18/10/2018 às 09h38min - Atualizada em 18/10/2018 às 09h38min

Genérico cai no gosto dos consumidores

CAROLINA PORTILHO
Débora Júnia diz que 90% dos consumidores da drogaria em que trabalha optam pelo genérico | Foto: Arquivo pessoal
Além do preço baixo, os consumidores também têm escolhido os medicamentos genéricos pela eficácia. A insegurança na hora de escolher entre genéricos e os de referência já tem diminuído bastante, pelo menos é o que aponta uma pesquisa da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), em parceria com a Unicamp e com o Instituto Axxus. Segundo o levantamento, 45% das pessoas disseram ter adquirido remédios predominantemente genéricos e outros 55% compraram os de marca.

A entrada de genéricos no mercado brasileiro resultou na queda de preço de medicamentos como um todo, por conta da concorrência, mas, ainda assim, optar por eles continua bem mais barato para o bolso do consumidor. Na drogaria que a farmacêutica Débora Júnia Bastos trabalha, no bairro Brasil, em Uberlândia, 90% dos consumidores optam pelo genérico. Ela diz que, há uns quatro anos, vem percebendo essa aceitação maior do público.

“Não há mais aquela desconfiança inicial de que o genérico não tem o mesmo efeito que o de referência, sempre indicado pelo médico. Além disso, proporciona uma economia significativa, principalmente para os pacientes que fazem uso contínuo de remédios. Optar pelo genérico não significa que a pessoa está indo contra o que o médico está receitando, pelo contrário. O genérico tem a mesma substância ativa, dosagem e forma farmacêutica que o de referência.”

Débora também reforça que a maioria dos medicamentos disponíveis na farmácia em que trabalha é genérico. “O mercado está mudado e as pessoas, quando têm conhecimento ou entendem que o genérico surte o mesmo efeito que o outro, levam sem receio algum. Para as farmácias é bom trabalhar com essa opção, pois os lucros são maiores. Enquanto os originais dão uma margem de lucro de 10%, os genéricos podem chegar a 10 vezes mais”, disse.

Após sofrer dois infartos e ter complicações em três stents, a aposentada Ivanilde Faria compra, todo mês, oito medicamentos, sendo quatro genéricos. Segundo ela, no início do tratamento chegou a comprar todos de referência, mas mudou para o genérico quando o farmacêutico garantiu os efeitos.

“Foram dois meses gastando mais, pois eu não tinha conhecimento sobre o genérico. Hoje, eu opto pelo mais barato, pois sei que a eficácia é a mesma. Então, pagar mais caro para quê?”, questionou a aposentada.

Ivanilde disse que gasta cerca de R$ 380 por mês com os oito medicamentos. Um deles chega a custar R$ 34 o genérico, enquanto o original sai a R$ 103. “A economia é grande, principalmente para quem faz uso constante, que é o meu caso. Meu bolso agradece. Não tenho mais preconceito algum e recomendo o uso, pois o efeito é o mesmo, tanto que estou viva”, afirmou a aposentada.
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