08/10/2018 às 18h27min - Atualizada em 08/10/2018 às 18h27min

Odelmo vai de Bolsonaro e pode apoiar Zema

Prefeito disse que apoio a candidato de Araxá é uma tendência por ser alguém da região, mas ainda irá avaliar o cenário

WALACE TORRES
Foto: Valter de Paula/Secom/PMU
O prefeito Odelmo Leão irá apoiar o candidato Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno das eleições para presidente e, dependendo da conversa com os partidos aliados, poderá também dar seu apoio ao candidato Romeu Zema (Novo) para o Governo do Estado. Pelo menos, nesse último caso é uma tendência, pelo fato de Zema ser da região (Araxá).

Em entrevista ao Diário de Uberlândia, ele disse ainda que, como prefeito, não poderia evitar que um grande número de candidatos saísse na disputa. No entanto, ele afirma que chegou a aconselhar alguns correligionários, mas não foi ouvido.

Diário – Como o senhor avalia o resultado das urnas?

Odelmo Leão - Primeiro, quero cumprimentar o povo de Uberlândia que democraticamente compareceu às urnas e exerceu o seu papel cívico. Acho que as eleições transcorreram de forma normal. Pelas minhas contas, tivemos 238 mil votos para deputado aqui em Uberlândia e nós temos 470 mil eleitores. Então caiu muito a votação, isso é normal. Os deputados daqui foram eleitos com votos de Uberlândia, mas precisaram também de votos de outras cidades. 

Aliás, boa parte deles teve mais votos fora daqui.

Por isso mesmo que estou falando que caiu muito. É um fato que temos que perceber para as próximas eleições, é um recado do povo para a classe política. Uberlândia conquistou as representações que foram possíveis. Eu tenho informações de que Uberaba só elegeu um federal. Então esse fenômeno não aconteceu só aqui, mas em Minas Gerais como um todo. Na reta final, o candidato [Romeu] Zema surpreendeu todo mundo, inclusive as pesquisas, e chegou numa condição de disputar no segundo turno em Minas. É o povo se manifestando. E nós temos que aceitar a manifestação do povo de uma forma democrática, respeitosa. Temos que continuar trabalhando para administrar a cidade, essa crise financeira que é do conhecimento total da população e estamos lutando para nos manter.

O grande número de candidatos de Uberlândia contribuiu para baixar a votação na cidade e reduzir as chances de eleger mais representantes?

Na democracia todos têm o direito. Não é por eu ser o prefeito que vou impedir alguém de ser candidato. Não tem como. Se é o desejo da pessoa, um direito dela, não tenho como selecionar candidatos. Todos aqueles que quiseram concorrer democraticamente, tinham o direito de concorrer e concorreram. Isso é da democracia. Como o prefeito vai impedir e falar “aqui em Uberlândia são esses os candidatos”. Eu não tenho esse poder pra isso.

Mas o senhor enquanto liderança do Município, não poderia organizar esse processo? Parte dos vereadores atribui ao senhor parte da responsabilidade pelo resultado das urnas, devido à sua liderança.

Volto a repetir, eu não tenho esse poder de impedir candidaturas. Aqueles que eu pude conversar, o conselho foi dado, mas não foi ouvido. Por exemplo, o Alexandre [Nogueira], presidente da Câmara, era candidato, no final ele recuou. Então o meu poder é limitado.

Foi a partir de uma orientação do senhor que ele recuou?

Ele conversa muito comigo. Então, eu tenho que conversar com aqueles que me dão oportunidade de conversar. Agora, a classe política tem que ter o entendimento de qual foi o recado das urnas. Olha a mudança no Legislativo, em 2020 nós temos eleições aí. Será que não é um recado?...Nós temos uma baixa representatividade como os outros também tiveram. Não foi um privilégio de Uberlândia. Vários deputados de renome que não foram reeleitos. Essa foi a voz das ruas, mudança, renovação. Tem que entender isso. Tanto é que o Bolsonaro fez uma bancada de 50 deputados. Quem poderia imaginar isso? Inclusive elegeu senadores. A representatividade dos grandes partidos na Câmara e no Senado reduziu. Distribuiu mais as forças políticas no Congresso Nacional.

Agora, a partir do próximo ano teremos só com um deputado federal, fica mais difícil conseguir recursos em Brasília?

O Weliton Prado sempre trabalhou aqui e ajudou Uberlândia. Vamos buscar outras alternativas, no partido tenho muitos amigos, vou fazer relacionamentos para saber como posso ajudar Uberlândia. Agora, aqueles que não tiveram sucesso devem ter a humildade de examinar por que perderam. Não é dizer “na minha derrota eu acho o culpado”. Não tem isso. Cada um deve ter a humildade de examinar onde errou. 

Como o senhor avalia o cenário no próximo ano com o Congresso eleito no último domingo?

Acho que vai ser um cenário mais propenso a fazer as reformas que o Brasil precisa. Mesmo porque eles receberam o recado das urnas. Não dá mais para adiar, temos que buscar caminhos para fazer a reforma fiscal e tributária, um novo pacto federativo, as questões da previdência. Isso tudo são questões que terão que ser enfrentadas. A responsabilidade cabe agora a esse novo Congresso eleito, de dar uma resposta ao povo.

