01/08/2018 às 07h57min - Atualizada em 01/08/2018 às 07h57min

Número de pessoas que não trabalham nem procuram vaga é recorde

FOLHAPRESS
O número de pessoas que não trabalham e nem procuram emprego bateu recorde no país. Apesar da taxa de desemprego ter desacelerado no segundo trimestre do ano, o contingente fora da força de trabalho chegou a 65,6 milhões, alta de 1,2% sobre o período anterior e o mais alto da série histórica do IBGE.
A taxa oficial de desemprego do país ficou em 12,4% no segundo trimestre. O resultado representa queda em relação ao verificado no primeiro do ano, quando a taxa foi 13,1%.
Na comparação dos três meses encerrados em junho com igual período do ano passado, o emprego caiu também. Na ocasião, a taxa esteve em 13%. O contingente de desocupados, que são as pessoas que estão sem emprego, mas em busca de oportunidade, somou 12,9 milhões no segundo trimestre deste ano.

O indicador registrou queda frente ao apurado no trimestre encerrado em março, quando 13,6 milhões estavam nessa condição. No total, 723 mil pessoas deixaram a fila do emprego na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano.
Já o número de ocupados, que são pessoas que de fato estão em algum emprego, somou 91,2 milhões em junho, alta de 0,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na passagem dos trimestres, 675 mil vagas foram geradas no país.

A queda no emprego está baseada em movimento que tem se repedido no mercado de trabalho brasileiro. O aumento de vagas registrado no período esteve baseado principalmente na geração de vagas informais.
O número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 2012, ao registrar contingente de 32,8 milhões de pessoas.
Já o contingente de pessoas no setor privado sem carteira assinada somou 10,9 milhões. Na passagem do trimestre encerrado em março para o trimestre encerrado em junho, 276 mil pessoas passaram a trabalhar sem carteira. No mesmo período, 113 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria.

O aumento do número de pessoas fora da força de trabalho - que são as pessoas em idade para trabalhar mas que não estão procurando emprego - também fez cair a taxa de desemprego.
Na passagem dos trimestres, 774 mil pessoas ficaram fora da força, num contingente que somou 65,6 milhões no período. Parte das pessoas fora da força de trabalho está nessa condição em razão do desalento, que é quando a pessoa desiste de procurar emprego depois de tentar se inserir no mercado sem sucesso.
O contingente de pessoas fora da força atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 2012.
 
Setor público
 

Enquanto o mercado de trabalho brasileiro tem cada vez mais trabalhadores informais de um lado e, de outro, pessoas desistindo de procurar vaga, o setor público amplia as contratações e bate recorde de empregados num momento de severa crise fiscal.
No trimestre encerrado em junho, o setor dependente dos recursos da sociedade foi um importante gerador de vagas, segundo dados do IBGE.
Entre abril e junho, 11,6 milhões de pessoas estavam empregadas no setor público - o maior nível da série histórica, iniciada em 2012.

No segundo trimestre, 392 mil pessoas foram contratadas pelo setor público. Deste total, 73% ou 289 mil vagas não tinham carteira assinada, em modelos de contratação que podem ser por meio de cargos comissionados ou consultorias.
Na avaliação do IBGE, a alta é sazonal.
"É comum as prefeituras dispensarem trabalhadores no fim do ano e recontratá-los no início do ano seguinte", afirmou o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo.
Como o país tem mais de 5.000 municípios, o movimento é grande.
Segundo Azeredo, o aumento da população ocupada, baseada na informalidade e na geração de vagas no setor público, ajudou na queda do desemprego.
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