29/08/2018 às 08h27min - Atualizada em 29/08/2018 às 08h27min

Fumo lidera causas do câncer de pulmão

Especialista alerta sobre os malefícios do vício e dos riscos ao organismo; cigarro está relacionado ao desenvolvimento de mais de 50 doenças

CAROLINA PORTILHO
Ismar se arrepende de ter fumado por mais de 50 anos | Foto: Arquivo Pessoal
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o número de fumantes vem caindo no Brasil. Em 2000, 24,7% da população brasileira fumava, o que corresponde a 28,5 milhões de pessoas. Cinco anos depois, a taxa caiu para 20,6%. Em 2010, ela era de 17,2% e, em 2016, chegou a 14%. A tendência é que esses números sejam reduzidos chegando em 2025 com 10,3%, ou 20,4 milhões de pessoas.

Apesar dos avanços, ainda não há o que comemorar. No Dia Nacional de Combate ao Fumo (29), um alerta aos fumantes em relação ao câncer de pulmão: o tabagismo é responsável por 90% dos casos da doença, chegando a mais de 31 mil diagnósticos somente neste ano. Os dados são do Instituto Nacional de Câncer (Inca). De acordo com a oncologista Nathália Almeida, de Uberlândia, a população precisa se conscientizar sobre os riscos e a importância de abandonar o cigarro.

“A quantidade de jovens que fuma atualmente tem crescido e esse público é bem instruído, informado e sabe bem dos riscos, diferente de antigamente em que as pessoas não tinham tanto acesso à informação e fumavam sem conhecer os malefícios. É preciso atenção a esses jovens que precisam se conscientizar para não adquirir esse vício”, disse Nathália.

Fumante desde os 12 anos, o agricultor Ismar Antônio da Silva, hoje com 68 anos, é um dos diagnosticados de Uberlândia com câncer no pulmão. Por conta da doença, ele deixou o vício e mesmo em tratamento já sente os benefícios ao abandonar o cigarro.

“Parei de fumar tem dois anos e quatro meses e essa decisão só aconteceu por problemas de saúde, mas se eu pudesse voltar no tempo não teria colocado cigarro na boca. Fumar traz complicações e hoje me sinto bem melhor, mais disposto, com apetite para comer as coisas. Quando decidi parar por causa do câncer cheguei a fazer uso de medicamento oral, mas logo eu larguei e parei por conta própria, força de vontade”, disse Ismar que está em tratamento contra o câncer, mas hoje em uma fase menos complicada da doença.

Além do câncer de pulmão, o cigarro também está relacionado ao desenvolvimento de outros tumores, como cavidade oral, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero e leucemias, além de mais 50 doenças.

“O câncer no pulmão é o que mais mata no Brasil. O na laringe está entre os sete nessa lista e acomete mais em homens que em mulheres. Todos os tipos de fumo, como narguilé, cigarro de palha, industrializado, fazem mal à saúde. Sabemos que os fumantes têm aproximadamente de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão e que o hábito de fumar é responsável por cerca de 30% das mortes por câncer”, disse Nathália. “A mudança desta realidade passa primeiro pela conscientização e percepção da população de que o tabagismo não traz nenhum benefício e que muitas mortes poderiam ser evitadas com o abandono do vício”, completa a especialista.
 
Sintomas e diagnóstico

A médica também alerta sobre os sintomas que são semelhantes a outras doenças comuns, como tosse frequente, falta de ar, chiado no pulmão, presença de sangue no escarro, dor no peito, perda rápida de peso e de apetite.

“O câncer de pulmão é um tipo de tumor difícil de ser diagnosticado em sua fase inicial, por isso é importante ficar atento a alguns sinais que podem ser observados com maior atenção. O rastreio para essa doença é indicado para pacientes entre 50 e 74 anos que fumaram por mais de 30 anos pelo menos um maço de cigarros por dia. Essas pessoas devem buscar orientação de um especialista para que sejam indicados exames específicos”, afirmou a oncologista.
 
Fumantes no mundo
 
Os dados da OMS estimam que 1,1 bilhão de pessoas no mundo fumam atualmente. Desde o início do século, o número total esteve praticamente inalterado, ainda que a população global tenha aumentado. Entre os menores, a OMS estima que 24 milhões de crianças entre 13 e 15 anos sejam usuárias de tabaco, cerca de 7% dessa população.
 
Número de fumantes vem caindo desde 2000 (em %)



 
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