Como fica o prefeito Odelmo no segundo turno no estado e na eleição nacional?

Nós temos um candidato que é do Triângulo Mineiro. Temos que examinar isso. Eu vou conversar com meus correligionários, meu partido para ver qual posição será tomada. 

Não é certo então que o senhor irá apoiar o candidato Anastasia, como ocorreu em outras eleições?

Tenho que ouvir os partidos. Por exemplo, a Ana Paula saiu candidata a vice-governadora. Ela não pediu para ser vice, mas foi a bancada federal do meu partido que veio na minha casa e fez o convite a ela, e me disse à época que não apoiaria nem o PSDB e nem o PT. Como eu sou fundador do partido – e ela também (o PP) – nós sempre construímos nossa vida política junto com o partido. 

Mas na recomposição das candidaturas, o partido acabou fazendo aliança com o PSDB.

Lógico, uma decisão majoritária, fizeram a composição. Tanto é que o Rodrigo Pacheco retirou a sua candidatura [a governador]. A convenção foi 5 de agosto e no dia 6 me ligaram aqui e pediram para ir às pressas a Brasília que ele (Pacheco) receberia a visita do Alckmin, do Rodrigo Maia, do ACM Neto para uma conversa em Belo Horizonte. Aí eu disse, “mas não foi feita a convenção?”. Então eu me desloquei até lá e disse: “a Ana Paula nunca será impedimento para uma decisão sua, até porque ela nunca pediu para ser vice. Quando vocês a convidaram e queriam anunciá-la eu não deixei e pedi um prazo para examinar”. Esse prazo foi dado, ouvi pessoas, me aconselhei. Depois de 15 dias, eles – o Democratas – vieram aqui e fizeram um evento para a apresentação do Rodrigo. E foi nesse evento que todos os deputados que estavam com essa coligação fizeram um apelo para ela aceitar. Foi isso que aconteceu. E no dia 6 de agosto houve o fato de ele desistir. Dé lá mesmo [da convenção] eu liguei para a Ana Paula e ela me disse: “eu não sou mulher de desistir. Eu mantenho a minha candidatura a deputada federal”. Aliás, ela sempre foi candidata a deputada federal. E foi para uma campanha curta, de quatro semanas com 80% da população não conhecendo ela, e ainda assim conseguiu ser a majoritária de Uberlândia. Foi isso que aconteceu.

Houve um certo ressentimento de algumas pessoas de seu grupo pelo fato de não terem recebido o seu apoio na campanha. Foi o caso do Felipe Attiê e do Luiz Humberto. 

Quando o Rodrigo deixou de ser candidato, já haviam feito a composição aqui em Uberlândia o Luiz Humberto e o Felipe. Agora, minha mulher querendo participar, uma pessoa que 30 anos da minha vida está ao meu lado, me ajudou a fazer tudo e disse que “Uberlândia precisa de uma pessoa lá em Brasília para brigar pela cidade e eu vou”. Eu vou apoiar quem? Eu acredito muito no potencial dela, ela foi guerreira.

Acha que é possível ela sair da suplência e assumir a vaga?

Não, eu não penso nisso. Ela está terminando a campanha e eu pedi pra ela voltar pra cá pra me ajudar. Ela vai voltar para a Secretaria de Governo. Vai voltar e nós vamos tocar a nossa vida. Temos compromisso com Uberlândia e vamos cumprir.

O fato da Ana Paula ter saído com uma votação expressiva, é uma nova liderança que surge, até mesmo para uma eleição municipal vindoura?

Não, não. Está muito cedo para uma eleição municipal. Eu só acho que o recado foi dado nas urnas. Todos nós políticos devemos olhar esse recado. Agora é concentrar aqui na Prefeitura. Não sei com a derrota do atual governador, qual vai ser o comportamento dele, dos repasses, não sei o que vai acontecer. 

Pode haver alguma recomposição no governo municipal em função do resultado das urnas? Algum vereador ou deputado não reeleito?

Não, temos que continuar o governo conforme fizemos o compromisso. Indicação sou eu que faço. Não penso nisso. Acho que o recado foi dado. E o Bolsonaro que lidera as pesquisas no Brasil foi muito claro: “meu governo eu vou constituí-lo”. 

O senhor vai de Bolsonaro no segundo turno? Porque do outro lado está o PT, que o senhor não apoia.

Lógico. Em outubro do ano passado ele (Bolsonaro) esteve aqui, me fez uma visita. Ele é meu amigo pessoal, eu liderei ele de 1995 a 2002 na Câmara. Foi meu colega lá (de bancada).

E para o Estado o senhor vai avaliar o cenário. Mas há uma tendência a apoiar o candidato do Triângulo?

Temos que olhar, porque o povo também deu o recado. O político tem que aprender uma coisa na vida: ouvir o povo. Não é pensar só naquilo que ele acha.

Mas o Zema é uma tendência?

É uma tendência, vamos ver como caminham as coisas. Até porque estamos vendo o recado que está chegando aos maiores partidos, PT, PSDB, MDB. Os recados estão sendo dados e um bom entendedor tem que entender o que está na vírgula.
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