06/03/2019 às 08h48min - Atualizada em 06/03/2019 às 08h48min

Quem a música uniu a distância não separa

Big Bull Band tem raízes em Uberlândia que se expandiram até a Hungria

ADREANA OLIVEIRA
Allissera e seu contrabaixo no “X-Factor Hungria” com Tom White & The Mad Circus | Foto: Divulgação
Não é preciso formalidades aqui. O assunto vai além do Lucas Simon e do Allison Guimarães. Aqui estão os músicos Carcassa e Allissera, como a cena cultural uberlandense os conhece. Ambos começaram nesta longa estrada do rock and roll, cheia de bifurcações, na adolescência, entre os 14, 15 anos de idade. Atualmente Carcassa segue em Uberlândia, recentemente ingressou como guitarrista na banda mineira Uganga e Allissera mudou-se para Budapeste, na Hungria. “O Allisson, por ser um pouco mais velho, carrega uma experiência maior e só no estilo country tem uns 10 anos que o Big Bull (Allissera) começou o estudo do instrumento (baixo acústico) e do estilo, e eu um pouco menos por ter sido agregado por ele na jornada”, disse Carcassa.

Mas aqueles a música uniu a distância não separa. Fica a amizade, fica a produção, mesmo que iniciada à distância, por meio das máquinas, aplicativos de mensagens e afins. Um manda um riff, outro uma letra, uma melodia, combinam umas versões de artistas que admiram e quando se encontram já estão com praticamente um disco só para se aparar as arestas.

Em março próximo um dos projetos em conjunto dos dois, a Big Bull Band, lançará o primeiro EP. “Esse processo de composição e produção a distância também é bem contemporâneo e representa um momento curioso da convergência entre tecnologia e música - há muitos artistas usando esse recurso de várias e várias formas, e é um encontro bem otimista", comentou Carcassa.

O EP deve sair em março e ainda conta com a participação de do violinista Gustavo Dias. Porém, Allissera já terá voltado para a Hungria. “Mas a partir do EP, continuaremos a compor e a trocar ideias, para finalizarmos um possível CD Full até o fim do ano”, adiantou o guitarrista.

MUDANÇA

A vinda de Allissera para Uberlândia desta vez, além dos shows com o amigo de longa data apresentados em diferentes espaços e para diferentes públicos em Uberlândia, tem outro motivo. A turnê do Tom White & The Mad Circus, com quem Allisson toca em Budapeste e fara shows nos dias 14 e 15 de março no Alfaiataria Bar, e além de Minas Gerais passará por Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O músico foi para Buapeste em 2015, quando sua namorada, atual esposa, recebeu uma proposta de trabalho em Budapeste. “Na época já havia alguns anos que eu levava a música como minha profissão e decidi me mudar com o intuito de fazer o mesmo por lá. Peguei meu baixão e fui sem conhecer ninguém por lá. Chegando lá comecei a entrar em contato com pessoas e bandas que tocavam o mesmo estilo que eu já estava tocando (rockabilly, country, Blues) através do Facebook e indo em shows. Em poucos dias eu já estava tocando em alguns projetos e também integrando o staff de algumas bandas”, contou Allissera.

Com o passar do tempo ele recebeu convites para tocar em bandas grandes no cenário europeu, entre elas Mystery Gang, na qual tocou por um ano e Tom White & The Mad Circus, com a qual participou do reality musical “X-Factor” versão húngara. “Foi uma experiência muito interessante, é um programa com muita audiência no país e como chegamos nas etapas finais, nos trouxe muita visibilidade e consequentemente muito trabalho”, disse Allissera.

RAÍZES

Allissera e Carcassa têm experiências em bandas de metal e punk basicamente. A estrada musical dos dois se cruzou por acaso e compartilham do interesse pelos estilos mais tradicionais vindos dos Estados Unidos como bluegrass, country e rockabilly. “Allissera teve seus primeiros contatos com bandas mais pela cena punk, em bandas como Dead Smurfs, Crust Division, XarmadilhaX bandas que lançaram CDs, fizeram algumas turnês nacionais e internacionais. Eu vim de uma experiência mais ligada ao Metal, desde minha primeira banda aos 15 anos que se chamava Fuerza, para depois viver uma longa experiência tocando Death Metal com a banda uberlandense KroW, somando alguns CDs e algumas turnês, nacionais e internacionais também. Quando estava na KroW eu conheci o Allissera, em 2010. Tocamos durante alguns meses juntos na banda, mas ele estava de saída quando eu entrei, o que de qualquer forma foi essencial pra gente se conhecer e começar o que viria a ser uma longa parceria musical que perdura até hoje”, disse Carcassa.

Nessa época, o Allissera já tinha conhecido o instrumento que viria a tocar, o baixo acústico. Depois de assistir a um show da banda Sick Sick Sinners, expoente do Psychobilly de Curitiba, teve sua vida transformada. “Ele percebeu que existiria a possibilidade de fazer um som com uma pegada mais pesada, mas num instrumento acústico”, afirmou Carcassa.

O baixista tem feito uma pesquisa extensa tanto teórica quanto prática dentro dos estilos que derivam dessa cena tradicional americana, que culminou na ida dele pra Budapeste. O guitarrista também começou uma pesquisa nesse estilo um tempo depois do colega. Começaram a tocar juntos entre 2011 e 2012 em bandas como Família Buscapé (Tributo ao Johnny Cash), Bad Thinkers - com músicas autorais, Evil Stout (Tributo Rockabilly), Condado Caramujo - que gerou um álbum lançado só de músicas autorais, e agora o mais recente, Big Bull Project.

“A música tradicional americana sempre teve um teor e uma atitude de vanguarda, desde o surgimento do próprio country com nomes como Jimmie Rodgers e Hank Williams. Esses eram cantores que muitas vezes são considerados de uma escola country outlaw, ou fora da lei, por conta do teor das letras e da atitude dos cantores; muitas vezes essas letras questionavam as regras ou o padrão de vida "normal", ou falavam de viajar e viver a vida da forma que queriam”, explica Carcassa.

Para ele, o country serviu como maternidade para o desenvolvimento do rock, que por sua vez, foi se desdobrando até chegar também ao punk e metal. “Um detalhe curioso dessa abordagem em relação à música country contemporânea e ao nosso estudo é a possibilidade de fazer um show completamente energético e fiel à nossa pegada e à nossa formação tradicional de som extremo, mas com uma sonoridade acústica e por muitas vezes até dançante - o que justifica o caráter universal do estilo e o feedback positivo que tivemos das apresentações que fizemos aqui na cidade”, finalizou.
 

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