22/05/2018 às 08h46min - Atualizada em 22/05/2018 às 08h46min

UFU realiza debate sobre Luta Antimanicomial

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
Fernanda Nocam diz que os trabalhos de saúde mental na cidade caminham dentro do estipulado pela Reforma Psiquiátrica | Foto: Mariely Dalmônica
 
Em decorrência do Dia de Nacional da Luta Antimanicomial, que foi celebrado na semana passada, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) irá promover amanhã uma roda de conversa sobre a Lei da Reforma Psiquiátrica. O evento será realizado no anfiteatro do bloco 2A do campus Umuarama e contará com a participação do sociólogo, professor e ex-deputado Paulo Delgado, que também é autor da lei.

Segundo Delgado, a lei federal foi aprovada há 17 anos com o objetivo de oferecer um atendimento humanista e estabelecer um diálogo terapêutico entre os pacientes e os profissionais. “A doença mental precisa de convivência, e na região de Uberlândia existe um grande avanço [na forma de tratar]. Eu fico honrado em participar deste debate. Pretendo contar um pouco da história da loucura no Brasil e como ela foi encarada ao longo dos anos. Nós conseguimos fazer com que os direitos humanos avançassem, mas ainda falta evoluir nesse aspecto [da luta antimanicomial]”, disse o sociólogo.

Fernanda Nocam é psicóloga e professora no curso de Medicina da UFU. Ela está coordenando a Semana da Luta Antimanicomial e irá mediar a roda de conversa. “O funcionamento dessa reforma precisa levar em conta a gestão dos hospitais. No HC-UFU temos a enfermaria psiquiátrica com 20 leitos. Ela é integrada ao hospital, mas é um pouco afastada. Os funcionários agem de forma humanizada e concordam com a Reforma Psiquiátrica”, afirmou Fernanda.

A psicóloga ainda disse que a proposta da lei é que as pessoas só sejam internadas quando realmente for necessário. “A reforma defende que o paciente seja tratado no âmbito familiar. E a família tem que ser apoiada pelo serviço de saúde. Temos a proposta de um acompanhamento terapêutico, onde um psicólogo analisa este paciente durante a reinserção do mesmo na sociedade”, disse.

Para Fernanda, os trabalhos de saúde mental realizados na cidade caminham dentro do estipulado pela Lei da Reforma Psiquiátrica.
 
MUNICÍPIO
 
Atualmente, mais de 15 mil pessoas são atendidas pelo Programa Saúde Mental da Prefeitura Municipal de Uberlândia. O atendimento é feito nas seis unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), sendo que uma delas é focada no atendimento infantil.

“Hoje, o atendimento em saúde mental é feito em atenção primária pelas unidades de saúde do município e pelos Caps. Duas unidades do Caps têm atendimento 24 horas e oferecem leitos à noite e nos fins de semana. E em casos de urgência, temos oito pontos de pronto atendimento das Unidades de Atendimento Integrado”, disse Waleska Rodrigues, apoio técnico do programa.
 
SERVIÇO

O QUE: roda de conversa “A Reforma Psiquiátrica como Instrumento para a Promoção da Dignidade Humana”
LOCAL: anfiteatro do bloco 2A do Campus Umuarama da UFU
DATA: amanhã
HORÁRIO: das 8h às 12h
CONVIDADO: Paulo Delgado – autor da lei Reforma Psiquiátrica
INSCRIÇÕES GRATUITAS (no local)

PARTICIPANTES:

Ana Clara Naves da Silveira – Advogada (OAB)
Alexandre Henrique Rosa – Médico Psiquiatra (HC-UFU / CAPS-AD)
Luiz Carlos Oliveira Junior – Docente Psiquiatra (HC-UFU)
Allan Kardec de Oliveira – Enfermeiro (HC-UFU)
Maria Aparecida de Araújo – Assistente Social (HC-UFU)
Marisa Alves – Psicóloga
Mediadora: Fernanda Nocam (Psicóloga)
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