06/12/2018 às 07h01min - Atualizada em 06/12/2018 às 07h01min

Bom comportamento ajuda a prevenir afogamentos

Para bombeiros, saber nadar não é suficiente para evitar acidentes

CAROLINA PORTILHO

João Pedro tem cinco anos e está na escola de natação desde os seis meses | Foto: Arquivo pessoal
Renata Cordeiro tem dois filhos, um de 3 anos e outro de 11 meses, e ambos já fazem aulas de natação. Para ela, a questão não está relacionada apenas a aprender a nadar, mas também em adquirir noções básicas de segurança e prevenção que podem ser aplicadas em um momento de sufoco.

“O afogamento está entre as principais causas de morte de crianças no Brasil. Por isso nossa preocupação em matricular os dois em uma escola de natação. O foco realmente é a segurança e a prevenção. Com as aulas temos noção de como agir caso algo aconteça. A criança precisa saber como agir, pois nem sempre estamos perto dos filhos”, disso.

Saber como se comportar na hora de nadar é uma das recomendações do Corpo de Bombeiros para evitar afogamentos. Neste ano, em Uberlândia, foram registrados 18 casos. A média de idade entre as vítimas é de 37 anos, sendo a mais nova de 19 anos, conforme dados do Corpo de Bombeiros. Embora o afogamento pareça estar relacionado com a falta de habilidade de nadar, as estatísticas apontam que a maioria das vítimas tinham noções de natação.

“O excesso de confiança, aliado a fatores externos como desconhecimento do local onde está nadando, brincadeiras de mau gosto, saltos em locais elevados, tudo isso causa afogamentos. Ter um comportamento adequado faz toda a diferença, evita desastres que na maioria das vezes são causados pelo humano”, disse a capitã dos Bombeiros Ana Paula Borges.

Entre as medidas relacionadas ao comportamento humano que podem evitar afogamentos estão a escolha de um local seguro e apropriado para nadar, de preferência que tenha guarda-vidas ou bombeiros, ficar próximo à margem, não fazer o uso de bebida alcoólica e respeitar as placas de advertência. “Se diz que é proibida a entrada na água, esse aviso deve ser respeitado. Estar sempre na companhia de outra pessoa também é importante. Em caso de afogamentos, [quem está de fora] nunca deve entrar na água para salvar a pessoa. O certo é lançar uma boia, uma corda, um galho ou outro objeto para que a pessoa flutue. Brincadeiras dentro da água também devem ser evitadas, como os famosos caldos e trotes”, reforçou Ana Paula.

No verão, a incidência de afogamentos costuma ser maior, já que as pessoas buscam locais para se refrescar. Quem opta por rios ou represas o cuidado deve ser redobrado, pois nem sempre são locais apropriados para banho. A capitã também faz um alerta aos pescadores, já que são frequentes os chamados de afogamento desse público. Segundo ela, muitos se afastam da margem, que é um risco, e por ficarem dias fora de casa acabam ingerindo bebida alcoólica, colocando em risco suas vidas.

CRIANÇAS

Em relação às crianças, Ana Paula reforça a responsabilidade dos pais ou responsáveis em nunca deixá-las sozinhas. Mesmo que os pequenos saibam nadar, é preciso usar boias. “Não se deve desgrudar os olhos das crianças, pois em segundos pode ocorrer algum contratempo e na maioria das vezes isso acontece quando não há supervisão. Em caso de embarcações, é obrigatório o uso de coletes para todos, adultos e crianças”, disse.

O advogado Rodrigo Macedo colocou o filho João Pedro em uma escola de natação quando ele tinha seis meses. Hoje, com quase seis anos, ele acompanha sua evolução e destaca a importância de praticar a atividade. “Envolve muitas questões, como saúde, esporte e sem dúvida a prevenção contra afogamentos. João Pedro tem uma autonomia maior, já tem noção de espaço, de atravessar uma borda a outra. Todo cuidado é pouco. Além dessas medidas os pais devem ficar o tempo todo de olho, pois tudo pode acontecer em um piscar de olhos”, disse.

NA PRÁTICA

O fato de não saber nadar é o ponto alto dos pais ao procurarem uma escola de natação para os filhos. Também estão entre as prioridades a questão da saúde, como ajuda no desenvolvimento motor, e a segurança, que são medidas preventivas que ajudam em situações que envolvem a água. Noção de espaço, de entrar e sair da piscina, ter controle corporal e saber chegar à borda de uma piscina são algumas medidas tratadas durante as aulas de natação na escola Golfinho de Ouro. De acordo com uma das donas, Egle Ribeiro da Luz, saber nadar é importante, mas a vigilância é primordial.

“Qualquer segundo de distração pode ser fatal. Uso de tecnologia e criança na piscina é uma mistura que não combina. Falamos sobre isso com os pais, entregamos panfletos com orientações sobre segurança, fazemos demonstrações de situações na água, inclusive com a presença dos bombeiros, há brincadeiras lúdicas, tudo isso no dia a dia das aulas e também em dois momentos durante o ano em que focamos nesses temas de prevenção e segurança aquática”.

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