25/06/2018 às 08h25min - Atualizada em 25/06/2018 às 08h25min

Araxá vira a capital da literatura

Festival literário começa na quarta-feira com 120 convidados

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA COM FLIARAXÁ
                                                                                                                     Daniel Bianchini/Divulgação

                Pedro Cardoso durante no lançamento do seu “O livro dos títulos” na Fliaraxá 2017

Segundo a pesquisa da Nielsen, divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), após quatro anos de queda o mercado de livros no Brasil teve um resultado positivo em 2017. O faturamento registrado subiu de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,7 bilhão e o volume de vendas foi de 40,5 milhões de exemplares para 42,3 milhões. Os números são dignos de comemoração. Não é diferente para o Festival Literário de Araxá (Fliaraxá) que inicia na próxima quarta-feira (27) sua 7ª edição.

No ano passado o festival recebeu mais de 25 mil pessoas. Em 2012, ano a primeira edição, foram seis mil pessoas. A exemplo de 2017, neste ano a Fliaraxá volta para o Tauá Grande Hotel, cartão postal da cidade. São 120 convidados que participarão de dezenas de atividades até o dia 1º de julho.

O tema deste ano é “Alma, Leitura e Revolução” e volta a reunir na cidade mineira nomes importantes da literatura brasileira e internacional como o angolano Gonçalo Tavares, o mexicano Juan Pablo Villalobos e o francês Philippe Lobjois, além dos brasileiros Leonardo Boff, Monja Coen, Marcelo Rubens Paiva, Marcia Tiburi, Humberto Werneck, José Miguel Wisnik, Luiz Ruffato, Wander Melo Miranda, Angela Alonso, Angela Castro, Heloísa Espada,  Ricardo Ramos Filho, Nilton Bonder, Heloisa Starling, Eugenio Bucci, Ilana Casoy, Cesar Bravo, Paula Pimenta, Maria Paula Dallari Bucci, Ricardo Aleixo, Marcel Souto Maior, Pedro Muriel,  Chico Mendonça, Carla Madeira, Sergio Abranches, a youtuber Jout Jout e toda a família Klink - Amyr, Marina, Laura, Marininha e Tâmara.

Na programação do VII Fliaraxá, entre os autores infanto-juvenis, destaca-se a presença de um dos mais importantes escritores do gênero no Brasil, o paulista Pedro Bandeira. Ao seu lado, Leo Cunha, Marcelo Xavier, Ilan Brenman, José Santos, Rodrigo Libânio Christo, Silvana Gontijo, Lucrécia Leite, a uberlandense Fernanda de Oliveira (Fê Liz), Salatiel Silva e Tino Freitas.

Alguns dos principais encontros serão transmitidos simultaneamente na página do festival no facebook.com/fliaraxa e todos os eventos da Sala Minas Gerais terão tradução em Libras.
Em 27 de junho, há 110 anos, nascia João Guimarães Rosa; há 80 anos, Graciliano Ramos publicava o clássico “Vidas Secas”. Por estes motivos, os dois autores serão os Patronos da sétima edição do Fliaraxá. O festival homenageia ainda duas damas da literatura brasileira Ana Maria Machado e Marina Colasanti. Como patrono local, o poeta João Rios Montandon e autora homenageada local Leila Ferreira.
O time de curadores é formado pelo criador do Festival, Afonso Borges, a professora Heloisa Starling, da UFMG, o jornalista Eugenio Bucci, da USP e o escritor Leo Cunha. Os curadores locais são Luiz Humberto França e Rafael Nolli.

AQUECIMENTO
Pela primeira vez o festival contou com o Pré-Fliaraxá que contou com a participação do escritor português Valter Hugo Mãe, no último dia 18, no Teatro Municipal. O autor falou sobre sua carreira, a atuação nas artes plásticas, música e as influências artísticas em suas obras. As atividades do Pré-Fliaraxá terminam hoje em diversos locais da cidade, onde o público participa gratuitamente de palestras, lançamento de livros, oficinas, contação de histórias, peças de teatro, troca de livros e ainda exibição de filmes com debates sobre obras dos patronos deste ano, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

ATIVIDADADES

Exposição fotográfica, gastronomia e telões para ver jogos da Copa
A Fliaraxá leva para a frente do Tauá Grande Hotel de Araxá aquela que pode ser a maior livraria de todos os festivais brasileiros, com 830 metros quadrados, administrada pela carioca Blooks, de Elisa Ventura. Nos diversos salões e espaços internos do septuagenário hotel, 120 convidados participam de encontros, palestras e debates. Em salas menores, o projeto “Mastigando Autores”, vai promover encontros entre autor e leitor, em uma programação de hora em hora;  na Livraria, o “Mastigando Leitores”, com sessões ininterruptas de autógrafos. No campo da fotografia, a exposição “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”, de Fernando Rabelo, desvenda em imagens os becos, ruas, igrejas, pontes e personagens de uma Paris popular e cosmopolita.

Na parte externa do Grande Hotel de Araxá será instalado, novamente, o “Fliaraxá Gastronomia”, focado na culinária mineira e da região, além de fazer uma comunhão com a literatura. As cervejas artesanais, os queijos premiados da Canastra e os doces também estão no cardápio. E como será tempo de Copa do Mundo, haverá telões para transmissão dos jogos. Na programação musical, tardes e noites animadas ao som de Aline Calixto, Thiago Delegado, José Miguel Wisnik, Kristoff Silva, Marcelo Veronez, Lula Ribeiro, Celso Adolfo, Cláudio Fraga, entre outros.

