25/09/2018 às 08h31min - Atualizada em 25/09/2018 às 08h31min

Modric e Marta são eleitos os melhores do mundo

Croata do Real Madrid enfim quebra o domínio entre Messi e Ronaldo; brasileira é eleita a melhor do mundo pela 6ª vez

FOLHAPRESS
Croata e brasileira comemoram a premiação | Foto: Getty Images
O croata Luka Modric, 33, quebrou o duopólio de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no prêmio de melhor do mundo da Fifa. Modric, que já havia sido escolhido o melhor da última Copa do Mundo, na Rússia, derrotou o português e o egípcio Mohamed Salah, os outros dois finalistas. Desde 2008, os vencedores do prêmio foram sempre Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi. Cada um ganhou cinco vezes, e o português havia sido o eleito nas duas últimas temporadas. Nova vitória faria o atacante da Juventus igualar o número de troféus de Marta, premiada minutos antes. Esta foi a primeira vez, desde 2006, que um jogador que não é atacante ou meia-atacante foi escolhido como melhor do mundo. Naquele ano, o zagueiro italiano Fabio Cannavaro ganhou. Esta também foi a primeira vez que um croata ficou com o troféu.

Além de ter vencido a Champions League com o Real Madrid, Modric foi eleito pela campanha no Mundial, quando foi o principal nome da Croácia, que surpreendeu e chegou à final, sendo derrotada pela França por 4 a 2. Cristiano Ronaldo, ex-companheiro de Modric no Real Madrid, não compareceu à festa da Fifa. O motivo da ausência não foi confirmado, mas dessa forma ele repetiu o que fez o finalista do ano passado Lionel Messi. Pela primeira vez desde 2006, o argentino não entrou na lista de finalistas para o prêmio, resultado que pode ser atribuído à derrota do Barcelona nas quartas de final da última Champions League e à campanha ruim da Argentina na Copa do Mundo.

A seleção foi eliminada nas oitavas de final. O atacante fez apenas um gol no torneio e teve atuações apagadas. Salah levou como consolação o Prêmio Puskas de gol mais bonito da temporada, marcado contra o Everton, pelo Campeonato Inglês. Ele superou gols de bicicleta marcados por Cristiano Ronaldo e Gareth Bale e a finalização de Messi contra a Nigéria, no Mundial. O futebol brasileiro participava com o gol do uruguaio De Arrascaeta, jogando pelo Cruzeiro. Se a escolha de Salah foi surpreendente, o mesmo não pode ser dito da premiação de melhor técnico do ano. Didier Deschamps, campeão do mundo com a França, foi o escolhido e recebeu o troféu das mãos de outro francês: Arséne Wenger, que foi treinador do Arsenal (ING) durante 22 anos e deixou o clube ao fim da última temporada.

O goleiro belga Thibaut Courtois foi escolhido o melhor do ano na sua posição também pelas atuações da seleção belga no torneio na Rússia. Em seguida, ele trocou o Chelsea pelo Real Madrid. O brasileiro Jackson Follmann, sobrevivente do acidente aéreo da Chapecoense, anunciou o nome de Courtois, ao lado do ex-goleiro holandês Edwin van der Sar. O prêmio de melhor técnico de futebol feminino foi entregue para o francês Reynald Pedros, do Lyon (FRA). A Fifa também anunciou na cerimônia o Fifa Pro de 2018, que seria a seleção do ano para a entidade, o que mostrou algumas inconsistências. Finalista na premiação de melhor do ano, Salah não entrou na equipe dos 11 ideais. Courtois foi o principal goleiro da temporada, mas, no Fifa Pro, o escolhido foi o espanhol David De Gea. A escalação escolhida, com dois laterais brasileiros, foi: De Gea; Daniel Alves, Varane, Sergio Ramos, Marcelo; Modric, Kanté, Hazard; Messi, Mbappé e Cristiano Ronaldo.

MARTA

A brasileira Marta, 32, conquistou nesta segunda-feira (24) o prêmio de melhor jogadora de futebol do mundo pela Fifa, em evento realizado em Londres. 
Esse é o sexto prêmio da atleta, que havia faturado a condecoração de forma consecutiva de 2006 a 2010. "Eu realmente estou sem palavras, pois é um momento fantástico. As pessoas falam: você já foi [vencedora] tantas vezes e se emociona sempre. Sim, faço isso porque representa muito para mim", afirmou Marta, emocionada, durante o seu discurso após ter recebido o prêmio.

Marta é também a primeira estrela do futebol mundial a conquistar seis vezes a honraria da Fifa. Entre os homens, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo estão empatados, com cinco troféus cada um. No futebol feminino, a vantagem da brasileira é ainda maior: a alemã Birgit Prinz, já aposentada, é a segunda jogadora que mais vezes foi eleita, com três prêmios. Nesta edição, que marcou sua 12ª participação entre as três melhores do mundo, a camisa 10 da seleção brasileira superou a norueguesa Ada Hegerberg, 23, e a alemã Dzsenifer Marozsan, 26. Ambas foram campeãs da liga francesa e da Champions League feminina com o Lyon (FRA), uma das maiores potências internacionais. Hegerberg, inclusive, foi a artilheira do torneio continental. Segundo dados da votação divulgados pela Fifa, Marta teve 14,73% do total de votos.

A temporada que levou a brasileira à condição de melhor atleta do mundo novamente teve ela como capitã e protagonista do título da seleção na Copa América, realizada em abril deste ano. Além disso, Marta foi importante na classificação do Orlando Pride aos playoffs da liga americana na temporada 2017/2018. Em sua temporada de estreia nos Estados Unidos, ela marcou 13 gols, deu seis assistências e ficou em segundo lugar na votação de MVP (jogadora mais valiosa). De acordo com a Fifa, Marta foi determinante para uma "longa arrancada naquela que é, possivelmente, a liga feminina mais desafiadora do mundo do futebol." Contando com a temporada 2018 pelo clube, a meia-atacante já tem 17 gols e dez assistências com a camisa do Orlando Pride.

"Pode ter certeza que há espaço em casa para tudo que já ganhei desde a primeira medalha que ganhei no colégio. Tem um lugar especial para esse também", completou. Desde a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, quando perdeu na disputa da medalha de bronze e não foi ao pódio, a seleção feminina de futebol passa por momento delicado. Após a saída de Oswaldo Alvarez, o Vadão, do comando em novembro de 2016, a CBF contratou Emily Lima. A treinadora, porém, não durou muito no cargo. Com apenas 10 meses de trabalho, ela foi demitida após a decepcionante campanha do Brasil no Torneio das Nações, na qual a equipe empatou com o Japão e perdeu para Estados Unidos e Austrália -este último com goleada por 6 a 1.

Para o lugar de Emily, a CBF voltou a chamar Vadão. Neste ano, a equipe conquistou a Copa América feminina, que garantiu vaga no Mundial de 2019, na França, e na Olimpíada de 2020, no Japão. O torneio, contudo, tem nível técnico bastante inferior ao de outras competições. Na Liga das Nações desta temporada, o Brasil somou duas derrotas, contra Estados Unidos e Austrália, e apenas uma vitória, diante do Japão. A escolha de Marta no futebol feminino contrasta com a ausência de brasileiros entre os finalistas do masculino. Um jogador do país não é escolhido desde Kaká, em 2007.
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