11/10/2018 às 07h47min - Atualizada em 11/10/2018 às 07h47min

Campanha na cidade custou R$ 6,4 milhões

Candidatos com domicílio eleitoral em Uberlândia investiram metade do arrecadado na campanha

WALACE TORRES
Votação no campus Santa Mônica no domingo | Foto: Celso Ribeiro/Divulgação
Os candidatos a deputado com domicílio eleitoral em Uberlândia gastaram um total de R$ 6,4 milhões durante a campanha deste ano. Segundo levantamento feito pelo Diário de Uberlândia com base na prestação de contas parcial apresentada pelos candidatos à Justiça Eleitoral, o montante investido na estrutura para conquistar a preferência do eleitorado foi quase a metade do total arrecadado pelos pleiteantes da cidade a um cargo nos legislativos estadual e federal. Ao todo, foram R$ 12,4 milhões doados às campanhas dos 73 candidatos com domicílio eleitoral em Uberlândia – considerando apenas os que tinham o registro de candidatura deferido e, portanto, estavam aptos a receber votos.
 
A soma dos resultados obtidos por cada um dos 73 candidatos chega 830.045 votos. Considerando o total gasto nas campanhas, o valor médio de cada voto dado a esses concorrentes foi de R$ 7,73.
 
A campanha mais cara foi da candidata a deputada federal Ana Paula (PP), que declarou ter investido R$ 1,59 milhão dos R$ 2,48 milhões recebidos durante a campanha. A segunda mais polpuda foi do deputado federal Tenente Lúcio (PR), que tentou a reeleição e aplicou pouco mais de R$ 1 milhão do total de R$ 1,9 milhão arrecadado. A terceira maior aplicação de recursos foi do deputado estadual reeleito Leonídio Bouças (MDB), que gastou R$ 529 mil de um total de R$ 790 mil recebidos.
 
Considerando o cálculo dos valores investidos na campanha com os votos recebidos nas urnas, a candidata a deputada estadual Cibelle Rodovalho (PRP) foi a que teve o custo médio mais elevado. Ela investiu cerca de R$ 291 mil na campanha de rua e alcançou 5.072 votos, média de R$ 57,49 por voto. Do total de votos recebidos nas urnas, 3.544 foram somente em Uberlândia.
“Minha campanha foi muito prejudicada, as pessoas não me conheciam e quando fui pra rua tive muito problema com material apreendido”, conta Cibelle, frisando que a decisão do juiz eleitoral isentando-a de multa eleitoral e liberando seu material de campanha foi dada tarde demais. Segundo a candidata, que chegou a ir a Brasília para conseguir parte da cota do fundo partidário destinada às candidaturas femininas, houve uma “guerra interna” entre candidatos nas ruas. “O jogo é muito sujo. Em Uberlândia é complicado fazer campanha sendo mulher e não sendo dos grupos fechados”, disse.
 
A segunda média custo/voto mais alta na cidade foi do candidato a deputado federal Alexandre Andrade (PSB) – R$ 31,61. Ele gastou pouco mais de R$ 518 mil e obteve 16.414 votos, dos quais 8.007 foram dentro de Uberlândia. A terceira maior média foi da candidata a deputada estadual Joyce Reis (PRP), com R$ 25,99. Ela investiu aproximadamente R$ 12,5 mil e obteve 481 votos.
 
SEM CUSTO 
Segundo informações disponibilizadas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo menos 21 dos 73 candidatos com domicílio eleitoral em Uberlândia não gastaram nenhum centavo na campanha. Ou seja, na prestação parcial de contas, que deveria ter sido apresentada até 13 de setembro, declararam custo zero na campanha.
 
Outros 12 candidatos sequer apresentaram a prestação de contas parcial dentro do prazo. O prazo final para declarar gastos de campanha vai até 6 de novembro. No entanto, quem perdeu o primeiro prazo e não apresentou a declaração, ou quem chegou a ter algum gasto na campanha até à época e declarou zero de custo, corre o risco de ter as contas rejeitadas pela Justiça Eleitoral. Independente se houve ou não custo durante a campanha, o candidato é obrigado a entregar as duas prestações de contas – parcial e final.
 
A rejeição das contas propriamente não é condição de inelegibilidade numa próxima eleição, mas pode motivar uma ação por parte do Ministério Público Eleitoral. Em se constatando alguma irregularidade nos gastos é que o futuro candidato poderá ter problemas para obter a condição de elegibilidade – ou até mesmo a perda do diploma do eleito caso a prestação apresentada aponte ilícitos.
 
