25/05/2018 às 09h54min - Atualizada em 25/05/2018 às 10h28min

Caminhoneiros dizem não se sentir representados em acordo

Paralisação nas rodovias chega ao 5º dia; Ainda há bloqueios na BR-050 e na BR-365

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER COM FOLHAPRESS | RIBEIRÃO PRETO
 
Nas rodovias do país, a insatisfação toma conta dos caminhoneiros autônomos que mantêm o movimento grevista nesta sexta-feira (25), mesmo após o anúncio de acordo feito na noite de quinta (24) em Brasília.

Após a divulgação do acordo, se sabia que possivelmente o movimento não seria interrompido em sua totalidade, já que uma fração dos representantes da categoria demonstrou descontentamento com o documento do governo. As horas seguintes apenas confirmaram isso, inclusive com a ampliação de protestos em alguns estados, como Paraná e Santa Catarina.

Nas rodovias próximas a Uberlândia ainda há caminhoneiros parados na manhã desta sexta-feira (25). De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da MGO Rodovias (concessionária que administra trechos da BR-050 na região), na BR-050, saída para Uberaba, os manifestantes mantêm os dois sentidos da rodovia fechados na altura do KM 85. Há caminhões parados nos acostamentos e uma faixa está liberada para veículos como carros de passeio e ambulâncias, por exemplo. Na mesma via, em Uberaba a situação é a mesma no KM 176 e no KM 179. Em Delta, já na divisa com São Paulo, a BR-050 também está bloqueada no KM 207. Em Araguari, os manifestantes fecharam para caminhões o KM 36 no sentido Goiás, próximo dos viadutos de acesso à cidade. Os veículos de carga são direcionados para postos no entorno.

Enquanto isso, na BR-365, no município de Monte Alegre de Minas, a manifestação segue parando os veículos de carga na altura do KM 690. Tráfego liberado para ônibus e automóveis. Em Ituiutaba, há interdição para caminhões no KM 758 da rodovia, com liberação para demais veículos.

DESACORDOS

"Nada chegou para nós, não estávamos na reunião e o que foi decidido não é a vontade de todos", disse o caminhoneiro Waldemar Oliveira, que participa do protesto no porto de Paranaguá (PR), iniciado às 6h da última segunda-feira (21). O local tem interdição de meia pista, segundo grevistas e a PRF.

No rodoanel, em São Paulo, caminhoneiros também alegam que "nada chegou" para eles das lideranças do movimento grevista e que as conversas com o governo federal não tiveram participação deles.

O discurso se repete na região do porto de Santos, que segue bloqueada por caminhoneiros que alegam que não se sentiram representados pelas entidades presentes à reunião em Brasília.

O mesmo acontece no interior paulista. Em Ribeirão Preto, manifestantes instalados no entorno do terminal de petróleo da cidade dizem que não tiveram nenhum tipo de participação no acordo na capital federal.

"Não adianta ser do jeito que foi, o governo só quer ganhar tempo e ver se nossos protestos perdem força", disse o caminhoneiro João Cardoso dos Santos.
Um grupo com motoristas de Ribeirão e cidades da região se reveza há pelo menos dois dias no local, que fica na rodovia Alexandre Balbo. Os caminhões estão sendo impedidos por eles de entrarem ou saírem do local, exceto se tiverem combustível para abastecer ambulâncias.

Com faixas como "O transporte pede socorro" e "Sem caminhão, o Brasil para", os caminhoneiros têm se organizado por meio de grupos no Whatsapp e dizem que a revolta é geral.

Na madrugada desta sexta-feira (25), a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) informou que está elaborando documento oficial sobre a reunião com o governo "para enviar inclusive às lideranças dos caminhoneiros no país".

A avaliação de pessoas próximas às lideranças dos caminhoneiros autônomos é a de que algumas entidades deixaram o encontro com o governo insatisfeitos, mas entendendo que o acordo foi a saída para evitar o agravamento do desabastecimento.

COMO ESTÁ, FICA

Os grupos de trocas de mensagem entre caminhoneiros mudaram as fotos na noite desta quinta (24) para uma em que diz "a greve continua", após o anúncio do acordo do governo com oito entidades da categoria. Os motoristas autônomos disseram que não deixarão as rodovias.

"Os supostos sindicatos que estão negociando não representam os caminhoneiros que estão na rua", disse o motorista Aguinaldo José de Oliveira, que trabalha com transportes há 22 anos e para quem o movimento não tem um líder específico.

"São uns aproveitadores que não falaram com a gente antes da greve e chegaram agora, quando já estava tudo parado", afirma o caminhoneiro que está na avenida Anhanguera, em Campinas. "Nos mais de 30 grupos de WhatsApp que participo, ninguém aceitou esse acordo."

Segundo ele, os caminhoneiros pretendem manter a paralisação porque o acordo não atinge as suas principais reivindicações. "São 14 itens que a gente nem conhece. O principal é a redução do diesel, mas não essa esmola temporária de 15 centavos."

Segundo o documento, o governo irá manter a redução de 10% do valor do diesel nos próximos 30 dias.

*Atualizada às 10h28 de 25/05/18 para acréscimo de informações
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