30/10/2018 às 08h22min - Atualizada em 30/10/2018 às 08h22min

Trabalhador deve ter cautela com uso do 13º

CDL de Uberlândia diz que 13º gera circulo virtuoso para o comércio em geral

MARIELY DALMÔNICA
O ano está próximo do fim e a maioria dos trabalhadores celetistas já deve estar planejando como gastar o 13º salário. Apesar de não haver números específicos para Uberlândia, a previsão é que a gratificação injete R$ 211,2 bilhões na economia do País até dezembro deste ano, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Independentemente do valor a ser recebido, a recomendação de especialistas em finanças pessoais é que o trabalhador use parte do dinheiro para quitar dívidas ou despesas de começo de ano.

O 13º salário foi instituído no Brasil em 1962 e assegura que trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas do INSS recebam um salário extra no fim de cada ano. Dos cerca de 84,5 milhões de brasileiros que devem ser beneficiados pelo pagamento do 13º salário, quase 48,7 milhões, ou 57,6% do total, são trabalhadores no mercado formal.

Para o economista e professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Álvaro Fonseca, quem tem dívidas deve usar o 13º para quitá-las. “Tem duas coisas que você deve tentar evitar: ter dívidas de cheque especial e de cartão de crédito, já que os juros são altíssimos. O cartão de crédito só vale a pena se você pagar a fatura total ao fim do mês e não parcelar”, afirmou.

Segundo o professor, a dica é se planejar para começar 2019 com o orçamento equilibrado. “Usar o 13º para pagar contas é ruim, mas evita problemas no próximo ano. No início de 2019 tem reajuste de matrículas, impostos como IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] e contribuições sindicais. O trabalhador tem que pensar se o dinheiro vai chegar até lá, colocar tudo no papel”, disse.

Ainda de acordo com o economista, quem está livre de dívidas neste fim de ano pode separar um valor para usar nas festas e para investir em gastos pessoais.
 
MERCADO
Para Lécia Queiroz, superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia, a tendência é que a maioria dos consumidores utilize o 13º para fazer compras de fim de ano ou para pagar dívidas. “Ainda estamos fazendo uma pesquisa de quanto o consumidor pretende gastar neste ano, mas pela percepção geral, só um público pequeno faz um planejamento e acaba poupando o salário. O valor é mais utilizado para consumo, como itens para presentes e para reuniões familiares, ou em algumas viagens para aproveitar as férias de escola, principalmente”, afirmou.

De acordo com ela, o 13º salário gera um ciclo virtuoso ao comércio. “Esse dinheiro acabando voltando para o mercado. Ele ajuda a aquecer as vendas de Natal e também aumenta a arrecadação tributária”, disse.

O desenvolvedor de aplicativo Lucas Sousa tem o costume de reservar o 13º para pagar os impostos do carro e para comprar algum presente no Natal, mas neste ano vai fazer compras diferentes do que é acostumado. “Minha esposa está grávida de cinco meses, então vamos usar o 13º para comprar coisas para o bebê. Eu me planejo todo mês, lanço tudo em um aplicativo, também tenho controle das minhas despesas futuras, o 13º não vem para pagar contas”, afirmou.
 
 
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