09/12/2018 às 09h40min - Atualizada em 09/12/2018 às 09h40min

Salsicha, ovo e hambúrguer continuam na moda

Apesar da onda gourmet, donos de “lanchinhos” garantem que sanduíches tradicionais têm lugar garantido no mercado

MARIELY DALMÔNICA
Daniel dos Santos é dono do Hot Dog do Paulão, tradicional ponto no Centro da cidade | Foto: Alexandre Barbosa
Mesmo com a atual onda de hambúrguer artesanal e das hamburguerias gourmets, o tradicional cachorro-quente com batata palha e o clássico sanduíche que leva ovo frito no recheio não saíram de moda em Uberlândia. É o que garantem empresários dos tradicionais “lanchinhos” da cidade, que disseram não ter sentido impactos com a chegada de concorrentes mais rebuscados. Segundo eles, o sucesso dos sanduíches mais simples é explicado tanto pelo preço mais em conta, quanto pela fidelização dos clientes. 

Daniel dos Santos, por exemplo, é prova de que um bom hot dog faz qualquer um esquecer a dieta, principalmente depois de sair de algum show ou balada no Centro da cidade. Dono do Hot Dog do Paulão, Daniel comprou o “lanchinho” da avenida Floriano Peixoto já com esse nome, e nunca pensou em mudar. 

“Sempre trabalhei como funcionário em lanchonetes, depois decidi ter meu próprio negócio. Fiquei dez anos com a carrocinha e estou há 20 com a loja. Tenho clientes que estavam fazendo vestibular quando abri, hoje já se formaram e vêm com os filhos. Alguns têm até neto”, disse o empresário. 

Daniel garante que as grandes franquias e as hamburguerias gourmets não o assustam, já que sempre se adequou à concorrência e acompanhou as tendências de mercado, sem deixar de lado os clássicos do cardápio. “Lancei um hot dog prensado há pouco tempo, e está saindo muito. Sempre estou inovando. Quando eu comecei era só salsicha e molho, todos os cachorro-quentes da cidade só trabalhavam assim, eu devo ter sido o primeiro a implantar o purê de batata e a batata palha”, afirmou. 

Os sanduíches do Hot Dog do Paulão variam entre R$ 5, para o cachorro-quente básico, e R$ 60, que são dois sanduíches bem servidos. “Dá para quatro pessoas, o pessoal fala que é o ‘hambúrguer da casa’”, disse Daniel. 

O empresário abre a lanchonete todos os dias às 19h e só fecha quando o último cliente vai embora. “No fim de semana costumo fechar às 5h da manhã”, afirmou Daniel, que conta com a ajuda da filha e mais dois funcionários durante a noite e a madrugada. 

NA PRAÇA 
Nome de quiosque nasceu de brincadeira com funcionário


Quem estuda no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) já deve ter comprado algum sanduíche no quiosque do Doido Lanches ao menos uma vez. Cansados de trabalhar para terceiros, Rodrigo de Morais e a esposa, Maria das Graças Silva, tiraram do papel o sonho do negócio próprio e montaram o “lanchinho” há 19 anos na avenida Segismundo Pereira. 

“Começamos a comprar as coisas devagar. Quando abrimos, pegamos as mesas emprestadas, e o negócio foi fluindo. Hoje eu trabalho todas as noites e tiro o dia para fazer compras”, disse Rodrigo, que montou outro quiosque há um ano no bairro Aparecida, mas está deixando o negócio “guardado”. 

O nome “Doido Lanches” nasceu de uma brincadeira. “A gente trabalhava com um rapaz que tinha o apelido de ‘doido’, depois todo mundo começou a se chamar de ‘doido’. Quando pensamos em montar o lanche, colocamos esse nome.”

O cardápio do Rodrigo tem 32 opções de sanduíche, entre eles hambúrguer tradicional, filé de frango e filé mignon. Os valores variam entre R$ 10 e R$ 23, e a maioria dos clientes já escolheu o preferido, segundo Rodrigo. “O Bacon-cheddar. Uns 90% do pessoal da faculdade pede ele.” 
Há um ano, o empresário incluiu uma opção artesanal no menu, mas ele ainda se diz resistente aos hambúrgueres gourmets. “É uma novidade e o pessoal sempre procura, mas é uma resistência minha, sempre fui bem tradicional”, disse Rodrigo, que pensa em passar o negócio para o filho de 16 anos. “Ele trabalha comigo desde os oito anos, sabe como funciona tudo e é ainda mais caprichoso.”

