11/01/2019 às 07h37min - Atualizada em 11/01/2019 às 07h37min

Projeto de alunas da UFU é destaque no Tomie Ohtake

Estrutura inflável foi uma das 20 selecionadas pelo Instituto que é uma das referências no País

NÚBIA MOTA
Em um ano, o grupo fez mais de dez instalações de estruturas infláveis feitas com sacolas plásticas | Foto: Divulgação
A ideia de duas jovens estudantes do 9º ano do curso de Arquitetura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), fundamentada na arte e na sustentabilidade, ganhou caminhos inimagináveis em um curto espaço de tempo. Rayssa Carvalho, 25 anos, e Luiza Davil, 24, transformaram centenas de sacolinhas plásticas descartadas, soldadas com ferro de passar roupa, em estruturas infláveis e logo chamaram a atenção dentro e fora de Uberlândia. O projeto foi um dos 20 selecionados, entre 1 mil inscritos, pelo Prêmio de Design Instituto Tomie Ohtake de 2018. Agora, o vídeo com o trabalho ficará em exposição do dia 23 deste mês até 10 de março no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e elas ainda concorreram a uma bolsa de estudos fora do País. Por uma questão de logística optou-se pela exibição da filmagem.

Para o prêmio - com o tema compartilhar -, elas fizeram uma estrutura com sacos plásticos pretos de lixo e colocaram um totem com cinco paredes, cada uma com um par de sensores em LED disposta no chão. Quando todos os sensores eram tocados ao mesmo tempo, uma luz negra acendia na parte de cima, permitindo que as pessoas lessem nas paredes do inflável palavras que faziam referência ao tema. A estrutura foi levada para a ONG Ação Moradia, no bairro Morumbi, no campus Santa Mônica e no Hospital do Câncer. “Nunca imaginei que a gente chegaria tão longe e tão rápido. Estou muito feliz”, disse Rayssa.
 
A INICIATIVA
 
Além de Rayssa e Luiza, o grupo batizado de Flutua hoje conta também com Isabela Magro, Beatriz Justo e Ariane Freitas. As ações começaram há cerca de um ano. Em busca de um assunto diferente para abordar no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da faculdade, Rayssa Carvalho achou inspiração em um projeto desenvolvido em Madri, criado pelo grupo Basurama, algo como “amor pelo lixo” em espanhol. O grupo utiliza material que teria como destino o lixo para fazer intervenções lúdicas na cidade, além do apelo estético para se destacar na paisagem. “Falei com a Luiza para a gente tentar fazer algo a respeito em algum momento”, afirmou Rayssa.

No dia 23 de janeiro de 2018, elas participaram com o coletivo Inflou Inflou, formado por alunas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), dentro das comemorações dos 464 anos da capital paulista, da produção de uma estrutura inflável feita com pedaços de plástico, instalada no Vale do Anhangabaú. Por lá, elas aprenderam a técnica de inflar a estrutura, usando um motor, e assim que voltaram para Uberlândia souberem que o projeto delas, inscrito no Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic), tinha sido aprovado no Fundo Municipal. Com a verba de R$ 3,1 mil, durante o ano passado, elas puderam oferecer oficinas de arte, utilizando o plástico e outros materiais, para os alunos da Escola Estadual Eneas de Oliveira Guimarães, no Centro de Uberlândia.

Em um ano, o Flutua fez mais de dez instalações infláveis na cidade. A primeira, usando mais de 2 mil sacolinhas reutilizadas doadas pela comunidade, foi colocada no bairro Élisson Prieto, antigo assentamento de sem teto no campus Glória, onde também foram feitas oficinas de brinquedos reciclados com crianças, em parceria com o projeto ABC do Glória, da ONG Centro Voluntariado Universitário (CVU). “Fizemos uma vaquinha virtual e conseguimos R$ 800 para o projeto. Foi muito divertido. As crianças amaram. Conversamos sobre o lixo, o consumo, na realidade delas e com um lado lúdico”, disse Rayssa.

As alunas também fizeram a instalação no Festival Timbre, na Semana de Arquitetura da Unitri, que integrou a programação da Semana do Meio Ambiente, quando montaram uma tartaruga de sacolinhas na praça Tubal Vilela, entre outras ações. “A gente não quer só entender o novo ambiente, mas também novas formas de interagir com esses ambientes. O inflável não tem uma porta que você abre, ele é um zíper. O seu corpo se movimenta de outras formas estando lá dentro”, contou Luiza Dalvi.
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