16/10/2018 às 08h06min - Atualizada em 16/10/2018 às 08h06min

109 mil uberlandenses não votaram ou se abstiveram

MARIELY DALMÔNICA
Coordenador de Comunicação Social do TRE-MG diz que será feita campanha contra abstenção | Foto: Divulgação
Além de conquistar os eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno, os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) precisam, para conseguir se eleger, motivar parte do eleitor que se absteve na primeira fase do pleito. Em Uberlândia, por exemplo, 109.524 eleitores, de um total de 398 mil, votaram nulo, branco ou não compareceram às urnas no domingo (7). A realidade da cidade acompanha os dados estaduais e nacionais e demonstram, segundo estudiosos, o sentimento de falta de representação por parte do eleitorado.

Em Uberlândia, 10.372 eleitores (2,6%) votaram em branco, e 31.617 (7,93%), nulo, porcentagens parecidas com a do estado de Minas Gerais (3,13% branco e 6,92%, nulo) e ao Brasil (2,5% branco e 6,14% nulo). Já o índice de abstenção foi maior em Minas Gerais (22,2%) do que em Uberlândia, onde 67.535 eleitores (14,49%) se ausentaram no dia das eleições.

De acordo com o professor em filosofia jurídica, moral e política Roberto Bueno, muitos eleitores não se sentem representados e optam pelo voto nulo ou branco como uma forma de protesto. Segundo ele, no entanto, o eleitor precisa repensar essa posição e optar por um candidato que tenha o melhor histórico político e que respeite as instituições.

Para Roberto Bueno, quando se vota nulo, branco ou deixa de votar “a pessoa perde oportunidade de se posicionar, então, o cidadão opta por uma alternativa que o penaliza”. “O processo democrático é assim mesmo, nem sempre o nosso candidato vence, mas temos que saber que a democracia funciona assim, temos que votar naquele que garante os direitos básicos”, afirmou o professor.

Ainda segundo Roberto, é muito importante que os eleitores pensem no segundo turno para Presidente da República. “O eleitor não pode se sentir desestimulado por não ver o candidato que admira. Ele deve optar por aquele candidato mais compromissado, quem ele acha que possa oferecer ao país os menores riscos, que tenha um histórico de respeito à constituição e que tenha compromisso com os direitos dos trabalhadores. Aquele eleitor que não sente aprovação de nenhum dos dois, que ao menos vá às urnas.”
 
CAMPANHA
 Antes do primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) realizou uma campanha falando sobre a importância do voto, mas mesmo assim o número de abstenções, nulos e brancos foi alto no estado. “A gente teve uma abstenção 2% mais alta que 2014. Ainda estamos fazendo o planejamento para uma nova campanha, mas uma campanha feita pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais já está no ar”, disse Rogério Tavares, coordenador de Comunicação Social do TRE.

Quem não compareceu às urnas no domingo tem até 60 dias para apresentar uma justificativa, que pode ser feita no cartório eleitoral ou pela internet, por meio do Sistema Justifica. “[A pessoa] Tem que anexar um documento comprovando a razão da ausência dela, um atestado médico ou um atestado da empresa, isso acontece muito na área de saúde”, disse Rogério. Quem não justificar no prazo estipulado deve pagar uma multa no valor de R$ 3,50 por turno de eleição.
 
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