08/02/2019 às 11h32min - Atualizada em 08/02/2019 às 11h32min

Muito além de Cancún

Cavernas e parques fazem da Riviera Maia alternativa atraente ao turismo

FOLHAPRESS
Em Playa del Carmen, quem se aventura pelos rios subterrâneos encontra uma surpresa em cada curva | Foto: Divulgação
A Riviera Maia, no Caribe mexicano, foi por muito tempo ponto de encontro de turistas bicho-grilo, atraídos pela aura esotérica em torno dos maias e de suas profecias. Era um contraponto ao turismo endinheirado de Cancún, cidade mais conhecida do estado de Quintana Roo. Mas isso está mudando. Praias com areia branca e mar em tons que vão do verde-água ao azul-turquesa já eram atrações conhecidas.  Acrescente a isso um sem-número de cenotes (cavernas que abrigam rios subterrâneos), ruínas arqueológicas e uma nova infraestrutura turística, com parques, centros comerciais e hotéis de luxo, e você vai entender o sucesso recente dessa parte da península de Yucatán.

A Riviera Maia é o trecho do Caribe mexicano que vai de Puerto Morelos, mais próximo a Cancún, até Tulum. São 130 km de litoral, quase todo plano, além da ilha de Cozumel. E plenamente aproveitáveis: faz calor o ano inteiro, em especial entre julho e agosto, e chove pouco.

Mas é importante lembrar que a região fica bem cheia de novembro a janeiro, por ser alta temporada, e entre março e abril, por conta da semana de férias das escolas americanas e canadenses (o spring break), na qual os estudantes fogem do frio para lugares mais quentes – e o Caribe é um dos destinos preferidos. Ir nesse período pode ser ruim para quem quer tranquilidade, mas ótimo para quem quer diversão. De junho a novembro há a temporada de furacões, quando os valores de hospedagem caem: quem quiser arriscar costuma se dar bem, já que não é tão comum eles passarem com força.

A mais desenvolvida das cidades da região é Playa del Carmen. A 70 km de Cancún, era uma vila de pescadores até o início da década de 1980, quando começaram a chegar os primeiros turistas estrangeiros, a maioria europeus. Hoje, com pouco mais de 100 mil habitantes, é o principal centro comercial e hoteleiro. Poucas praias da cidade são públicas – a maior parte do litoral da região é restrita a hóspedes dos resorts à beira-mar.

Algumas das praias públicas preferidas dos turistas são próximas do centro. Uma delas é Punta Esmeralda, cerca de 3 km ao norte. Recomenda-se chegar cedo, porque costuma ficar cheia. O centro também é para onde todos vão à noite. É ali que se concentram as principais lojas, restaurantes e bares da Riviera Maia, em especial no entorno da Quinta Avenida – um calçadão de pouco menos de 2 km com acesso proibido para carros. É um dos lugares onde pode-se notar a mistura do turismo "raiz" com a exuberância econômica recente: convivem pacificamente, uma ao lado da outra, lojas de grifes internacionais e de souvenires (onde vale, inclusive, praticar a boa e velha pechincha). Para quem quer farra, a pedida é o Coco Bongo, boate de Cancún que abriu uma unidade na cidade.

Outro destino importante na Riviera Maia é Tulum. A cidade é alvo de um boom turístico e entrou no circuito das praias mexicanas preferidas pelos mais endinheirados, ao lado de Los Cabos e Puerto Vallarta, ambas na costa do Pacífico. Nos últimos anos, entrou na rota dos "destination weddings", como são chamadas as festas de casamento realizadas em um destino turístico. "Ainda são poucos os brasileiros, a maioria dos clientes que se casam aqui são americanos e europeus", diz Ary Iturralde, consultora de casamentos que atua na região. "Mas sabemos que casar no Brasil está caro, e somos uma boa alternativa."
Além das praias, Tulum esconde uma preciosidade: possui um dos maiores sítios arqueológicos da civilização maia, que não era exatamente um império. A definição mais precisa é a de várias cidades-Estado, que compartilhavam dos conhecimentos matemáticos e arquitetônicos e faziam comércio entre si. No auge da civilização maia, a cidade de Tulum era um porto e também morada da aristocracia local. Além da história mostrada pelas construções em pedra, há uma atração extra: uma praia pequena escondida por falésias – único ponto de toda a Riviera em que o litoral não é plano.


