16/09/2018 às 00h00min - Atualizada em 16/09/2018 às 05h00min

O desafio de “dar liga” ao Praia

Técnico Paulo Coco diz que elenco da equipe melhorou, mas precisará de entrosamento para o bi da Superliga

ÉDER SOARES
Assistente na Seleção Feminina, treinador não teve descanso desde a conquista do título da Superliga | Foto: Ascom/Praia
Depois de conquistar o título inédito da Superliga Feminina de Vôlei comandando o Dentil/Praia Clube, em abril deste ano, em uma final diante do decacampeão Rio de Janeiro, o técnico Paulo Coco não teve descanso. No dia seguinte ao título, ele precisou se apresentar à Seleção Brasileira Feminina, na qual é assistente-técnico do tricampeão olímpico José Roberto Guimarães.

Mesmo com uma equipe que teve praticamente 50% de renovação, Coco entende que o Praia tem agora um time mais equilibrado em relação ao da última temporada, que precisa, no entanto, de “liga” entre novatas e remanescentes para conquistar o bicampeonato nacional.  

Paulo Coco foi jogador do Banespa e Palmeiras entre 1986 e 1996. Como técnico, ele treinou Banespa, Vôlei Futuro, Pinheiros, Osasco e Murcia (Espanha). Com José Roberto Guimarães, a parceria já dura 15 anos, entre Seleção Brasileira e clubes como Osasco e Campinas. Como principais conquistas na carreira ele tem o bicampeonato olímpico pela Seleção Brasileira e o título da Superliga Feminina com o Praia Clube. Ao pegar uma folga na Seleção Brasileira, Coco correu até Uberlândia para bater um papo com as jogadoras do Praia Clube e conversar com o seu auxiliar técnico, Wendel Ramos. A Superliga tem previsão para começar na segunda semana de novembro, mas o time terá ainda pela frente as disputas de mais cinco competições: Mineiro, Mundial, Sul-americano, Copa do Brasil e Supercopa.
 
Diário de Uberlândia: O Praia montou um elenco mais forte do que o do ano passado?
Paulo Coco: Quando pensamos a montagem do elenco, sabíamos que era preciso ter um grupo bastante equilibrado, até porque aumentamos em 100% o número de competições, sendo algumas surpresas como o Campeonato Mundial e o Sul-americano. A montagem do elenco foi feita pensando em tudo isso. Teremos mais exigências em termos de jogos, com períodos muito desgastantes, e por isso a necessidade desse equilíbrio em todos os setores da equipe. Em termos de elenco, se ele irá responder dentro de quadra é outra coisa, mas trabalhamos para ter opções em cada posição e, independentemente de quem estiver em quadra, manter o mesmo patamar. Na teoria, é uma equipe melhor montada e mais equilibrada, mas é a prática que vai comprovar isso. No esporte a gente sempre diz se deu liga ou não.
 
O número de competições para esta temporada dobrou. Como você pretende lidar com a questão do desgaste?
O calendário será mais exigente em termos de datas. Precisamos fechar esse planejamento junto com elas, pois serão seis campeonatos, justamente o dobro em relação à última temporada, e precisamos nos planejar muito bem para suportar a carga de jogos que teremos pela frente. Precisamos ouvir o que as jogadoras têm a dizer para ter este feedback.
 
No começo da temporada 2017/2018, a equipe acabou tendo um início não muito bom, inclusive perdendo, em casa, o título do Mineiro para o arquirrival Minas. Você quer mudar essa questão?
Apesar de ter feito uma boa preparação no ano passado, não começamos tão bem. Por isso fiz questão de conversar isso com elas [jogadoras] para que possamos ter uma intensidade e uma vontade maior, já nos primeiros amistosos, para iniciarmos as competições de uma forma mais forte e intensa.
 
O time conta com quatro jogadoras na Seleção Brasileira (Garay, Rosamaria, Suelen e Carol) e uma na dos Estados Unidos (Carli Lloyd). Como trabalhar o grupo com a falta dessas atletas?
As jogadoras que estão nas seleções virão com um ritmo de jogo muito alto, já que estarão em um Campeonato Mundial com as melhores atletas do mundo. Teremos que fazer uma readaptação física. Elas terão uma queda e depois retornarão ao patamar ideal. Já as jogadoras que estão aqui treinando terão um processo físico gradativo, mas vão pecar no ritmo de jogo, por isso a importância da programação de amistosos, que darão alguma condição de ritmo a elas. Quando as cinco chegarem, teremos o trabalho de homogeneizar todo o elenco.
 
Você levou um papo longo com as jogadoras em seu único contato com elas, depois do título. Qual foi o teor dessa conversa?
Foi um bate-papo informal, sobre planejamento e a nossa temporada. Temos um grupo mais cheio neste momento, com dez atletas treinando aqui, quatro na Seleção Brasileira e a Lloyd com os Estados Unidos, então discutimos um pouco esta etapa de preparação, pois é um ano diferente com muitas competições pela frente. Todos nós precisamos estar conscientes da responsabilidade. Gosto de saber a opinião das jogadoras.
 
Para essa temporada está chegando uma das melhores levantadoras do mundo, que é a norte-americana Carli Lloyd. O que o Praia ganhará em termos técnicos?
A gente sempre trabalha com algumas opções. O Praia alcançou um patamar internacional, o que leva muitas jogadoras a querer jogar aqui. No caso da Lloyd, casou uma vontade que para a gente foi muito interessante, pois ela é uma das melhores levantadoras do mundo, na minha opinião. Ela imprime uma velocidade de jogo muito interessante, tem uma habilidade técnica, física e vem evoluindo em um patamar internacional. Acredito que ela irá agregar muito em termos técnicos, de experiência e qualidade de jogo para a nossa equipe. É claro que teremos que aguardar a questão de entrosamento dela com as demais jogadoras, que é a grande dificuldade que teremos no começo, sendo que aqui, do nosso atual elenco, ela jogou apenas com a Francyne, no Barueri, e a Nicole Fawcett, na Seleção dos Estados Unidos.
 
Agora com o status de campeão, qual a filosofia que você está implantando com o grupo?
São desafios diferentes. Anteriormente, o desafio era o de conquistar, pois o clube ainda não tinha conquistado. Ficava aquele nó por ter batido na trave em anos anteriores. A grande conquista veio e agora o grande desafio é se manter como campeão. Sempre digo que no esporte é muito mais difícil você se manter do que conquistar. Chegar entre os primeiros é muito difícil, mas você se manter no topo é muito mais, porque você é o alvo principal e todos querem derrotá-lo.
 
 
 
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