13/02/2019 às 19h30min - Atualizada em 13/02/2019 às 19h30min

​Envolvido em fraudes do Ipremu é preso na Itália

Suspeito era consultor do instituto previdenciário de Uberlândia e um dos alvos da "Operação Encilhamento" da PF

CAROLINE ALEIXO E VINÍCIUS LEMOS COM FOLHAPRESS
Operação Encilhamento foi deflagrada em Uberlândia no ano passado (Foto: Divulgação)
A Polícia Federal informou que foi preso na Itália, nesta terça-feira (12), o empresário Renato De Matteo Reginatto, de 37 anos. Ele é um dos alvos da “Operação Encilhamento” e atuava como consultor de investimentos para institutos previdenciários, incluindo o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Uberlândia (Ipremu).

O nome do suspeito constava na lista da Interpol e ele recebeu voz de prisão em Roma, depois de desembarcar de um voo dos Estados Unidos com destino à capital italiana. As devidas providências estão sendo tomadas pela PF para que o Judiciário brasileiro solicite a extradição do homem.

Segundo uma reportagem da Folha de São Paulo divulgada em julho do ano passado, enquanto já era considerado foragido da Justiça, Renato fazia aquisições nos Estados Unidos. Desde o final de 2017, ele havia comprado imóveis e um barco que, juntos, foram avaliados em mais de R$ 40 milhões.

O dinheiro usado por Matteo vem de offshores (contas mantidas fora do país) e que foram identificadas durante as investigações da polícia. A defesa de Matteo não foi localizada para se manifestar.

IPREMU
Conforme as investigações da Polícia Federal, a consultoria de Renato foi contratada pela Prefeitura de Uberlândia, por meio do Ipremu, para gestão dos recursos financeiros da organização. O Diário de Uberlândia apurou que ele teve pelo menos dois contratos firmados com o Ipremu entre os anos de 2013 e 2016. 

A apuração apontou que grande parte dos recursos foi aplicada em fundos de alto risco e suspeitos de fraude. Além disso, foi constatado que alguns desses fundos adquiriam títulos de empresas ligadas direta ou indiretamente ao consultor. Em um deles, houve a aplicação superior a R$ 9 milhões com recursos do instituto previdenciário.

O Diário de Uberlândia entrou em contato com o delegado-chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D'Ângelo, para mais detalhes sobre o envolvimento do suspeito com os investigados de Uberlândia e o andamento do processo, que tramita na vara especializada em crimes financeiros, em Belo Horizonte. Contudo, ele está fora da cidade e as ligações não foram atendidas na tarde de ontem.

Delegado-chefe da Polícia Federal de Uberlândia, Carlos D'Ângelo

Delegado-chefe da Polícia Federal de Uberlândia, Carlos D'Ângelo


Delegado-chefe da PF disse na época da operação que prejuízos ao Ipremu era de cerca de R$ 300 milhões (Foto: Vinícius Lemos)

ENCILHAMENTO
A "Operação Encilhamento" foi deflagrada em abril do ano passado e resultou na prisão preventiva do ex-prefeito de Uberlândia Gilmar Machado (PT), do ex-superintendente do Ipremu, Marcos Botelho, e de dois ex-integrantes do Comitê de Investimento do instituto, Cláudio Roberto Barbosa e Mônica Silva Resende de Andrade, suspeitos dos crimes de fraude do mercado financeiro, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

Na época, D'Ângelo esclareceu que o Ipremu estava investindo nos chamados títulos podres (fundos sem liquidez) e o prejuízo estimado era de pelo menos R$ 300 milhões aos cofres do Ipremu.

Ainda segundo o delegado, o instituto que antes contava com 98% dos investimentos em bancos oficiais contratou a nova consultoria, de forma ilícita, e passou a investir em títulos emitidos sem valor real. No ano de 2016, quase metade dos investimentos do Ipremu passou a ser em títulos podres.

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