19/09/2018 às 07h49min - Atualizada em 19/09/2018 às 07h49min

Inadimplência cai em 14,6% em Uberlândia

Dados são de agosto em comparação com julho; dívida é maior entre os homens

CAROLINA PORTILHO
Foto: Pexels/Divulgação
A quantidade de consumidores em Uberlândia com contas em atraso teve uma ligeira queda em agosto na comparação com o mês anterior. Em julho, o índice foi de 4,1% e caiu na sequência para 3,5%. A redução de pessoas inadimplentes do município (-14,6%) foi superior ao registrado no país (-0,71%), conforme dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Já na comparação com o mesmo período de 2017, houve um aumento em 3,5% dos uberlandenses com contas atrasadas, assim como no acumulado de janeiro a junho deste ano com o do ano anterior, que foi de 3,45%. De acordo com a superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia, Lécia Queiroz, a maioria dos devedores do primeiro semestre deste ano é homem. “Eles representam 52% dos inadimplentes e esse dado é uma novidade, pois as mulheres costumam estar entre as pessoas que mais gastam e acabam acumulando dívidas”.

Em relação ao perfil dos consumidores inadimplentes em agosto, 24% estão entre os 40 e 49 anos. Na sequência (22%) aparece quem tem entre 50 e 64 anos, outros 12% se enquadram na faixa etária acima de 65 anos de idade. Dívidas bancárias - que incluem cartão de crédito, cheque especial e empréstimos -, prestação de serviços em geral, eletroeletrônicos e eletrodomésticos estão entre os setores que mais representaram pendências no mês.

Na lista de devedores está uma design de acessórios de 50 anos, ouvida pela reportagem e que preferiu não se identificar. Há uns cinco anos ela fechou o comércio que abriu na cidade e acabou deixando muitas dívidas, algumas já pagas e outras acabaram prescrevendo. Agora, ela está em débito com os dois cartões de crédito que, juntos, somam mais de R$ 7 mil, incluindo juros e multas. “Depois que tive a loja descontrolei bastante e adquiri muitas dívidas. Deu uma aliviada, mas agora estou devendo de novo o cartão, que fui pagando o mínimo e quando vi, o montante já estava alto e em um curto espaço de tempo, cerca de cinco meses. Quero negociar, mas como minha renda mensal não é fixa fica difícil assumir compromissos. Meu marido acaba arcando com quase tudo de casa”, disse.

Segundo Lécia, vários fatores influenciam o consumidor a atrasar suas contas, como o cenário macroeconômico do país, perda de emprego ou redução na renda familiar e o descontrole financeiro. “É preciso ter um planejamento orçamentário, saber sobre seus ganhos, gastos fixos e parcelados. A falta de conhecimento acaba levando a inadimplência na maioria das vezes”. Ela orienta às pessoas que estão nessa situação a procurar a CDL o quanto antes para rever essa situação por meio de uma consulta gratuita. Na entidade é possível saber o valor exato da dívida, os credores e dependendo da situação pode até negociar no local a pendência. A CDL fica na avenida Belo Horizonte, 1290, bairro Osvaldo Resende. O telefone de contato é o (34) 3239-3400.
 
INADIMPLÊNCIA NO BRASIL
País tem 62,9 milhões de negativados
 
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito apontou que no último mês de agosto aumentou em 3,63% a quantidade de novos inadimplentes na comparação com o mesmo período do ano passado. Esse é o 11º crescimento consecutivo na comparação anual e em números estima-se que aproximadamente 62,9 milhões de brasileiros estejam com restrições ao CPF. Na comparação mensal a inadimplência apresentou queda de julho para agosto em -0,71%. É a segunda queda mensal seguida observada pelo SPC Brasil.

O universo dos inadimplentes tem crescido entre a população mais velha. Na comparação entre agosto de 2018 com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 9,56% entre os que têm idade entre 65 a 84 anos. Já os quem tem de 50 a 64 anos, a alta foi de 6,26%, enquanto na população de 40 a 49 anos houve um aumento de 4,77% no número de negativados. Entre os consumidores de 30 a 39 anos, a alta foi de 1,69% em agosto. Queda somente entre os jovens, de -23,20% na faixa de 18 a 24 anos.
 
Dívidas bancárias
 
Outro dado calculado pela CNDL e pelo SPC Brasil é sobre as dívidas bancárias que apresentaram alta de 7,03% na comparação com o mesmo mês de 2017. Na sequência aparecem os serviços básicos, como água e luz, cujo crescimento foi de 3,42%. Os atrasos no crediário do comércio caíram 6,01%, enquanto as pendências com TV por assinatura, internet e telefonia se mantiveram estáveis, com pequeno avanço de 0,01% no período.
 
CAUSAS
Perda do emprego, redução da renda e descontrole financeiro
 
As causas que contribuem para que as pessoas adquirissem dívidas também foram pesquisadas. Entre os mais citados estão a perda do emprego (37%), a redução da renda (24%) e a falta de controle financeiro (12%). Considerando somente os que se enquadram no descontrole do orçamento ou porque tiveram crédito fácil, 39% afirmam que quiseram aproveitar promoções e que isso acabou levando-os a contrair gastos extras sem avaliar o orçamento. Já 24% reconhecem não ter negociado bem os preços no momento da compra e 14% disseram que costumam comprar mais do que o necessário para se sentir bem quando estão ansiosos.

O levantamento mostra também que seis em cada dez brasileiros inadimplentes (61%) têm pouco conhecimento sobre a própria renda, entre salários e outros rendimentos. Além disso, 45% reconhecem saber pouco ou quase nada sobre o valor das contas básicas que precisam pagar no fim do mês, como água, luz, telefone, aluguel, condomínio, plano de saúde e mensalidade escolar. Já 61% desconhecem o número exato de parcelas das compras realizadas por meio do crédito e, em geral, 36% não planejam o orçamento mensal.
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