17/10/2018 às 07h43min - Atualizada em 17/10/2018 às 07h43min

Sede do antigo Fórum vai virar centro cultural

Convênio é assinado cedendo espaço ao município, que ficará responsável pela segurança e limpeza do local

CAROLINA PORTILHO
Prefeito Odelmo Leão esteve em BH para assinatura de convênio com Judiciário mineiro | Foto: TJMG/Divulgação
A discussão sobre a destinação do antigo prédio do Fórum Abelardo Penna, no Centro, foi tema tratado com exclusividade pelo Diário de Uberlândia no dia 22 de julho. Na ocasião, um grupo de arquitetos e outros profissionais de diversas áreas apontava que o melhor caminho para ocupação do espaço seria com atividades culturais. Ontem, a confirmação se concretizou com a assinatura do termo de cessão do espaço do Judiciário mineiro ao Município, sem ônus e válido por cinco anos, podendo ser prorrogado. O acordo foi firmado na sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte, com a presença do prefeito Odelmo Leão e do desembargador Nelson Missias de Morais, que também é presidente do TJMG.

A Prefeitura informou, por meio de release enviado à imprensa, que o local abrigará um centro cultural multiuso, integrando biblioteca, sala de ensaio, teatro de bolso, galeria de arte, além de área destinada à realização de eventos diversos. A reportagem questionou o Executivo quando essa transição ocorrerá, mas nenhum posicionamento foi dado. Outros questionamentos também não foram respondidos, como, por exemplo, se há necessidade de reforma ou adaptações no local e qual será o custo mensal para manter o local em funcionamento.

Com a indefinição de prazos e quais atividades de fato o espaço abrigará, a única certeza até o momento é que o judiciário local continuará usando um pavimento inteiro como centro de arquivo e documentações processuais. “A cessão é de parte do imóvel, pois vamos continuar usando o espaço para guardar esses documentos. Hoje, ocupamos um pavimento inteiro do antigo prédio, que significa quase a metade do imóvel, e praticamente todo o sétimo andar na sede nova. Essa parte que usamos do antigo prédio do Fórum sempre será do judiciário, pois não temos capacidade de trazer a totalidade para o prédio da avenida Rondon Pacheco. No futuro, a proposta é digitalizar todos os documentos e assim liberar os espaços usados hoje”, disse a juíza de Direito Titular da 2ª Vara de Família e Sucessões e Diretora do Foro da Comarca de Uberlândia, Maria Elisa Taglialegna.

Com a cessão, a Prefeitura ficará responsável pela limpeza e vigilância de todo o prédio, incluindo a parte que cabe ao Judiciário. Ainda de acordo com o material disparado pelo Executivo à imprensa, o imóvel, que fica na Praça Jacy de Assis, s/nº, se juntará a outros diversos espaços administrados pelo Município, como a Casa da Cultura, Oficina Cultural, Teatro e Museu Municipal.

“Graças à assinatura, Uberlândia passa a contar com mais um local dedicado à cultura, totalmente voltado à democratização das mais variadas manifestações artísticas. Representa, portanto, um ganho enorme não somente para a comunidade, mas também para a classe artística da região e para todos aqueles que trabalham no setor. Mais uma vez agradeço ao TJMG por entender que o antigo fórum é patrimônio para a cidade, presente na história do nosso povo e, agora, também da nossa cultura”, afirmou o prefeito Odelmo Leão.

O edifício foi projetado pelos arquitetos mineiros Roberto Pinto Manata e José Carlos Laender de Castro, na década de 70. “Pelo seu valor histórico e arquitetônico, pelo simbolismo que o edifício representa para a cidade e por sua localização privilegiada, era importante que fosse novamente apropriado pelos cidadãos para novos usos, de caráter cultural e de formação educacional, e que permitisse a manutenção de sua função pública. Trata-se de um marco arquitetônico, uma edificação com uma localização privilegiada. É uma alegria saber que será usado para atividades culturais e sociais e que poderá continuar abrigando um centro de arquivo e documentações processuais do Judiciário local”, ressaltou o presidente do TJMG, durante o ato de assinatura do convênio.

ESTUDO
Um grupo de arquitetos, com o envolvimento de outros profissionais de diversas áreas, fez um estudo técnico, estrutural e arquitetônico demonstrando a viabilidade da estrutura se tonar uma referência cultural na cidade. Esse estudo sobre a destinação do local começou a ser desenhado no segundo semestre de 2017 dentro da disciplina oferecida pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia (FAUeD/UFU).

Após o levantamento, o tema fez parte do 12° Seminário Docomomo Brasil, realizado em Uberlândia, que integra um fórum internacional que discute, entre diversos temas, a preservação da produção do Movimento Moderno na arquitetura e urbanismo. Paralelo ao estudo técnico, a comunidade foi ouvida e a maioria apontou que o prédio antigo do fórum poderia abrigar atividades como biblioteca, galeria de arte, curso de música, de dança, oficinas e até museu.

Poderia o Fórum ser um equipamento de cultura para a cidade e região? Foi com esse questionamento que o grupo desenvolveu o estudo partindo do princípio que o edifício deveria permanecer cumprindo sua atividade pública. Entre os embasamentos para constituir esse projeto foram levados em consideração diversos fatores, como valor simbólico do edifício, localização próxima ao Terminal Central, referência em manifestações políticas e culturais e pela versatilidade do espaço em poder abrigar diversas funções. Diante disso, surgiu a reflexão sobre a capacidade de acolher novos programas e novos usos no espaço.

“A Prefeitura tem conhecimento da proposta, que foi iniciada com o pedido de tombamento do edifício, pois acreditamos que um dos primeiros passos seria o reconhecimento dele como patrimônio histórico. A partir daí começamos a pensar no que o local poderia ser, e nem todos os usos são compatíveis para aquele espaço, mas para fins culturais sim, a arquitetura comporta bem desde um museu, passando por centro de mídias e cinema, por exemplo”, disse o arquiteto e integrante do grupo de pesquisa Ariel Lazarinn, na matéria publicada pelo Diário em julho, quando ainda a Prefeitura não havia confirmado que o local abrigaria um centro cultural.
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