21/08/2018 às 07h53min - Atualizada em 21/08/2018 às 07h53min

Samu regional tem maioria das chamadas para orientação médica

VINICIUS LEMOS | REPÓRTER
Nos 45 primeiros dias de trabalho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Triângulo Norte, a maior parte dos atendimentos feitos por telefone, sendo quase 55% deles, foi de orientação e não necessitou de deslocamento de ambulâncias. Nesse período, mais de 130 pacientes foram levados para o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), que afirmou não ter sentido impactos em relação ao aumento de atendimentos.

O balanço foi divulgado ontem, durante reunião em Uberlândia, onde está a sede do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência (Cistri), que reúne 26 Municípios com cobertura do Samu.

Entre 3 de julho e 19 de agosto, das 15.696 ligações recebidas pelo Samu, 6.940 foram para orientações não médicas, como explicações sobre o funcionamento do serviço, o que significou 44,22% dos atendimentos. Outras 1.446 ligações, ou 9,21% do total, chegaram a demandar orientações médicas, mas não necessitaram de deslocamento por não se tratar de casos de urgência ou emergência. A central ainda recebeu 581 trotes e 2.809 ligações caíram. Segundo os dados, apenas uma em cada quatro ligações resultaram em saídas de unidades de atendimento do Samu na região, o que levou a 3.920 ocorrências.

A coordenadora médica do serviço, Ítala Reis Alvarenga, viu os números como reflexo do período em que a população ainda descobre como funciona o Samu. “A população está sendo educada para saber quando chamar o Samu. É principalmente um serviço de orientação telefônica, porque a maior parte das vezes o paciente não precisa do atendimento de urgência e emergência”, disse.

A maior parte dos atendimentos com deslocamento das unidades foi por causas clínicas, ou seja, aquelas que não demandavam assistência de especialistas. Esses casos somaram 66% do total. Deslocamentos por causas traumáticas somaram 22% dos atendimentos, o que foi seguido por ocorrências obstétricas, pediátricas e psiquiátricas.

HC-UFU

Desde o início do julho, segundo número do Cistri, 132 pacientes originários dos 26 Municípios atendidos pelo Samu Triângulo Norte foram levados para o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). Foi a sexta unidade que mais recebeu pacientes na região, com a diferença dos casos atendidos serem de alta complexidade, uma vez que o hospital-escola é a referência em casos do tipo para o Samu.

“O HC-UFU era a grande expectativa e [tudo] correu dentro da normalidade”, afirmou o secretário executivo Cistri/Samu Triângulo Norte, Rodrigo Alvim. Ele relembrou a polêmica envolvendo hospital, que, segundo a diretoria, poderia não conseguir absorver a demanda com a implantação do Samu. Os atendimentos, entretanto, acontecem com normalidade, de acordo com a coordenadora médica do serviço de urgência e emergência. Ela explicou ainda que já houve casos de encaminhamentos de pacientes a vaga zero, ou seja, o recebimento de pacientes em grave estado de saúde, mesmo sem haver uma vaga prevista. “Às vezes temos o questionamento de vagas ou que falta o profissional, mas quando o paciente chegou, não tivemos problemas”, disse Ítala Alvarenga.

Por meio de nota, o HC-UFU informou não ter sentido impacto no número de atendimentos após o início da operação do Samu regional. “Muita maturidade nas equipes, regulação funcionando com eficiência e paciente chegando com assistência melhor. Um excelente resultado.”

A maior parte dos encaminhamentos foram para UPA 24horas em Araguari, que recebeu 645 pacientes desde a implantação do serviço na região. No ranking da quantidade de encaminhamentos, seguem a Unidade de Pronto Atendimento Municipal de Ituiutaba (Upami), que recebeu 440 pacientes, e Pronto Socorro Dr. Carlos Afono Nunes, em Patrocínio, que recebeu 301 pessoas.

LEITOS

O Plano de Ação Regional (PAR) criado quando o Samu foi instituído no Triângulo Norte prevê a criação de 120 novos leitos em Municípios que fazem parte do Cistri em dois anos. A maior parte desses leitos poderá ser aberta ainda em 2019, segundo promessa da Prefeitura de Monte Carmelo. O Executivo informou que fez investimento recente de R$ 4 milhões para aquisição de equipamentos para o Hospital Regional, o qual terá 57 leitos hospitalares e oito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), totalizando mais da metade das vagas previstas até 2020 para o Samu regional.

“Hoje encaminhamos menos pacientes para o HC-UFU. Dos 16 primeiros [atendimentos feitos pelo Samu no Município], 15 nós resolvemos em Monte Carmelo, apenas um veio para Uberlândia. A partir do ano que vem, [teremos capacidade] para resolver casos de média complexidade em Monte Carmelo [com funcionamento do Hospital regional]”, disse o vice-prefeito e secretário de Saúde, Paulo Rocha.
 
SAMU – TRIÂNGULO NORTE

Total de Ligações (3 de julho a 19 de agosto)
15.696

Orientações Médicas
1.446

Orientações Não Médicas
6.940

Saídas de Unidades
3.920

Quedas de Ligações
2.809

Trotes
581
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