GASTOS DE CAMPANHA

DEPUTADO FEDERAL
Candidato R$ recebido R$ gasto R$ médio/voto
​Adriano Zago (MDB) 67.386,83 45.219,43 1,79
Alan Bernardes (Rede) 0 0 0
Alexandre Andrade (PSB)  930.000,00  518.962,05 31,61
Ana Paula (PP) 2.484.006,58 1.597.137,30  25,42
Carla (PRTB) 0 0 0
Clara Transparente (PSC) 0 0 0
Daniel Tinoco (Novo) 0 0 0
Dalva de Oliveira (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Deolindo Menck (PSL)  6.670,00  2.545,35  0,97
Drika Ribeiro (PSC)  52.000,00   23.407,63      3,97
Eduardo Elias (Rede)  1.400,00 1.400,00  2,24
Felipe Attiê (PTB)   1.285.166,26  237.155,99 7,87
Geila Miranda (PSDB) 5.000,00   3.855,68 3,23
Gilmar Machado (PT)  476.100,00  423.618,25 9,87
João Federal (Pros)  0 0 0
Jorgetânia Ferreira (Psol)   49.260,48  17.140,58 1,59
Michele  Bretas (Avante) 354.725,68 329.383,60 17,72
Nathalya Thais (PDT) 11.416,66 0 0
Osair Pé de Ferro (PRTB) 1.550,70  1.550,70  1,98
Pedro O Cabo Franco (PCB) 2.000,00 928,00 4,01
Prof. Edilson (PCdoB) 17.890,00 13.795,30 7,59
Roger Dantas (Patri) 250.500,00 79.886,25 8,91
Tenente Lúcio (PR) 1.985.953,00 1.011.699,28 19,62
Thiago Fernandes (PRP) 152.470,00 77.462,50 9,40
Vigilante Clayton Cesar (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Wanderson Ferreira (PRTB) 1.730,00  1.650,90 0,58
Weliton Prado (Pros) 1.140.000,00 376.133,90 2,91
Zilda Dias (PRTB) Não entregou prestação de contas    


DEPUTADO ESTADUAL
Candidato R$ recebido R$ gasto R$ médio/voto
Alcides Ribeiro (Novo) 23.449,16 18.302,40 0,95
Anderson Malabarista (Psol) 0 0 0
Antônio Beija-Flor (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Arnaldo Silva (DEM) 383.977,50  327.715,85  6,86
Arsênio Berbert (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Cibelle Rodovalho (PRP) 587.500,00 291.611,58 57,49
Divina Guerreira (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Delegado Dr. Helder (SD) 85.050,00 77.413,16 3,44
Dr. Igino (PT) 32.042,72 552,28 0,06
Eliane Silva (PRTB)  Não entregou prestação de contas    
Elismar Prado (Pros)  124.206,63 68.780,00 1,27
Elton Prates (PRTB)  Não entregou prestação de contas    
Fábio Zavitoski (PDT) 10.000,00 0 0
Ferreirinha do Moto Táxi (Pros) 2.341,25 0 0
Gerônimo (Psol) 0 0 0
João Rocha (Psol) 0 0 0
Josiane do Espírito Santo (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Joyce Reis (PRP) 30.300,00  12.501,70 25,99
Jura do Social (Pros) Não entregou prestação de contas    
Keké Lúcio (PSB) 0 0 0
Leandro Neves (PSD)  40.861,00 13.402,30 1,29
Leonídio Bouças (MDB) 790.000,00 529.219,34 10,06
Lívia Flávia (MDB) 86.416,66 0 0
Lorran Dubem (PMN) 0 0 0
Luiz Humberto Carneiro (PSDB) 252.500,00  153.664,03 3,05
Maisa Barros (PSC) 100.000,00   0 0
Marcos Carvalho (Patri) 0 0 0
Mel Monteiro (PP)  230.000,00  8.518,00  5,08
Nanci Alves (Rede) Não entregou prestação de contas    
Paulo César (SD) 67.104,47  38.802,98  3,28
Pérola Brasil (PSL)   4.500,00 5.357,50 2,99
Professora Cecília Abrahão (PCdoB) 18.261,60 6.258,00  5,10
Prof. Claudiney (PRP) 0 0 0
Prof. Neivaldo (PT) 101.279,80 13.293,09 0,57
Prof. Ronan (PSB) 0 0 0
Silésio Miranda (PT) 42.350,00   41.783,60 1,90
Tenente Gomes (PMB) 0 0 0
Tenente Leonardo (PSL) 2.000,00 1.400,00 0,15
Valdivino Rita - Vininho (PSB) 0 0 0
Vanuza Araújo (PRTB) Não entregou prestação de contas    
Wender Marques (PSB) 89.657,30 27.389,50 1,88
William Alvorada (PRP) 17.112,61 7.172,41 1,14
Wilma Rocha (PRTB) 0 0 0
Wilson Girafa (Pros) 1.703,75 0 0
Zezinho Mendonça (Pros) 12.505,00 1.000,00 0,14

TOTAL   12.435.277,80             6.420.166,36                   7,73
 
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