13/07/2018 às 08h33min - Atualizada em 13/07/2018 às 08h33min

Uma chama que não se apaga

O já sexagenário rock and roll sobrevive muito graças aos seus ouvintes

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Arquivo Pessoal
Uma longa lista de festivais, que vão de Rock in Rio a Maximus Fest. Shows de lendas como Paul McCartney e ícones como Guns n´ Roses e a admiração por artistas que vão do jazz ao metal extremo fazem dos irmãos uberlandenses Aline, Renan e Renato Alvim exemplos de que o rock, muito mais do que por quem faz, sobrevive graças a quem ouve. Estudantes dedicados e filhos exemplares, eles têm o apoio dos pais – a advogada Adriana Alvim e o engenheiro Celso Carvalho - que sempre incentivaram a prática musical em casa, mesmo que não fosse algo focado em uma carreira.

Celso é do tipo que, durante um show de rock com um repertório mais leve grita “toca Manowar”. Ele e Adriana dividem a paixão pelos shows com os filhos sempre que possível. Atualmente, Aline e Renan cursam Medicina em Campinas e Renato está terminando o ensino médio. Mesmo que não figure entre as mais tocadas no rádio, não esteja o tempo todo na TV e se conte nos dedos bandas de rock que ainda lotam estádios, este Dia Mundial do Rock, celebrado desde 1985, serve para render graças ao estilo sexagenário que ajudou a moldar a personalidade de milhões de pessoas.

Para Renan Alvim, 21 anos, “Heavy Metal will never die”, a afirmação de Ronnie James Dio (1942-2010), o vocalista que popularizou o símbolo mais famoso do rock, ressalta a imortalidade do rock’n roll. “Encontra-se intrinsecamente relacionado com a eterna carência humana de amor, liberdade e verdade. Nesse Dia Mundial do Rock, lembro-me do campo fértil que encontrei nesse estilo musical para visualizar o âmago de minhas características e a empatia que criei no momento em que aprendi a ouvir as mensagens contidas em suas músicas. O rock é o início, o meio e o fim. É aquilo que você precisa. É amar o próximo como a si mesmo”, disse o jovem.

Aline, 19 anos, afirma à reportagem do Diário de Uberlândia que o rock para ela representa liberdade e mudança de comportamento. “A música e as danças provocativas, os diferentes estilos de rock demonstram que as pessoas podem ser ‘elas mesmas’ e não precisam necessariamente seguir uma ideia padrão. Assim como já dizia Led Zepellin em sua música ‘Stairway to Heaven’: ‘To be a rock and not to roll’ (ser uma rocha e não rolar)”, disse Aline, que é fã de The Beatles, Led Zeppelin, David Bowie, Kiss e AC/DC.

“Esse Dia Mundial do Rock me remete a um sentimento de gratidão, alegria e emoção que o rock me proporciona. Deep Purple, Led Zeppelin, Jimi Hendrix e AC/DC são verdadeiros alicerces e inspirações que me levaram a aprender música, suas músicas, tocá-las em minha guitarra. Isso abriu portas para que eu buscasse o aprendizado de novos estilos musicais. Seguramente nunca teria conhecido blues, jazz, heavy metal e até música clássica se não fosse o primeiro e eterno contato com o rock”, disse o caçula Renato Alvim, 15 anos.

OPORTUNIDADE

O rock mudou a vida de muitos de seus protagonistas e hoje quem dá suporte ao estilo sabe que é muito mais do que comprar todos os álbuns, ostentar um visual agressivo, comprar o ingresso mais caro para o show ou tornar uma banda o seu time de futebol. O sentido da transformação está na mensagem, nos exemplos que extrapolam os palcos e seguem para a vida sejam  embalados por meio dos três acordes dos Ramones ou no virtuosismo do guitarrista Brian May (Queen). O som chega aos ouvidos e toma conta do corpo de seus ouvintes. No bairro Jardim Prosperidade, em Uberlândia, o músico Jean Muller, da banda Odidodi, também idealizador do selo Queijo Corps, dá aulas gratuitas para crianças em situação de vulnerabilidade social. É uma forma de retribuir o que o rock fez por ele, levando a quem não tem condições de pagar e nem mesmo de se deslocar até uma escola de música, uma oportinidade de conhecer um pouco do bom, velho e eterno rock and roll.

Um feliz Dia do Mundial do Rock para você.
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