Nesta edição, muitas novidades vão agitar ainda mais o evento: o “Fliaraxá Mirim” vai construir atividades dedicadas às crianças na grama e arredores do Grande Hotel.
Além disso, o “Fliaraxá Turismo” vai incentivar as agências a promover visitas guiadas às fazendas produtoras de queijo e cachaça na região e na Serra da Canastra; o “Fliaraxá Empreendedor”, carregado de cursos, workshops e conteúdo, sob a responsabilidade do Sesc, Senac, Sesi e Sebrae; e o “Encontros CBL de Negócios”, a cargo da Câmara Brasileira do Livro.

HOSPEDAGEM
Quem quiser conferir pessoalmente e ainda curtir o castelo e a gastronomia do Tauá, ainda a lugares disponíveis. As diárias estão a partir de R$ 561,85, para duas pessoas, com pensão completa, sendo apenas bebidas e extras pagos no check-out. Mais informações pelo telefone: 34.3669-7020.

ENTREVISTA
Monja Coen fala sobre “O inferno somos nós”


                                                                                                                          Tatiana Ferro/Divulgação

              Monja Coen é hoje a mais conhecida representante do budismo japonês no Brasil

Convidada para falar sobre seu livro “O inferno somos nós: do ódio à cultura de paz” (Ed. Papirus), escrito em coautoria com Leandro Karnal, a Monja Coen se junta a quase outros 120 convidados no VII Festival Literário de Araxá, entre 27 de junho e 1 de julho nas dependências do Tauá Grande Hotel de Araxá (MG). Criada em uma família católica e aluna de colégio de freiras, Monja Coen é hoje a mais conhecida representante do budismo japonês no Brasil. Quem a ouve falar com sua voz suave e ar monástico, dificilmente imagina a longa e inusitada jornada que a trouxe até aqui. Moça de classe média alta do Pacaembu e filha de poetisa, Cláudia de Sousa viveu o movimento hippie em seu epicentro. Prima dos mutantes Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, morou na Inglaterra, onde pensou ter encontrado na lisergia um caminho para algo maior, até ser presa na Suíça por tentar entrar no país com LSD: uma experiência que a aproximaria definitivamente da meditação. Uma trajetória tortuosa mas sempre guiada por uma pergunta insistente: o que é Deus? Monja Coen encontrou no Zen Budismo as respostas que precisava e a ele dedica a sua vida. Além de mãe, avó e sucesso das redes sociais, é jornalista e escritora. Arauto de uma cultura de paz, o que Monja Coen quer mesmo é mudar o mundo e faz isso transformando corações.

Para ela, leitura é hábito, treinamento a ser desenvolvido deste a pré-escola. “Ler é encontrar pessoas e pensamentos. Não precisa ser um processo lento. Nem pode ser rápido demais. Como tudo, há um ponto de equilíbrio. Pais, professores, amigos, televisão, programas na média, nas redes sociais podem e devem estimular a leitura. Novelas, programas populares, programas de rádio - todos os meios de comunicação são co-responsáveis por desenvolver o prazer de ler, aprender, construir realidades, brincar, estudar e ligar-se a pessoas e pensamentos de todos os tempos e lugares. Treinamento e estímulo”, afirmou.

Monja Coen afirma que a palavra escrita pode ajudar as pessoas a lidar melhor com a depressão e outras crises psicológicas. Alguns autores acreditam que a ansiedade pode levar à depressão. “Eu mesma escrevi um livro entitulado ‘O sofrimento é opcional - como o Zen Budismo ajuda a lidar com a depressão’, da Bella Editora de SP. Tenho recebido inúmeros comentários de leitoras e leitores sobre o benefício desse livro na cura e prevenção da depressão. Tenho encontrado pessoas nas ruas que me param para agradecer por terem sido capazes de sair da depressão ao ouvir e ler minhas palavras. Isso é muito confortante para uma escritora”, comentou.

O tema da Fliaraxá 2018, "Alma, Leitura e Revolução", faz Monja Coen lembrar de um filme lindo chamado a "A Costureirinha". O filme que se passava em uma pequena aldeia na China, durante a Revolução Maoista, quando livros foram queimados e destruídos. “Mas, havia um jovem dentista, que preso foi levado a um campo de plantações para trabalhos forçados. Ele havia escondido alguns livros entre seus pertences. Uma jovem costureira pede muito para ser ensinada a ler e começa a ler os livros dele. Sua expansão de consciência a faz questionar todo o sistema político e social em que está encerrada. Ela foge de sua cidadezinha e se vai para um mundo mais amplo e promissor. A força da literatura para mexer em nossa alma, coração, essência e fazer uma grande revolução - o pensamento que se expande, a capacidade de ver a realidade sobre outros ângulos e poder transformar a si e ao mundo à sua volta”, finalizou.
 
SERVIÇO
O QUE: VII Festival Literário de Araxá – Fliaraxá
QUANDO: de 27 de junho a 1 de julho
ONDE: Tauá Grande Hotel de Araxá (Barreiro – Araxá)
ENTRADA FRANCA
MAIS INFORMAÇÕE E PROGRAMAÇÃO COMPLETA: www.fliaraxa.com.br
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