26/07/2018 às 08h13min - Atualizada em 26/07/2018 às 08h13min

Antiga escola tem parte da estrutura demolida

Local foi atingido por incêndio no dia 16 e apresentava risco de desabamento

IGOR MARTINS | REPÓRTER*
Demolição de estrutura foi feita pela Prefeitura, após Defesa Civil constatar risco de desabamento | Foto: Igor Martins
Foi realizada na manhã desta quarta-feira (25), a demolição de parte do antigo prédio da Escola Estadual Alda Mota Batista, localizada na rua Imperatriz Leopoldina, no bairro Tubalina. O local, alvo de incêndio no último dia 16, sofria risco de desabamento. O trabalho foi feito pela Prefeitura de Uberlândia com a ajuda de um trator.
As estruturas demolidas foram aquelas que apresentavam mais riscos, como as paredes que faziam fachada com as ruas Imperatriz Leopoldina e Guerra Junqueira. Mesmo com boa parte da escola atingida pelo incêndio, estes setores eram os mais propensos a chances de acidentes com pedestres e motoristas que passam pelo local.

Na última semana, a Defesa Civil encaminhou um laudo com um prazo de 48 horas à Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia (SRE), apontando a necessidade de intervenções emergenciais no local. Com o não atendimento do órgão, a Prefeitura de Uberlândia assumiu a responsabilidade pela demolição da estrutura. Além disso, com o objetivo de garantir a segurança dos moradores e de quem passa pela região, a Prefeitura realizará a limpeza e desobstrução dos escombros da calçada. As demais dependências ficam a cargo do Estado.
 
ADEUS MELANCÓLICO
“Um pedaço da minha vida está indo embora”, diz professora
 
 

Relva Vieira Nunes acredita que prédio poderia ter sido tombado como patrimônio histórico | Foto: Igor Martins
 
Ex-professora de história da Escola Estadual Alda Mota Batista, Relva Vieira Nunes passou pelo local onde trabalhou durante 35 anos. A aposentada de 78 anos se mostrou triste com toda a situação que aconteceu no prédio. “Um pedaço da minha vida está indo embora. Eu acho que [o prédio] deveria ter sido tombado como patrimônio histórico”, disse.
Para a uberlandense, a demolição parcial da escola não mudará completamente a rotina e o medo das pessoas que vivem nas proximidades da instituição. “Uma parte da escola ainda vai ficar de pé, então a tendência é que moradores de rua e usuários de drogas ainda continuem rondando por aqui”.

Ainda para a historiadora, que trabalhou na Alda Mota Batista de 1980 a 2005, o prédio poderia ter sido melhor aproveitado pelo Estado. “A localização aqui é ótima. Poderia ter reformado, construído uma creche. É triste que tenha chegado a este ponto”.

Washington Fernando Silva é outro que tem muita história para contar. O uberlandense disse à reportagem do Diário de Uberlândia que estudou na escola por cerca de 15 anos. Morador do bairro Planalto, o jardineiro foi ao local para saber se as notícias que circulavam sobre a demolição da escola eram verdade. Infeliz com a situação de seu antigo colégio, Silva acredita que o Estado poderia ter feito várias coisas para salvar o prédio. “É muito triste. Passei uma vida aqui. Meus irmãos e meus amigos estudaram aqui comigo”, disse.
Para ele, é preciso realizar a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou uma creche no local. “Se deixar o terreno vago, as pessoas vão jogar lixo e entulho. [As pessoas] não respeitam”, finalizou o jardineiro.
 
ENTENDA O CASO
 
As atividades da Escola Estadual Alda Mota Batista foram transferidas há mais de dois anos para uma nova sede, no bairro Jardim das Palmeiras II, depois de quase três anos de atraso. O investimento foi de mais de R$ 4 milhões do Governo do Estado. O prédio que pegou fogo apresentava condições precárias antes do incêndio, com rachaduras nas paredes e buracos no piso, vidraças e telhas quebradas, pintura e portas deterioradas, quadra poliesportiva sem manutenção, pia sem torneira e lâmpadas queimadas na sala de aula.


*APRIMORAMENTO PROFISSIONAL
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