28/05/2018 às 05h33min - Atualizada em 28/05/2018 às 05h33min

Obras do Corredor Segismundo se arrastam há três anos

Corredor estrutural de ônibus e Terminal Novo Mundo não têm data definida para entrega

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
O terminal de ônibus Novo Mundo começou a ser construído há quase três anos | Foto: Vinícius Lemos
  
Pensados para dar mais rapidez e melhorar o tráfego de passageiros da região leste para o centro de Uberlândia, o corredor de ônibus da avenida Segismundo Pereira e o Terminal Novo Mundo não foram concluídos.  Nas próximas semanas as obras completam dois “aniversários” sem que tenham começado a funcionar. A execução do projeto, em junho de 2018, vai entrar no terceiro ano desde que foram iniciadas as obras. Enquanto isso, maio vai terminar e marca dois anos de atraso do prazo inicial de entrega. Com a obra semiacabada, o novo prazo para que o sistema funcione não tem data definida. A indicação é que comece a operar no segundo semestre deste ano.

O trânsito segue complicado para motoristas depois das mudanças na avenida Segismundo Pereira, onde usuários do transporte público também apontam demora e ônibus cheios em horários de pico. Melhorias na sinalização horizontal não foram feitas, ainda que algumas adequações na sinalização vertical tenham sido realizadas em avenidas adjacentes, como na Belarmino Cotta Pacheco e na Ana Godoy de Souza.

Procurada, a Prefeitura disse que não se manifestaria sobre o assunto, mas em uma entrevista coletiva durante a reabertura do Uberlândia Tênis Clube (UTC), na última semana, o prefeito Odelmo Leão respondeu a duas perguntas sobre o corredor e o terminal e afirmou que ambos estão em conclusão. “As lombadas como estavam não poderiam ser entregues daquele jeito. Também as estações de passageiros faltavam vidros, não vou entregar pela metade. Não vou inaugurar, vou entregar para que povo faça uso. Faltava equipamento, um vidro (na cobertura do terminal) e sem ele não tinha condições”, disse Leão.

Em entrevista em janeiro deste ano ao Diário de Uberlândia, quando obras em toda a extensão da avenida e também no terminal foram retomadas, o secretário de Trânsito e Transportes e vice-prefeito, Paulo Sérgio Ferreira, afirmou que até o final de abril o conjunto passaria a funcionar. Foi dito ainda que em dezembro de 2017, Prefeitura e a empresa responsável pelo corredor e pelo terminal firmaram um aditamento de prazo, com ultimato para entrega em condições de funcionamento. Na época, havia cerca de 7% das obras a serem concluídas. Além de ser feita a sarjeta em toda a extensão da avenida Segismundo, seria concluída a parte elétrica, pintura e término de cobertura do terminal Novo Mundo.

FEITO

A reportagem visitou o Terminal e percorreu as avenidas Segismundo Pereira, Belarmino Cotta Pacheco e Ana Godoy de Souza na última semana. Do que foi prometido, a sarjeta foi concluída, assim como postes foram instalados no terminal. As estações ao longo da Segismundo, ainda que precisem passar por limpeza não apresentam, aparentemente, problemas.

A dificuldade de transposição da Segismundo e informações de direção começaram a ser solucionadas, como pôde ser notado na última semana, quando a Prefeitura instalou placas que indicam as ruas que cruzam a avenida e vias paralelas.

A má sinalização foi alvo de uma reportagem do Diário em fevereiro, quando motoristas reclamaram que não conseguiam saber mais por onde transpor o corredor com as mudanças promovidas. Dessa forma há placas na Belarmino, por exemplo, indicando onde fazer conversões em direção a bairros como o Pampulha ou Carajás.

Foram instaladas ainda placas que indicam estacionamento à esquerda na Segismundo. Anteriormente, as placas que indicavam faixa preferencial dos ônibus sobre a faixa de rolamento já haviam sido retiradas, uma vez que o setor será, futuramente, exclusivo para o transporte público, como no projeto original.

NÃO FEITO

Entretanto, a sinalização horizontal, que não indica, por exemplo, a faixa de estacionamento ainda não foi mudada. Mesmo com placas, a sinalização no asfalto continua indicando local de tráfego. Em janeiro, a Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran) também informou que contratos de limpeza e vigilância para o terminal eram preparados, mas nenhuma informação a respeito foi repassada pela comunicação do Município. Na visita ao terminal, a reportagem percebeu a presença de duas pessoas que faziam o trabalho de conservação do lugar, mas não havia segurança. Da mesma forma que a faixa central das coberturas do terminal não estavam finalizadas. O local deve receber uma peça transparente, para completar a cobertura e permitir iluminação natural, como o vidro citado por Odelmo Leão em sua fala durante a semana.

Não há placas nem qualquer outro tipo de sinalização no terminal, que vai receber nove linhas de ônibus para atender, inicialmente, à demanda máxima de 259,2 mil passageiros da região leste de Uberlândia.

