24/08/2018 às 08h04min - Atualizada em 24/08/2018 às 08h04min

Cenário de desilusão não desanima eleitores

MARIELY DALMÔNICA
Marcelinda e Lucas se cadastraram para votar em trânsito | Foto: Mariely Dalmônica
Na contramão da descrença de muitos eleitores sobre o cenário político atual, parte do eleitorado faz questão de ir às urnas em outubro, mesmo sabendo que estará longe de seu domicílio eleitoral. Um exemplo desse exercício de cidadania pôde ser notado em quem se dispôs a transferir temporariamente o seu título de eleitor. O prazo para solicitar o voto em trânsito começou no dia 17 de julho e terminou ontem. Em todo o Estado foram feitos 2.759 pedidos para o primeiro turno e 2.651 para o segundo até na última sexta-feira (17), e em Uberlândia, apenas 184 eleitores solicitaram o voto em trânsito até segunda-feira (20).

O técnico judiciário do Cartório Eleitoral de Uberlândia Ademilson da Silva disse que este número ainda pode aumentar depois do último balanço do cartório. “Muitas pessoas deixam para solicitar no último dia. O número não é alto, mas não dá para comparar com a última eleição, de 2014, porque neste ano houve mudanças. Agora, se você está dentro do estado da sua seção eleitoral, vai conseguir votar em todos [presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual]”, afirmou.

O voto em trânsito pode ocorrer em ambos os turnos, e é válido para capitais e municípios com mais de 100 mil eleitores. Apenas quem estiver com situação regular no cadastro eleitoral pode votar em trânsito. Só em Uberlândia, por exemplo, quase 47 mil eleitores não fizeram o recadastramento biométrico e, portanto, tiveram o título de eleitor cancelado e não poderão votar este ano.

A missionária Urbana Rodrigues é de Uberlândia e morou por três meses em Santo Amaro, na Bahia, no início deste ano. “Eu e meu marido ficamos lá por pouco tempo, fizemos o cadastro da biometria, mas agora voltamos a morar aqui em Uberlândia. Como só podemos transferir o voto depois das eleições, solicitamos o voto em trânsito”, disse.

O servidor público Isac Oliveira é marido de Urbana, e também fez o cadastro para conseguir votar em outubro. “Votar é o nosso dever como cidadão e nós nunca deixamos isso de lado, sempre tivemos essa consciência. Queríamos votar para todos os cargos, mas só vamos votar para presidente”, afirmou o servidor público.

Eleitores que estão fora da unidade da Federação de seu domicílio eleitoral poderão votar em trânsito apenas na eleição para presidente da República, como é o caso de Urbana e Isac, que ainda mantém o domicílio eleitoral no estado da Bahia.

O economista Danilo Brandão é do Ceará, e mesmo que seu voto seja apenas para presidente, ele optou pelo cadastro. “Esta é a primeira vez que estou fazendo, me mudei para Uberlândia há três anos para estudar, e como pretendo voltar para o meu estado, não transferi o meu título”, disse.

Os eleitores que forem votar em trânsito dentro da unidade da Federação, mas em município diferente de seu domicílio eleitoral, podem votar para todos os cargos.
Marcelinda Matos, analista de sistemas, é de Patos de Minas e não tem o costume de solicitar o voto em trânsito. “Muitas vezes eu só justifico o meu voto, mas neste ano tem um candidato em que eu realmente acredito, por isso decidi votar”, disse.

Lucas Matos, supervisor de vendas e marido de Marcelinda, é natural de Carmo do Paranaíba, onde ainda mantém o título eleitoral. “Moro em Uberlândia há quase 20 anos. Sempre vou à minha cidade nas eleições para prefeito, e tinha o costume de justificar nas eleições para presidente, mas neste ano vou votar”, disse. Além de votar para presidente, Marcelinda e Lucas também poderão ajudar a eleger governador, senador, deputado federal e deputado estadual, pois vão votar em outro município de Minas Gerais.
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