Para o proprietário, ser honesto com o cliente é extremamente importante. “Sempre mantenho o padrão, tenho cliente que ia com o filho no carrinho e hoje o filho está na faculdade. Tenho uma turma muito grande, muito pessoal da faculdade, muita família, pessoal da igreja”, disse. 
O empresário já teve o quiosque arrombado 23 vezes, mas foi persistente e não pensou em mudar o “lanchinho” de lugar nenhuma vez. “O policiamento no Santa Mônica melhorou nos últimos anos e meu trailer agora é muito reforçado”, afirmou. 

Além de manter a maior parte do cardápio tradicional, Rodrigo também guia o negócio com a famosa propaganda boca a boca. “Eu tenho muita indicação, não faço postagem em Facebook, e ainda não consigo fazer entrega. Tem fins de semana que tumultua muito”, disse o empresário.


Junto com a esposa, Rodrigo de Morais toca o Doido Lanches há 19 anos | Foto: Jorge Alexandre Araújo

CRIADO NO PORTA-MALAS
Cardápio montado ao gosto do cliente


Quem nunca comeu um hot dog feito no porta malas de um carro? Quando Alexandre de Souza, dono do Hot Dog do Xand há sete anos, começou a vender sanduíche, era assim que ele trabalhava, estacionado na praça da Igreja do Rosário, no Centro da cidade. 
“Foi despertando a vontade de montar um ‘lanchinho’ e trabalhar com hambúrguer também. Eu sempre quis ter o meu espaço e a oportunidade de ir para um cômodo surgiu há sete anos. No começo foi muito difícil, principalmente na parte financeira”, disse Alexandre, que tinha o costume de conversar com os clientes para montar o cardápio. 

“Fui perguntando se o pessoal gostava e comecei a fazer hambúrguer. Eu sou bem chato quando se trata de qualidade, não fico mudando meus produtos e sou muito focado no meu trabalho, tento dar o meu melhor. Por isso aceito opiniões e críticas, mas com o tempo aprendi que meu lanche não perde para muitos da cidade”, afirmou.

Segundo o proprietário, o seu sanduíche conquistou muitos clientes ao longo desses sete anos. “Tem gente que sai de muito longe para comer, e mesmo que meu espaço seja pequeno, recebo muitas pessoas”, disse o proprietário, que conta com dois funcionários para ajudá-lo de quarta-feira à domingo, das 19h às 7h.

Para Alexandre, as hamburguerias gourmets não afetam tanto seu negócio porque os produtos são mais caros. “A galera ainda prefere comer o meu sanduíche”, afirmou. Xand ainda não aderiu ao WhatsApp e não usa nenhum aplicativo de delivery, faz entrega apenas quando o sanduíche é encomendado por ligação. 

O empresário altera os preços uma vez ao ano, mas nunca ouviu nenhuma reclamação da clientela. “O meu dog mais barato é o tradicional, ele é R$7, e o mais caro é R$ 13,50, que vai hambúrguer e ovo. Tem que estar com muita fome, senão não consegue comer tudo.”
Segundo Xand, o sanduíche preferido dos consumidores junta muitos ingredientes do cardápio, como hambúrguer, ovo e salsicha. “Esse a gente faz de 30 a 40 por noite”, disse o proprietário.


Alexandre de Souza, dono do Hot Dog do Xand, começou negócio no porta-malas de carro | Foto: Mariely Dalmônica

ENDEREÇOS

Hot Dog do Paulão - Av. Floriano Peixoto, 85, Centro
Sanduíches de R$ 5 a R$ 60

Hot Dog do Xand - Rua Santos Dumont, 708, Centro
Sanduíches de R$ 7 a R$ 13,50

Doido Lanches - Av. Segismundo Pereira, 891, Santa Mônica
Sanduíches de R$ 10 e R$ 23
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