novamente. Não há estimativa para orçamento no ano que vem. Estamos trabalhando no marketing e depende do apoio que teremos.
 

 
DiárioO que fazer com a falta de calendário no segundo semestre do ano que vem?

Flávio: Essa questão de calendário estamos em pé de igualdade. Os clubes não estão mais fazendo contratos longos. São de seis em seis meses, até porque a lei de estabilidade deixou os dirigentes atentos. Vamos lutar para encaixar o Verdão em alguma competição como convidado no segundo semestre em 2020, embora seja difícil.
 

DiárioNormalmente, quem sobe do Módulo II faz apenas cinco jogos em casa e ainda pega uma tabela mais complicada. Como o UEC pretende trabalhar com essa questão na primeira divisão?

Flávio: Quem sobe é candidato ao rebaixamento já no arbitral. A pontuação das debutantes é menor na votação. Depois joga cinco em casa e seis fora. Pega um grande em casa. É uma luta. Mas temos que vencê-la.
 

DiárioA fórmula de disputa com oito times se classificando para as quartas de final chegou a dois anos conforme rege o estatuto do torcedor. Sabemos que é uma fórmula que desagrada muito aos grandes. Os clubes do interior, que têm maioria de votos, devem manter esta fórmula no ano que vem, e não voltar a quatro classificados como querem Cruzeiro, Alético e América?

Flávio: Na minha opinião, não adianta ter quartas de final no Mineiro se não tiver jogo de volta. O time classifica em 5º, por exemplo, não tem jogo em casa, não tem renda e só joga uma partida fora para ter despesa de viagem e alimentação. É para inglês ver. Na minha opinião, ou joga-se duas partidas de quartas de final ou não. Talvez seria mais justo uma última rodada extra, com jogos por sorteio, para igualar essa maldição do Mineiro de se jogar cinco partidas em casa e seis fora. Isso é injusto demais. Para mim, o Mineiro pode até ter turno único, mas teria que ser com 13 times. Assim todos jogam seis partidas em casa e seis fora.

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