24/05/2018 às 18h24min - Atualizada em 24/05/2018 às 23h31min

Diretor-geral do Dmae é preso pela Operação Poseidon

Equipes do Gaeco cumpriram hoje 21 mandados em Uberlândia e Araguari

VINÍCIUS LEMOS E MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTERES
 
O atual diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Cláudio Paes de Almeida, foi preso na noite desta quinta-feira (24) durante a terceira fase da Operação Poseidon, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). No total, nove mandados de prisão temporária e 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Uberlândia e Araguari.

A terceira fase da operação investiga desvios de verbas que podem chegar a R$ 12 milhões em obras do Dmae de Uberlândia. As prisões ocorreram após indícios dos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), foram presos os sócios proprietários da empresa Araguaia Engenharia Ltda, EMEC Engenharia e Construções Ltda e Tecsan Engenharia Ltda, além de uma ex-funcionária da Araguaia. 

Um ex-diretor presidente e um ex-diretor técnico do Dmae também foram presos preventivamente. Segundo informou o site G1 Triângulo Mineiro, tratam-se, respectivamente, de Carlos Henrique Lamounier Borges e do ex-vereador David Thomaz, que já foram alvos de outras fases da operação. Os mandados foram cumpridos nas residências dos investigados e nas sedes das empresas.

Os presos foram levados para a Delegacia de Plantão da Polícia Civil. A redação do Diário de Uberlândia entrou em contato com a Prefeitura de Uberlândia para pedir posicionamento sobre a prisão de Cláudio Paes, mas até o fechamento desta página às 22h, não houve retorno.

AUDIÊNCIA

A terceira fase da operação aconteceu na mesma manhã em que foi marcada uma audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para debater a atuação e os procedimentos adotados pelo Gaeco de Uberlândia. Foram convidados para a reunião representantes do Ministério Público, do Judiciário, da OAB, da Polícia Civil e da sociedade em geral. 

A reunião na ALMG foi proposta pelo deputado Arnaldo Silva (DEM), que informou ter recebido denúncias de condutas problemáticas do Gaeco em operações anteriores. O deputado foi um dos fundadores do escritório Ribeiro Silva, do qual se afastou quando ingressou na carreira política. O escritório de advogados é investigado na Operação Isonomia, também do Gaeco. 

POSEIDON

A Operação Poseidon partiu de uma representação protocolada no Ministério Público Estadual (MPE) pelo vereador Thiago Fernandes (PRP), em outubro do ano passado, apontando indícios de crimes praticados na execução dos contratos entre a autarquia e a empreiteira.

Segundo a denúncia feita pelo MPE, os desvios de verbas estavam ligados a três contratos do Dmae com a Araguaia Engenharia, firmados nos anos de 2009 e 2010, com valor total de R$ 97,5 milhões. Assim, independentemente da realização das obras Araguaia, eram apresentadas medições como se tivessem sido cumpridos os termos contratuais por ordem de Daniel Vasconcelos e de seu funcionário e procurador João Paulo Voss. 

Ainda conforme o MPE, do lado do departamento de água, os diretores Epaminondas Mendes e David Thomaz determinavam que Manoel Calhau e, posteriormente, Carlos Lamounier aprovassem as medições sem qualquer questionamento.
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