14/05/2018 às 15h58min - Atualizada em 14/05/2018 às 15h58min

Preço do mesmo remédio em Uberlândia pode variar mais de 800%

Levantamento do Diário mostra que mesmo medicamento pode custar R$ 1,70 em uma drogaria e R$ 12,71 em outra

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
  
A aposentada Ilma Cunha, de 74 anos, toma cerca de 20 remédios diferentes todos os dias para tratar da diabetes, da hipertensão e da doença renal crônica. Os remédios prescritos pelos três médicos que ela frequenta ficam em torno de R$ 1.500 por mês. “Eu separo uns R$ 2 mil por mês, é muito remédio. De vez em quando tomo analgésicos também, só não posso tomar anti-inflamatório”, conta.

Todos os anos, o Governo Federal anuncia um reajuste nos preços dos medicamentos no dia 1º de abril. De acordo com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), em 2018 os medicamentos comercializados no país sofreram um dos menores índices de reajuste dos últimos 12 anos, 2,84%.

No entanto, os consumidores que querem encontrar preços mais baixos no mercado precisam pesquisar. E muito.

Na lista dos 10 remédios mais vendidos no ano passado, de acordo com a Interfarma, o Diário de Uberlândia encontrou uma variação maior que 800% entre um estabelecimento e outro.

O Diário pesquisou preços em cinco drogarias de Uberlândia, e a maior diferença encontrada foi no preço do Puran T4 de 50mg. O remédio é usado para reposição hormonal em pacientes com hipotireoidismo. Ele pode ser encontrado por R$ 1,30 na Pague Menos ou por R$ 12,71 na Droga Líder, a variação é de 877,69% nos estabelecimentos pesquisados.

Outro medicamento que tem variação de preços é o Aradois de 50mg com 30 comprimidos. Ele pode ser comprado por R$ 9,47 na Drogão Super e por R$ 44,39 na Drogasil. A variação é de 368,74%, mas esse medicamento também pode ser adquirido de graça com receita em mãos em farmácias que fazem parte do programa Farmácia Popular. A caixa de Torsilax, conhecido relaxante muscular, com 30 comprimidos, sofreu variação de 139,8% no mercado. Ele pode ser encontrado por R$ 12,99 na Drogaria Farmais ou por R$ 31,15 na Drogasil.

A menor variação encontrada foi de 2,46% no Annita, remédio indicado para o tratamento de gastroenterites virais, com 6 comprimidos. O menor valor encontrado foi de R$ 56,60 na Pague Menos e o maior, de R$ 64,48 na Drogasil.

João Miguel é farmacêutico e conta que recebe muitos clientes que estão pesquisando valores em diferentes farmácias. “Antes não acontecia muito, mas de um ano para cá, muitos consumidores começaram a pesquisar. Alguns clientes sabem que certo remédio é mais caro e já chegam pedindo o genérico, por ser mais barato. Outras pessoas não aceitam essa troca e preferem pesquisar mais para levar o remédio prescrito”, disse.

É o caso de Ilma e da filha Ana Luiza Cunha, que têm o costume de fazer pesquisas em diferentes farmácias, mas quase sempre compram no estabelecimento onde o atendente já sabe “de cor” o que aposentada precisa. “Mês passado fomos a uma farmácia e a diferença no final foi de R$ 20. Estamos sempre procurando preços mais baixos, mas acabamos optando pelo atendimento. Recebemos muita atenção no local onde costumamos comprar”, diz Ana.
 
CONTROLE 

Ana Luiza Cunha é enfermeira e ajuda a mãe na organização dos remédios diariamente. “Eu separo os medicamentos da hipertensão em caixinhas para a minha mãe, eles são a maioria. Todos são em horários diferentes, cinco remédios pela manhã, cinco à noite e outros de oito em oito horas”, afirmou a filha. Ilma disse descontraída que seria mais fácil se pudesse tomar todos os remédios no mesmo horário.

Segundo Ana Luiza, a mãe toma exatamente 22 remédios por dia, com exceção de outros dois que devem ser usados em casos específicos. “Alguns, nós conseguimos pegar no SUS (Sistema Único de Saúde), mas inúmeras vezes eles estão em falta e nós temos que comprar. O mais caro é a insulina, que custa cerca de R$ 500”, afirmou.

Alguns medicamentos usados por Ilma têm preços mais altos, mas a filha fez um cadastro no laboratório e consegue até 30% de desconto todos os meses. Outros remédios, como o Aradois, que é indicado para quem sofre de insuficiência cardíaca, pode sair até de graça se a drogaria fizer parte do programa Farmácia Popular.

PESQUISA

Remédios similares são preferência

De acordo com uma pesquisa realizada no mercado farmacêutico brasileiro e divulgada pela Interfarma, 62% dos consumidores optaram pela compra de medicamentos similares no último ano. Já 19% optaram por genéricos e os outros 19% preferiram comprar o medicamento de referência.

José Jesus é balconista em uma drogaria e trabalha no setor farmacêutico há sete anos. Ele disse que a maioria dos consumidores prefere o remédio de referência ou o similar. “Conheço bem o comportamento dos clientes. Quando a diferença do valor do genérico é pouca, tem uma certa resistência do cliente, mas quando é de quase 50%, os clientes compram. O Annita é um exemplo, ele tem um genérico que sai quase pela metade do preço. Por mais que o Annita venda bastante, muitos clientes preferem o genérico pela grande diferença no valor”, afirmou.

Segundo Chelara Freitas, da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Uberlândia, nenhuma reclamação em relação aos medicamentos foi feita recentemente. “Se a comunidade perceber algum tipo de abuso pode entrar em contato com a gente. Se o consumidor quiser registrar uma reclamação é preciso agendar horário por telefone (3291-1600), e-mail ([email protected]) ou pessoalmente na sede do Procon, que fica na avenida Afonso Pena, 1612, no bairro Aparecida”, explicou Chelara.

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