07/04/2019 às 08h00min - Atualizada em 07/04/2019 às 08h00min

Promessa uberlandense mira Paris 2024

Com vários títulos no juvenil, Fabinho inicia jornada na categoria adulto de olho no top 40 do mundo

EDER SOARES
(Divulgação/Arquivo pessoal)
Um jovem de apenas 19 anos, mas que tem sonhos ousados para o futuro no tênis em cadeiras de rodas. O uberlandense Fabio Bernardes Filgueiras Neto é tetracampeão brasileiro, campeão sul-americano e vice-mundial, todas as conquistas na categoria juvenil. A partir deste ano, ele iniciará uma nova caminhada no adulto.

Fabinho começou a jogar tênis aos nove anos e é apontando como uma das grandes promessas do tênis brasileiro em cadeira de rodas. A meta é nos próximos anos entrar entre os 40 melhores do mundo para estar nos Jogos Palímpicos de Paris (2024). “Será meu primeiro ano na categoria adulta. Atualmente estou sem ranqueamento e ainda não consegui ganhar muitos jogos, pois tive uma lesão no ano passado e acabei jogando pouco, e não participei do meio do ano para frente de nenhum torneio”, disse o tenista.

O ano reserva competições importantes na categoria adulto. Fabinho não quer fazer feio para começar a sua escalada pensando em futuramente ser uma das referências no tênis brasileiro e mundial, assim como foi na época de juvenil. “Neste ano teremos muito torneios no Brasil, sendo que dois dos mais importantes serão aqui em Uberlândia. Um deles é nível ITF2, que é o nível que vale pontos e tem uma premiação em dinheiro muito boa. Minha expectativa é ir bem. Tem a Copa Guga, que também vale muitos pontos e dinheiro e tem atletas do mundo inteiro”, afirmou.

PARALIMPÍADA

Quando o assunto é o sonho de participar de uma edição do Jogos Paralímpicos, Fabinho Bernardes age com sabedoria. Ele não quer atropelar etapas da carreira. O uberlandense entende que para Tóquio 2020 ainda seria muito cedo, mas que para Paris 2024 ele poderá estar no nível que precisa para voar mais alto.

“Preciso entrar entre os 40 melhores do mundo para conseguir uma vaga para Tóquio. O tênis em cadeiras não tem regra de idades, pois acaba exigindo menos do físico. Ele é mais tranquilo e o pessoal consegue ir mais além na idade. Atletas de alto nível seguem jogando com 45 e 50 anos. Não tenho essa meta de ir a Tóquio neste momento. Quero agora é ganhar experiência e fazer jogos para que em 2024 eu possa estar tentando ir a uma Paralimpíada”, disse.

INCENTIVO

Apesar do esporte paralímpico brasileiro ter crescido muito nos últimos anos, tanto na questão técnica, quanto na divulgação na mídia, Fabinho Bernardes avalia que ainda falta muito incentivo, principalmente financeiro. “Se você for pegar dados, o esporte paralímpico está muito à frente do esporte olímpico. Se for pegar as últimas quatro olímpiadas e paralimpíadas, o quadro de medalhas do Brasil no paralímpico está muito acima. Acho que ainda falta muito incentivo. Se você imaginar que sem incentivo o esporte paralímpico está acima, imagina se tivesse incentivo”, afirmou Fabinho.

“Incentivo que eu falo é de tudo mesmo: patrocínio, de a confederação ajudar mais e investir mais nos atletas, fazer semanas de treinamentos, que no olímpico tem, ou seja, fazer uma organização melhor. Não podemos negar que está melhor do que era antigamente e evoluiu muito se comparado há 40 anos. O Brasil tem paratletas muito bons. O primeiro do ranking nacional está entre os top 15 do mundo e ele só não está no top 10 porque a federação não investe tanto”.

PAIS

Fabinho garante que se não fosse o apoio dos pais jamais teria chegado ao lugar onde está, inclusive carregando o sonho de ficar entre os melhores tenistas em cadeira de rodas do mundo. O pai, Flávio, é zootecnista, enquanto a mãe, Beatriz, é assistente social. “Os pais têm um papel muito importante na carreira de um atleta. Meus pais são muito importantes na minha evolução. Sem eles, eu não conseguiria estar onde estou hoje. Eles me acompanham nos meus torneios e sou muito grato por tudo que fizeram e fazem por mim”, disse Flavinho, mostrando a sua indignação pela falta de patrocínio.

“Sou tetracampeão brasileiro, campeão sul-americano e vice-mundial e não tenho praticamente nada de patrocínio. A Head [fabricante de raquetes], de dois em dois anos, troca as minhas duas raquetes. Agora consegui um patrocínio da Personal e Companhia, que me ajuda na preparação física, e só. Quando eu viajo pela Seleção Brasileira, aí eles bancam tudo, mas tirando isso, não tem nada. Falta divulgação e falta incentivo”, finalizou.

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