08/05/2019 às 19h39min - Atualizada em 08/05/2019 às 19h39min

Justiça ouve acusada por acidente que matou 3 pessoas da mesma família na BR-050

Primeira audiência de instrução e julgamento do caso ocorreu nesta tarde (8); acidente foi registrado ano passado entre Araguari e Uberlândia

CAROLINE ALEIXO
Audiência ocorreu no fórum de Araguari na tarde desta quarta-feira (8) e durou cerca de 3h | Foto: Diário de Uberlândia
A acusada pela morte de três pessoas da mesma família, durante acidente na BR-050 em outubro do ano passado, foi ouvida pela Justiça na tarde desta quarta-feira (8). A primeira audiência de instrução e julgamento do caso foi realizada no Fórum de Araguari, onde tramita o processo, e durou cerca de três horas. 

Segundo a assistente da acusação e prima de uma das vítimas, Thaisa Monari, foram ouvidas quatro testemunhas durante a sessão. Além da motorista, de 21 anos, as duas amigas que estavam com ela no carro no dia do acidente e dois funcionários da concessionária MGO Rodovias também prestaram depoimentos na 1ª Vara Criminal da comarca de Araguari.

O acidente ocorreu no dia
7 de outubro de 2018 na BR-050, entre Araguari e Uberlândia, e foi registrado apenas no dia 9, quando uma das vítimas foi localizada com vida. A Polícia Civil concluiu que o carro em que estavam as jovens de Uberlândia bateu no veículo de Alessandro Monare, Belkis Monare e os dois filhos do casal. Com a batida, o carro saiu da pista e caiu em uma vala.

Uma das crianças, de oito anos, e o casal morreram no local. O filho mais novo da família, de 6 anos, conseguiu sair do veículo horas depois. Ele ficou às margens da rodovia, sendo encontrado por um caminhoneiro, que acionou as autoridades. As vítimas tinham ido a Rio Quente (GO) e voltavam para a casa em Campinas, no interior de São Paulo.

As investigações apontaram que a jovem que conduzia o veículo envolvido no acidente dirigia sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e sob ingestão de bebida alcoólica. De acordo com a advogada, a ré responde por triplo homicídio qualificado por impossibilidade de defesa das vítimas, além de direção perigosa.


“Ela fala que não viu carro nenhum, que não sabe se ela dormiu ou se baixou a pressão. Ela também nega que bebeu. Disse que só fez uso de bebida alcoólica no dia anterior, porém na delegacia as duas amigas dizem que ela bebeu durante a madrugada e na audiência mudaram a versão”, comentou Thaisa.


Sobre o acidente, as testemunhas que estavam no carro informaram ao juiz que também não viram nada. Uma delas disse que estava no celular e a outra dormindo. Ainda restam ser ouvidos por carta precatória o namorado da acusada e um policial rodoviário federal, que fez o registro da ocorrência. Após os depoimentos, o processo vai para a fase das alegações finais por parte da defesa e da acusação. Por fim, o juiz dá a sentença de impronúncia ou de pronúncia (quando o réu vai a júri popular).

“Queremos que ela vá para júri e seja condenada nos três homicídios qualificados, além da tentativa de homicídio do Benjamin [único sobrevivente]”, comentou.

O Diário de Uberlândia procurou o advogado que defende a motorista, que informou que não se manifestará fora dos autos.
 
RELEMBRE
A polícia identificou que um carro branco teria batido contra o veículo da família Monare na altura do km 45. As três jovens estavam neste carro e alegaram, na época, que sentiram uma pancada na traseira do carro. O carro rodou e foi parar no canteiro central. Uma das ocupantes deixou o local do acidente e uma passageira foi levada para Araguari para receber atendimento médico. Já a motorista dispensou o atendimento.

 

Alessandro Monare e Belkis Monare voltavam de uma viagem com a família para Rio Quente (GO) | Foto: Reprodução/Fabebook

Com a batida, o carro da família caiu no barranco e não foi localizado em um primeiro momento pela concessionária. A empresa também está sendo investigada em outro processo por omissão, uma vez que há informações de que testemunhas avisaram funcionários da MGO sobre o envolvimento de dois veículos no acidente.
 
A concessionária informou na época que a dificuldade em localizar o carro era por estar em uma vala distante da pista e em área de pouca visibilidade, coberta por vegetação. Ainda conforme as investigações, o laudo nos corpos mostrou que apenas a criança morreu na hora do acidente e que os pais poderiam ter sobrevivido caso tivessem recebido socorro. O menino que sobreviveu ficou sob a guarda dos avós no estado de São Paulo.

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