Em abril, a Prefeitura informou que a empresa Sinalização de Trânsito Industrializada (Sitran) foi contratada por meio de licitação para serviços como sinalização horizontal e vertical. O contrato prevê ainda instalações de semáforos, placas de identificação de logradouro público e a geometria das vias. Os serviços não são exclusivos para o corredor da avenida Segismundo.

TERCEIRA GESTÃO

Projetos começaram a ser elaborados em 2011

A execução do projeto teve início em junho de 2015 e inclui 11 estações de embarque e desembarque ao longo dos 4,5 km de extensão da avenida Segismundo Pereira, além do Terminal Novo Mundo. Apesar da previsão de entrega para abril de 2016, a data acabou prorrogada por diversas vezes.

O corredor, segundo cálculos da secretaria, deve diminuir em 20 minutos o tempo de deslocamento para o Centro da cidade. Toda a obra tem valor de contrato de R$ 26,77 milhões e no início do ano, cerca de R$ 2,13 milhões ainda estavam para serem pagos, de acordo com o contrato firmado entre o Município e construtora. Não há informações sobre as últimas medições e pagamentos, uma vez que, como a reportagem pôde concluir em observações, há itens a serem finalizados.

PACOTE DE INFRAESTRUTURA

O corredor da avenida Segismundo Pereira faz parte de um pacote de obras de infraestrutura e mobilidade urbana na ordem de R$ 140 milhões já aprovados. Entre os investimentos, 60 estações de embarque e desembarque, quatro terminais (Novo Mundo, Luizote de Freitas, Jardins e Universitário) e a construção de cinco corredores de ônibus: além do citado, haverá outros nas avenidas José Fonseca e Silva (Oeste), Getúlio Vargas (Sudeste), João Pessoa (Norte) e Nicomedes Alves dos Santos (Sul). Os projetos datam da segunda administração de Odelmo Leão, em 2011, passaram pelo governo Gilmar Machado, quando foi iniciado o corredor da Segismundo.

ESPECIALISTAS

Quanto maior a frota, maior importância de soluções viárias

O crescimento da capacidade viária não acompanha o desenvolvimento da cidade e de sua frota, e há um consenso entre especialistas em trânsito que com isso cresce também a importância do transporte público de pessoas. Corredores como o da Segismundo Pereira, que espera a implantação, ou mesmo o da avenida João Naves de Ávila, então, tornam essenciais, como salientou a especialista em planejamento urbano e trânsito Denise Labrea Ferreira. “Você pode trocar 60 veículos por um ônibus, com capacidade para 80 pessoas. No caso de Uberlândia usamos veículos de média. O transporte público é a solução, mas ele tem que ter prioridade no deslocamento, com os corredores você aumenta a velocidade média dele”, afirmou.

No caso de um terminal como o do Novo Mundo, a importância ainda recai sobre conforto. “Os ônibus enchem antes de chegar à Segismundo e não conseguem pegar ninguém mais. Quando você tem linhas mais curtas, elas passam de 10 em 10 minutos e distribuem no Terminal. De lá pode sair com uma linha tronco expressa até o Terminal Central e há ainda linhas tronco paradoras. Assim você aumenta número de viagens e reduz custo e tempo de viagem”, explicou.

PROBLEMAS

Labrea fez parte da equipe que desenhou os corredores para Uberlândia ainda no fim da última década. Segundo a especialista, os problemas na Segismundo começam por mudanças no projeto, como transformar a faixa exclusiva dos ônibus em preferencial. Ela ainda informou que a existência de vários semáforos na via, contudo, não é problema em relação à agilidade. O que deveria ser feito para sincronia dos semáforos era a instalação de indutores na pista, interligados com Central de Tráfego em Área, para criar um sistema semafórico que ajude na fluidez.

POPULAÇÃO

Aguardando o ônibus e a melhora no dia a dia

Usuária do sistema de transporte público, a passadeira Maria Abadia Alves diz que não tem muita esperança que o terminal do Novo Mundo comece a funcionar tão cedo. O marido era motorista de uma das empresas que prestam o serviço na cidade e contou que ele até imaginou que poderia ter sido uma vantagem extra para a família, que mora no bairro Alvorada, ao lado do terminal. “Perto de casa, facilitaria pra todo mundo”, disse. Mas passados três anos, o marido dela deixou a profissão e Maria Abadia segue esperando ônibus no ponto próximo de sua casa. “Faltam ônibus e com o terminal pode ser que haja mais carros disponíveis. Agora andam sempre cheios. Deixo para vir mais tarde para evitar a lotação, mas na volta do dia, perto das 17h não tem jeito”.

A babá Vumailda Silva, moradora do bairro Novo Mundo, disse que já viu os ônibus passarem tão cheios que não pegavam mais passageiros. Além disso, a falta de sincronia entre os semáforos na avenida Segismundo Pereira faz a viagem se tornar mais longa. “A gente gasta quase uma hora até o centro”, afirmou.

E ambas concordam com a fala de Amanda Rosa, que costuma pegar ônibus entre segunda e sexta-feira, no ponto ao lado da obra do terminal, que continua fechado. “Até que não tem problema com ônibus. No terminal (contudo) teria mais estrutura (para abrigar passageiros em espera)”, disse.
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