06/03/2019 às 13h00min - Atualizada em 06/03/2019 às 13h00min

​Uberlandense participa de expedição e recolhe fósseis de milhões de anos na Antártida

Material colhido deve suprir parte do acervo do Museu Nacional, segundo João Alberto Matos

MARIELY DALMÔNICA
Pesquisador João Alberto Matos participou da missão por 77 dias | Foto: Arquivo pessoal
O biólogo uberlandense graduado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), João Alberto Matos, participou de uma expedição por 77 dias na Antártida para pesquisar sobre o período Cretáceo, que sucede o período Jurássico. O pesquisador foi o primeiro aluno da universidade nascido na cidade a viajar para o continente.

O projeto Paleoantar foi criado em 2006 e faz parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Em 2017, João Alberto, que ainda era estudante do curso de Ciências Biológicas, foi convidado pelo professor Douglas Riff para acompanhar a pesquisa pela primeira vez. No ano passado, o biólogo integrou novamente a equipe.

Além de João Alberto, a equipe foi composta pelo professor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências da Unicamp, pelo professor Luiz Carlos Weinschutz, da Universidade do Contestado, e pelo estudante Geovane de Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Yoshimi Nagatani, uma alpinista responsável pela segurança, também acompanhou a equipe durante a pesquisa.

Os pesquisadores saíram do Brasil em novembro, seguiram até Punta Arenas, no Chile, pegaram um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) até a Base Antártica Chilena Presidente Eduardo Frei Montalva. Depois disso, embarcaram em um navio de da Marinha brasileira, e foram conduzidos até a Ilha Vega, que fica localizada a cerca de 250 quilômetros a Leste da Base Antártica Brasileira Comandante Ferraz. “O tempo total de viagem foi 77 dias, contando ida e volta. Ficamos 60 dias acampados com barracas”, disse João Alberto.

Durante a pesquisa, os participantes encontraram fósseis de ambiente marinho, répteis marinhos e outros fragmentos, como ossos longos e troncos de espécies de milhões de anos atrás, que “viviam em uma Antártica tropical, com árvores e fauna. Particularmente, esse foi um dos campos mais representativos na minha carreira paleontológica”, afirmou o biólogo.

Além se serem usados para estudos, parte dos materiais coletados serão utilizados em exposições. “Esse projeto foi baseado no Museu Nacional. Para tentar suprir e revalidar o acervo do museu”, disse João Alberto. As instituições parceiras também ficarão com alguns exemplares, que ainda estão em trânsito e devem chegar no Brasil entre março e abril. Parte do material também será destinado para a UFU.

Segundo o biólogo, o projeto foi renovado por mais quatro anos, e lugares diferentes serão explorados na próxima viagem.

DIFICULDADES
Segundo o biólogo, a neve, o vento forte e o frio dificultaram o trabalho dos pesquisadores durante a expedição. “Dos 50 dias que ficamos acampados, fizemos coleta por 30 dias, os outros 20 foram de tempo ruim”, afirmou.

O acampamento era o contrário do que as pessoas esperam, disse João Alberto. Foram montadas barracas individuais e mais duas que serviram como área de convivência e laboratório. “Todas têm que ter uma grande resistência”, afirmou o biólogo.

O pesquisador também disse que conseguia se comunicar com a família apenas uma vez por semana, durante cinco minutos. A comunicação era feita via satélite, tanto para ligações quanto para mensagens de texto.

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