12/02/2019 às 08h41min - Atualizada em 12/02/2019 às 08h41min

Alta no gás e na passagem já reflete no bolso do consumidor em Uberlândia

Empresários repassaram, nesta semana, valores de reajustes ao consumidor final

FERNANDA PARANHOS
Empresário Baltazar Braga reajustou em R$ 1 o valor da kg da comida em seu restaurante | Foto: Fernanda Paranhos
A semana começou diferente no restaurante do Baltazar Braga. Na balança, R$ 1 a mais cobrado no quilo da comida. Anteriormente, o cliente pagava R$ 26,90 o quilograma, mas agora é R$ 27,90. A moedinha a mais no preço final não é capricho do empresário que sustenta a família há 12 anos com o negócio, mas reflexo de uma avalanche de reajustes ocorridos em 2019 e no final de 2018.

O aumento de gás, anunciado na última semana, é o que mais afetou o empresário do ramo alimentício. No self service do Baltazar, que fica em um bairro residencial, há dois botijões industriais de 190 kg para dar conta da demanda. Os botijões são abastecidos, em sua maioria, duas vezes por semana. Até semana passada, ele pagou R$ 5,50 pelo quilo do gás, mas com o reajuste, o valor foi para R$ 6,15, aumento de 11,82%. “De um mês para cá, minha vida mudou toda, porque eu tinha uma margem de lucro pequena. Eu ganho mais por quantidade. Ganho pouco, vendo muito e isso se tornava um valor legal. Agora, eu vou ter que aumentar o preço ou não vou ganhar nada, porque tem gás, combustível, passagem de ônibus dos funcionários e água. Para manter o comércio aberto, tem que ficar esperto”, disse Braga.

Para Alexandre Pereira da Silva, além de esperteza, é preciso coragem para manter abertas as portas da “jantinha” que ele inaugurou há 1 ano e meio no bairro Minas Gerais. O cardápio oferecido pelo estabelecimento tem como protagonista o espeto de carne, produto que Alexandre compra todos os dias e que no ano passado sofreu duas altas, de R$ 0,50 e depois, de R$ 1,00. A clientela dele, segundo o empresário, está atenta e por isso ele temeu mexer no valor cobrado. “Se eu aumentar R$ 0,20 ou R$ 0,30 do meu produto, não fará diferença para mim porque eu não ganho em quantidade igual a estes postos de combustível. Para me ajudar, eu tenho que aumentar entre R$ 1,00, R$ 2,00 ou até R$ 3,00, mas aí eu quero ver. Meu cliente vai reclamar.”

Para Silva, os aumentos que mais afetaram o lucro do negócio foram o gás de cozinha, que ele paga R$ 75,00, e o combustível, que subiu, na última semana, 1,5% nas refinarias e até 6,8% nas bombas na cidade, conforme informou o Diário de Uberlândia. “Quem mexe com alimentação é assim. Gasta mais com combustível e gás e é por isso que eu vou ter que mexer no meu cardápio. Nesta semana mesmo eu vou mexer. Não vai ter jeito!”
 
GÁS
 
Em muitos revendedores de Uberlândia, o preço de mercado do gás de cozinha, desde ontem, variou de R$ 72,00 a R$ 75,00. Esta é a faixa de preço do botijão vendido no estabelecimento coordenado por Érica Fernandes, que informou que ainda há a possibilidade de o valor cobrado chegar a R$ 78,00. Érica atribui o aumento de valores à recorrente falta de fornecimento causada por roubos de carga. Ainda segundo ela, há no mercado revendedores com preços muito abaixo da média, o que deve ser observado com cuidado pelo consumidor. “O barato, às vezes, sai caro. Independentemente se a revenda é vinculada ou não a uma companhia, importante é sempre comprar de uma empresa que tenha autorização da ANP [Agência Nacional de Petróleo]”, reforça. Na semana passada, o Sindigás informou que o aumento do gás seria até 1,4%, levando em consideração que a determinação do preço é livre, de acordo com cada comerciante.
 
PASSAGEM
 
Após determinação judicial publicada na última sexta-feira, voltou a vigorar o valor de R$ 4,30 pela passagem integral de ônibus no transporte público de Uberlândia. O aumento, segundo a Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran), foi de 7,35%.

No restaurante de Baltazar há 12 funcionários. Todos recebem duas passagens por dia. Significa que, diariamente, ele vai passar a pagar R$ 103,20 para que os empregados cheguem e vão embora. Este é um dos motivos que levaram o empresário a aumentar o valor cobrado ao cliente, após um cálculo que também incluiu o aumento do gás e do combustível. “O aumento do quilo [cobrado] é o único jeito porque o passe não tem como economizar, o gás, se eu não pagar, corta; a água também. Eu tenho que ter combustível para buscar o produto”, disse.
 
VISÃO ECONÔMICA

Para economista, reajustes superaram o previsto

 
É fato que, em todo início de ano, há vários impostos obrigatórios para o brasileiro. Os mais básicos são o Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Para o economista Álvaro Fonseca, do Centro de Estudos, Pesquisas e Projeto Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes-UFU), um pequeno aumento nestas tarifas é comum e esperado, mas o valor crescente em outros setores, principalmente, na esfera pública, soa como insensibilidade. “Eu fico me perguntando o porquê não esperar para aumentar combustível, gás, preço de passagem mais para a frente e não nesta época do ano em que está todo mundo apertado, com dificuldade de pagar as coisas. Por que fazer isso em janeiro e fevereiro?”, questionou.  

Fonseca chama estes ajustes como “aumentos de gatilho”, que fazem parte de concorrência de mercado. O especialista aconselha o contribuinte a procurar economizar no final de ano, sobretudo quem recebe o 13° salário, para arcar pelos gastos acrescidos do início do ano. De acordo com ele, a análise do reflexo destes aumentos é complexa porque precisa ser vista à luz dos padrões de consumo de cada família.

Enquanto os preços não caem, o cidadão segue tentando se virar com a carteira. “Aumento para nós, pobres, pequenos empresários, numa época dessa, é loucura. A gente vai ao extremo, vira o ano achando que vai ficar tudo bom, aí vem um aumento desse, nesta época, a gente chega a ficar frustrado”, afirmou o empresário Baltazar Braga.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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