Entre as principais atrações da Riviera Maia está o Sítio arqueológico de Tulum | Foto: Divulgação

PARQUES

Explorar a cultura e as belezas naturais é o que move o turismo na Riviera Maia, e os parques temáticos sabem bem disso. As atrações desse tipo já entraram na lista de atividades mais populares da região. No topo está o Xcaret, aberto em 1990. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram ao parque em 2017 (último ano com dados fechados). O Xcaret foi criado em torno de um sítio arqueológico maia de mesmo nome e de um cenote. Tem restaurantes, teatros, auditórios e praias, além de espaços para animais, mas uma das grandes atrações é um rio que o turista percorre flutuando. Quando menos se espera aparecem novos ambientes, desde um mangue até um enorme salão. Cada curva é uma surpresa.

Depois do Xcaret, o grupo dono do parque criou outros: Xenses, Xplor, Xel-Há, Xichen, Xenotes e Xoximilco. Os dois primeiros ficam próximos ao Xcaret, formando um complexo apelidado de "Disneylândia mexicana". No ano passado também inauguraram um resort que dá ao hóspede livre acesso aos parques. O Xenses é o mais curioso deles. Entre as curiosidades está uma rua cenográfica que parece uma subida, mas a gravidade "empurra" o visitante para o alto. Na verdade, as casas que formam a tal rua são construídas de forma inclinada para dar a sensação de que é uma subida. E são altas, para impedir que se veja o horizonte ou alguma referência visual que revele o truque.
 
REGIÃO TEM MAIS DE 5 MIL CAVERNAS DE ÁGUA DOCE

As praias da península de Yucatán, na Riviera Maia, dividem a atenção dos turistas com um tesouro submerso: os cenotes, espécie de cavernas de água doce. Essa formação geológica permite o acesso a áreas alagadas subterrâneas, muitas vezes ligadas entre si. São catalogados mais de 5.000 cenotes na região. Era em torno deles que as comunidades maias se agrupavam, pois era onde conseguiam água doce de forma perene. Além disso, os locais eram usados em rituais.
Um grupo de mergulhadores descobriu em novembro que dois destes sistemas de cavernas, os de Sac Actun e o de Dos Ojos, estão interligados, formando um labirinto com 347 km de extensão. As águas são cristalinas, e as formações geológicas chamam a atenção. É um prato cheio para mergulhadores ou para quem quer apenas se refrescar. Uma das vantagens dos cenotes é que eles são aproveitáveis inclusive em dias chuvosos, tornando-se uma boa forma de diversão quando a praia não está tão convidativa.

Vários cenotes são explorados turisticamente. Alguns dos mais famosos são os de Rio Secreto e Chaak Tun, ambos em Playa del Carmen, e Dos Ojos, próximo a Tulum, além dos que abastecem parques temáticos. Para entrar neles paga-se entre US$ 20 (R$ 74) e US$ 40 (R$ 149), e alguns incluem no valor até roupa de neoprene – mas não conte com isso, e leve dinheiro extra para aluguel dos equipamentos de mergulho.

Também vá preparado para participar de um ritual. Em alguns dos cenotes, é preciso passar por uma "purificação" com um ancestral maia, já que os lugares são considerados sagrados. Outra precaução dos locais é mais pragmática: em quase todos é proibido o uso de cremes e bloqueadores solares que não sejam biodegradáveis, para evitar a contaminação das águas.
 
ANTES DE IR À RIVIERA MAIA

Como chegar?  Não há voos diretos para lá. O aeroporto mais próximo com fluxo de voos regular é o de Cancún. Outra alternativa é ir pela Copa Airlines, que faz conexão na Cidade do Panamá. A vantagem dessa opção é que não é preciso passar pelo controle migratório. Há também um aeroporto em Cozumel, mas os voos para lá costumam ser bem mais caros.

Que documentos são necessários? - O país não exige visto nem certificado de vacina para entrada dos turistas. Mas, caso viaje via Panamá é possível que peçam o certificado de vacina de febre amarela.

Qual é a melhor época do ano para visitar? - Faz sol e calor o ano inteiro. O único período menos recomendado é a temporada de furacões no Caribe, entre junho e outubro. Mas essa pode ser uma boa oportunidade, já que os preços caem e a maior parte dos furacões perde força antes de chegar à costa.

Que dinheiro levar? - Praticamente todos os estabelecimentos comerciais da Riviera Maia aceitam pesos mexicanos e dólares. Uma recomendação é levar um pouco de cada uma das moedas e fazer as contas na hora do pagamento, para saber qual delas é mais vantajosa.

Qual é a cotação atual do peso mexicano? - Cada real equivale atualmente a cerca de cinco pesos mexicanos, e cada dólar vale cerca de 20 pesos.
Devo dar gorjetas? - Sim, inclusive nos hotéis.

A comida é muito apimentada? - A maioria dos restaurantes frequentados por turistas adaptou suas receitas e não carrega na pimenta. O mesmo não se pode dizer da comida de rua, mais tradicional e "quente".
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