27/12/2018 às 07h59min - Atualizada em 27/12/2018 às 07h59min

Bombeiros alertam para os riscos de afogamento

Cachoeiras da Fumaça e Sucupira são locais de registros recorrentes em Uberlândia

CAROLINA PORTILHO
Cachoeira da Fumaça é uma das mais procuradas, mas também com vários registros de afogamentos | Foto: Trilhas Interpretativas/Divulgação
O sol é convidativo para um dia na beira de rios, represas e cachoeiras, mas em questão de segundos o tempo muda e os riscos aumentam com a possibilidade de trombas d'água, fenômeno da natureza que indica a presença de chuva forte elevando rapidamente o nível da água. Um dos casos mais recentes acabou levando à morte cinco pessoas após enxurrada atingir a Cachoeira do Zé Pereira, na região da Serra da Canastra, no último fim de semana.

Apesar da região do Triângulo Mineiro não ter registros frequentes de trombas d’água, com as fortes chuvas previstas nessa época do ano o Corpo de Bombeiros de Uberlândia destaca uma série de cuidados que devem ser tomados, principalmente em locais em que há registros recorrentes de afogamentos, como nas Cachoeiras da Fumaça, próximo à Nova Ponte, e Sucupira. Uma das medidas é sempre ficar de olho na mudança repentina do tempo.

“Essa alteração indica que vem chuva forte podendo causar estragos. Percebendo qualquer alteração, sair da água imediatamente e procurar um local mais alto e aguardar o término da elevação da água. Outra dica é observar o fluxo da água, se tem muitos galhos e folhas sendo levados rapidamente pela superfície. Nesse caso também é preciso abandonar o local e buscar outro com mais segurança”, disse o tenente Luís Carlos de Almeida Júnior, do Corpo de Bombeiro.

Nos limites de Uberlândia existem mais de 140 quedas d’água. O índice de afogamentos em rios e cachoeiras costuma ser maior nessa época do ano, quando predomina o calor. O tenente também alerta sobre a importância de cada um conhecer seus limites físicos e ter a consciência de usar equipamentos de proteção. “A pessoa acha que dá conta de atravessar de uma ponta a outra, mas nem sempre seu preparo permitirá a conclusão dessa travessia. Se estiver cansado ou se tiver câimbra, por exemplo, o ideal é voltar para a margem. Além disso, sempre usar colete salva-vidas. Esse item ajudará a pessoa a manter-se na água com segurança”.

O uso de bebida alcóolica associado à água também eleva o risco de afogamentos, já que os reflexos ficam alterados. Outra dica é em hipótese alguma entrar na água para salvar alguém em situação de perigo. Nesses casos, também é importante conhecer seus limites. “No intuito de salvar alguém essa pessoa pode se tornar uma nova vítima. Sem treinamento não aconselhamos a entrar na água para ajudar. O certo é jogar uma corda, um colete, um galho para que a pessoa segure nesse item e assim seja puxada com segurança”.
 
AVENTURA EM GRUPO
 
O guia de turismo Douglas Abrahão de Oliveira está acostumado a promover aventuras em grupos, como rapel, trilhas, remadas, travessias, slackline, entre outras. Para ele, conhecer o local onde pretende passear é essencial, assim como estar sempre na companhia de outras pessoas e, inclusive, de um guia.
“Seguimos padrões de segurança. Um deles é o Procedimento Operacional Padrão (POP) onde explicamos tudo sobre o passeio, os caminhos percorridos, as distâncias. O outro é Sistema de Gestão de Segurança (SGC) que avalia os possíveis riscos do local e cria parâmetros de controle para evitar esses riscos. Tudo é avaliado com cautela para tornar a aventura segura e divertida”, disse Douglas.

Ele também reforça que não deve ser feito uso de bebida alcoólica durante passeios envolvendo água e da importância de sempre levar cordas, mesmo que seja para uma simples caminhada. “Quando saímos para uma expedição levamos kit que contém itens de emergência e estamos sempre atentos ao tempo. Qualquer mudança nos afastamos de áreas de afogamentos e buscamos locais mais altos. É importante ressaltar que a maioria dos casos de afogamentos é devido a negligência e imprudência das pessoas”.
 
ÚNICO SOBREVIVENTE
Jovem desaparecido após enxurrada é encontrado
 
FOLHAPRESS
Desaparecido desde o último sábado (22) quando uma enxurrada - conhecida como cabeça d'água - atingiu uma cachoeira em São João Batista do Glória (a 340 km de Belo Horizonte), Eduardo Gomes Moraes, 36, foi encontrado e voltou para casa na terça-feira (25). Cinco pessoas morreram após a enxurrada atingir a Cachoeira do Zé Pereira na região da Serra da Canastra. O grupo estava no local, em uma área isolada dentro de uma fazenda, quando foi surpreendido pela cabeça d'água que se formou após chuvas atingirem a região que fica na nascente do rio.

Morador de Passos, no sudoeste de Minas Gerais, Moraes chegou em casa na noite de terça, depois de ser procurado por três dias por equipes de resgate. Amigos disseram que após a cabeça d'água atingir a cachoeira, Chiquinho - como ele é conhecido - buscou abrigo em uma gruta e caminhou por propriedades rurais da região da Canastra até que foi encontrado por um morador que o auxiliou.

Em vídeos postados em redes sociais, Moraes disse que homens do Corpo de Bombeiros chegaram a passar perto dele durante as buscas, mas não o viram, e que ele não pretende ir mais ao local em que os jovens morreram. Já em casa, ele se alimentou e foi levado a uma unidade de saúde para reidratação. Moraes estava num grupo de seis pessoas, das quais quatro estavam praticando rapel -esporte radical no qual os praticantes descem prédios, paredões rochosos ou cachoeiras por meio de cordas - no momento da chegada da enxurrada. Os outros dois estavam nadando na cachoeira.

Inicialmente, os bombeiros chamaram a enxurrada de tromba d'água, mas o termo, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), refere-se a um fenômeno que se assemelha a um tornado e ocorre na superfície de corpos de água. Quatro dos corpos das vítimas foram resgatados no sábado e no domingo (23) após buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros. O quinto corpo foi resgatado na segunda-feira (24). Como a região é de difícil acesso, os corpos das vítimas tiveram que ser içados por meio de um helicóptero.

Morreram Pollyana Laiane Diniz Furtado, 26, Mariana de Melo Almeida Horta, 24, Maurílio Pádua Silveira, 30, Alexsandro Antônio Pereira de Souza, 32, e Gustavo Alfredo Godinho Lemos Ferreira, 26.
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