09/10/2018 às 08h10min - Atualizada em 09/10/2018 às 08h10min

Uma casa com mais com mais letras

Composição do Senado salta de 15 para 21 partidos em 2019; PT sofreu o maior revés

AGÊNCIA SENADO
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
As eleições mudam a correlação de forças no Senado, composto por 81 parlamentares. O MDB continua com a maior bancada da Casa. Mas o partido que iniciou a sessão legislativa em fevereiro de 2015 com 19 representantes (23,45% do total) deve começar 2019 com apenas 12 senadores (14,81%). Em seguida, aparecem PSDB, com 8 senadores (9,87%); PSD, com 7 senadores (8,64%); DEM, com 6 senadores (7,40%); e PT, com 6 parlamentares (7,40%). Das cinco maiores bancadas que devem começar a sessão legislativa de 2019, três perderam parlamentares em relação a 2015. O PT sofreu o maior revés: uma queda de 13 para 6 senadores (-53,84%), seguido do MDB (-36,84%) e do PSDB, que passou de 11 para 8 representantes. O DEM cresceu de 5 para 6 senadores (um aumento de 20%), enquanto a representação do PSD saltou de 4 para 7 (+75%).

O resultado das urnas aponta para uma pulverização de partidos. A Casa começa a próxima sessão legislativa com 21 legendas. Em 2015, eram 15. A novidade fica por conta de Podemos, Rede, PSL, PHS, Pros, PRP, PTC e Solidariedade, que não tinham parlamentares no início de 2015. Atualmente a Rede já contava com um senador, Randolfe Rodrigues (AP), que havia ingressado no partido, foi reeleito e agora será acompanhado por mais quatro correligionários. PCdoB e o Psol ficam sem representantes.

Os brasileiros elegeram 54 senadores neste domingo, dois terços da Casa. Mas outro fator contribuiu para a mudança na composição do Senado: as eleições estaduais. O senador Ronaldo Caiado (DEM) foi eleito governador de Goiás em primeiro turno e deixa como suplente o empresário Luiz Carlos do Carmo (MDB). O senador Gladson Cameli (PP), eleito governador do Acre, tem como suplente a dona de casa Mailza Gomes (PSDB). Dos senadores com mandato até 2023, dois disputam o segundo turno para governos estaduais no dia 28 de outubro. Antonio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, tem como suplente o ex-deputado federal Alexandre Silveira (PSD), o que pode provocar mais uma baixa na bancada do PSDB e nova mudança na composição do Senado. Fátima Bezerra (PT), do Rio Grande do Norte, tem como suplente o advogado Jean-Paul Prates (PT).

Outros dois senadores que estavam em campanha nacional retornam à Casa para mais quatro anos de mandato. O senador Alvaro Dias (Podemos-PR) obteve 0,80% dos votos para a Presidência da República, enquanto a chapa da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), vice do candidato Ciro Gomes (PDT), ficou com 12,47% dos votos. A senadora Ana Amélia (PP-RS), que ocupava a vaga de vice na chapa de Geraldo Alckmin (4,76% dos votos), está no último ano de mandato na Casa.
Confira a seguir a composição do Senado em 1º de fevereiro de 2015 e uma previsão (ainda sujeita a alterações) de como será a distribuição dos partidos a partir de 2019.
 
Senado em 1º de fevereiro de 2015 Previsão para 1º de fevereiro de 2019
PMDB – 19 (23,45%) MDB – 12 (14,81%)
PT – 13 (16,04%) PSDB – 8 (9,87%)
PSDB – 11 (13,58%) PSD – 7 (8,64%)
PDT – 6 (7,40%) DEM – 6 (7,40%)
PSB – 6 (7,40%) PT – 6 (7,40%)
PP – 5 (7,40%) PP – 6 (7,40%)
DEM – 5 (6,17%) Podemos - 5 (6,17%)
PR – 4 (4,93%) Rede – 5 (6,17%)
PSD – 4 (4,93%) PDT – 4 (4,93%)
PTB – 3 (3,70%) PSL – 4 (4,93%)
PCdoB – 1 (1,23%) PTB – 3 (3,70%)
PSC – 1 (1,23%) PHS – 2 (2,46%)
PRB – 1 (1,23%) PPS – 2 (2,46%)
Psol – 1 (1,23%) PR – 2 (2,46%)
PPS – 1 (1,23%) PSB – 2 (2,46%)
  PRB – 1 (1,23%)
  Pros – 1 (1,23%)
  PRP – 1 (1,23%)
  PSC – 1 (1,23%)
  PTC – 1 (1,23%)
  Solidariedade – 1 (1,23%)
  Sem Partido – 1 (1,23%)

 
RENOVAÇÃO
Das 54 vagas neste ano, 46
serão ocupadas por novos nomes



Leila do Vôlei foi eleita ao Senado pelo DF | Foto: Stefany Sales/Divulgação

De cada quatro senadores que tentaram a reeleição em 2018, três não conseguiram. Essa estatística marca a eleição mais surpreendente da história recente do Senado Federal. Desde a redemocratização do país, não houve um pleito que trouxesse tantas caras novas para o tapete azul do Senado. No total, das 54 vagas em disputa neste ano, 46 serão ocupadas por novos nomes — renovação de mais de 85%. Além das trocas de senadores decorrentes das eleições parlamentares, as disputas pelos governos estaduais também movimentam as cadeiras, devido à participação de senadores que estão na metade do mandato. Duas trocas já estão garantidas e duas ainda podem ser acontecer no segundo turno. Ao todo, o Senado pode ter 50 novos nomes em 2019, o que representaria uma mudança inédita de mais de 61% da Casa.

A eleição de 2018 colocou em disputa dois terços das vagas do Senado, ou duas das três de cada estado. Nela foi registrado o maior número de candidaturas à reeleição que já se viu: foram 32, ou quase 60% dos senadores cujo mandato chega ao fim no próximo mês de fevereiro. Apenas quatro estados não lançaram nenhum senador à reeleição, e nove lançaram os dois. O sucesso veio para poucos, já que apenas um quarto conseguiu. É a menor taxa de reeleição anotada nas cinco eleições pós-redemocratização que colocaram em disputa dois terços das vagas do Senado. Dos nove estados com dois senadores na disputa, nenhum viu ambos retornarem. Em cinco casos, nenhum dos dois senadores conseguiu se reeleger.

Além dos 22 senadores que preferiram não buscar a reeleição e dos 24 que não a conseguiram, a renovação do Senado se completa com dois que estão na metade do mandato e conquistaram a eleição para os governos dos seus estados já no primeiro turno — casos de Gladson Cameli (PP-AC) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) já no primeiro turno. Eles deixarão a vaga para seus suplentes. Com isso, já estão confirmadas 48 trocas de guarda no Plenário a partir de 2019. O número é menor apenas do que no ano de 1994, quando a renovação foi turbinada pela grande quantidade de senadores que preferiu não concorrer à reeleição — apenas 20 de 54 o fizeram. O caso de 2018, portanto, é mais significativo porque a alta rotatividade foi atingida mesmo com muitos senadores vigentes na disputa eleitoral.

A bancada feminina no Senado deverá diminuir a partir de 2019. Atualmente são 13 senadoras, mas apenas quatro ainda terão mandato a partir do ano que vem. Sete candidatas foram eleitas, levando o total de representantes das mulheres a onze. Caso Fátima Bezerra não se eleja governadora do Rio Grande do Norte, ela permanecerá como a 12ª.
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