14/09/2018 às 08h20min - Atualizada em 14/09/2018 às 08h20min

Setor de alimentos tem deflação em agosto

Mesmo com variação de -1,35%, alguns itens continuam pesando no bolso

CAROLINA PORTILHO
Índice no item Alimentação Fora do Domicílio apresentou queda de -0,34% em agosto, aponta o IPC | Foto: Carolina Portilho
Comer cereais, leguminosas e oleaginosas continua caro em Uberlândia. É o que aponta o Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes-UFU), que mensalmente divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da cidade. Apesar da alta em alguns itens, em agosto o setor de Alimentos teve um recuo de -0,01% para -1,35% em comparação com julho. Os principais itens que influenciaram na deflação foram farinhas, féculas e massas (de 5,65% para -1,72%); sal e condimentos (de 2,02% para -4,94%); e leite e derivados (de 3,38% para -3,09%).

“O IPC mede o impacto da inflação no orçamento das famílias, ou seja, onde a família aloca sua renda, como ela distribui sua renda com os produtos que consome. Por inúmeros fatores ocorrem as variações mensais, como período de safra, seca, crise econômica, problemas na distribuição, até o humor do consumidor. Se a pessoa está satisfeita com algo ela tende a gastar, caso contrário, acaba economizando e não gastando como o de costume”, disse o economista da UFU e responsável pelo IPC,  Álvaro Fonseca e Silva Júnior. Apesar do quadro de queda na maior parte dos itens (ver tabela), três segmentos dentro do setor de Alimentos registraram inflação. São eles: Cereais, leguminosas e oleaginosas (4,24%), Pescados (0,88%) e Enlatados e Conservas (0,66%).

ALIMENTAÇÃO FORA

A pesquisa também avaliou a opção de alimentação fora do domicílio, que em agosto apresentou índice de -0,34%, contra -0,03% em julho. Mesmo com a deflação, empresários do setor têm feitos cálculos para manter os negócios competitivos. Rosilene Aparecida Resende Silva é dona de um restaurante na zona sul de Uberlândia e tenta driblar essa realidade com alternativas para manter seus clientes. Ela disse que para manter-se no mercado está sempre em busca de promoção de produtos para a confecção das refeições.

“Tenho uma clientela bem fixa. Eu abro na hora do almoço e ofereço prato executivo, e de noite, a la carte, onde eu consigo ganhar um pouco mais. Busco promoções e compro em grande quantidade para não mudar o preço do que ofereço e consequentemente afetar meu cliente. Além disso, já reduzi número de funcionários para continuar no mercado. Hoje eu não ganho direito com comida, fico sempre empatada nos ganhos.”

HABITAÇÃO

No geral, o IPC em Uberlândia apresentou deflação no mês, chegando a -0,73%, menor que julho, que foi de -0,22%. O índice calcula a variação de preços em famílias que ganham até sete salários mínimos em nove grupos de produtos: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação.

O índice no setor de Habitação também obteve uma queda de julho para agosto de 3,01% para 1,40%. O principal item que apresentou recuo foi o aluguel e taxas, passando de 4,63% para -5,04%.
Artigos de residência também seguem esse ritmo, passando de 0,40% para -1,18%, com destaques para consertos e manutenção (de 0,00% para -4,81%); som, imagem e informática (de -0,13% para -3,18%); e utensílios e enfeites (de 0,61% para -1,06%). Na comparação com julho, o setor de Educação também teve deflação de -0,92% para -0,32%, sendo o que mais puxou para essa queda foram os itens de papelaria (de -5,81% para - 2,66%); e Leitura (de -0,80% para 0,99%).

ACELERAÇÃO

Na comparação com julho de 2018, três grupos mostraram aceleração. Um deles é o de Transportes: de -2,53% para 0,13%. Saúde e cuidados pessoais também fazem parte dessa estatística: de -2,64% para 0,15%; e por fim, Despesas Pessoais, que passou de -0,02% para 0,32%.

“No orçamento familiar os setores de alimentação e habitação lideram o ranking dos gastos dos orçamentos familiares, representando 24% e 19%, respectivamente. A queda nos índices de julho e agosto ainda é reflexo da grave dos caminhoneiros de maio, que mudou os preços nos meses sequentes e agora começa a dar uma nivelada”, finalizou Álvaro.
 
IPC ALIMENTAÇÃO E BEBIDAS
  Agosto Julho
Alimentação e bebidas -1,35 -0,01
Cereais, leguminosas e oleaginosas 4,24 0,98
Farinhas, féculas e massas -1,72 5,65
Tubérculos, raízes e legumes -10,60 -21,51
Açúcares e derivados -0,24 -0,13
Hortaliças e verduras -2,97 -2,85
Frutas -3,44 -11,58
Carnes -3,29 0,59
Pescado 0,88 4,28
Carnes, peixes industrializados -0,67 2,39
Aves e ovos -1,74 2,95
Leite e derivados -3,09 3,38
Panificados -0,50 1,03
Óleos e gorduras -0,91 -0,81
Bebidas e infusões -1,61 -1,04
Enlatados e conservas 0,66 -2,04
Sal e condimentos -4,94 2,02
 
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