03/05/2018 às 08h02min - Atualizada em 03/05/2018 às 08h02min

Partido Novo lança pré-candidaturas

Partido apresentou em Uberlândia nomes da iniciativa privada para a Presidência da República, Governo Estadual e Senado

WALACE TORRES | EDITOR
Romeu Zema e João Amoêdo se reuniram com empresários e outros setores na cidade | Foto: Thúlio Suriani
  
Uberlândia foi sede ontem do lançamento da pré-candidatura no Triângulo Mineiro dos nomes que irão representar o Partido Novo na disputa majoritária deste ano. Fundado em 2011 e com registro da Justiça Eleitoral desde 2015, o Novo chega à sua primeira disputa para cargos estaduais e federais com um perfil de candidatos que vieram da iniciativa privada.

É o caso do pré-candidato à Presidência da República, João Dionísio Amoêdo, do nome escolhido para disputar o Governo de Minas, Romeu Zema, e do indicado ao Senado, Rodrigo Paiva. Os três participaram do evento em Uberlândia, realizado no Center Convention, e também de outros compromissos na cidade, como um almoço com empresários na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

O foco do debate foi apresentar os ideais defendidos pelo Novo, que tem algumas regras internas diferentes de outras legendas tradicionais. O partido não utiliza recursos do fundo partidário na campanha, não aceita candidato ou ocupante de cargo eletivo acumulando a direção da legenda, exige a regra da Ficha Limpa tanto para candidatos como filiados e não permite que filiado eleito em cargo do Legislativo se candidate a mais de uma reeleição para o mesmo cargo.

Em 2015, o Novo participou da eleição municipal lançando candidatos a vereador em cinco capitais, tendo obtido uma vaga em quatro Câmaras Municipais (Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro).

“(O Novo) É um projeto a longo prazo, não vamos fazer atalhos. Só que 2018, por toda crise política, por toda crise econômica, por um nível de conscientização maior das pessoas na política, nós entendemos que pode ser um ano de mudança. Então o Novo decidiu lançar candidatos a deputado federal e a senador e, ao mesmo tempo, ter uma candidatura a Presidência”, disse João Amoêdo, que é empresário carioca formado em Engenharia Civil e Administração de Empresas.  

“Eu nunca tinha me imaginado concorrendo a um cargo eletivo, mesmo depois da criação do partido, porque imaginava que estivesse na condução do partido. Mas o momento me exigiu isso e é uma oportunidade única para o Novo de expor suas ideias e princípios e aproveitar a demanda por renovação”.

Entre os pilares que serão defendidos na candidatura à Presidência estão o fim dos privilégios para membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; a descentralização do poder a partir de um novo pacto federativo que dê mais autonomia a estados e municípios; privatização de empresas estatais; a desburocratização de processos e desoneração dos setores produtivos; e a melhoria da segurança pública.

Ao longo da campanha, o Novo também pretende antecipar parte da eventual equipe de governo. “A gente quer trabalhar com 10 a 12 ministérios e definir alguns titulares para mostrar que a indicação é técnica, de gente que tem experiência e competência e não necessariamente de indicação política”, aponta Amoêdo.

Um dos desafios da candidatura será o tempo reduzido de campanha e o pouco espaço no horário eleitoral, uma vez que o Novo não tem intenção de fazer coligações – o nome do candidato a vice também deve ser escolhido entre os filiados. O partido espera suprir essa questão investindo na divulgação em mídias sociais e na realização de eventos envolvendo diversos setores – já foram mais de 900 encontros pelo país durante a pré-campanha.

“Num ambiente em que você quer privilegiar a renovação, novos nomes, o ideal é que as pessoas tivessem mais tempo de aparecer e se expor para que a população pudesse fazer suas escolhas com mais informação. O modelo atual impede a renovação e a impede concorrência”, diz.
 
GOVERNO DO ESTADO 

Empresário de Araxá, no Alto Paranaíba, o pré-candidato ao Governo de Minas pelo Novo, Romeu Zema, pretende visitar cerca de 300 municípios até outubro – a previsão inicial era percorrer 500 cidades, mas foi revista. A comitiva tem percorrido o Estado de carro, o que na avaliação do pré-candidato, facilita pela logística e pelo melhor entendimento dos problemas vivenciados pela população. Ele cita como exemplo o investimento na duplicação de parte da BR-262 que contemplou um trecho de menor movimento em detrimento a outro de grande fluxo.

“De Prata até Uberaba passa em Campo Florido e tem 50 km de asfalto duplicado. Ali deve passar um carro a cada cinco minutos, aí você pega a mesma BR-262 em direção a Belo Horizonte totalmente congestionada e com pista simples, porque o processo de concessão foi o seguinte: a concessionária teria que duplicar 10% do trecho da rodovia e eles escolheram o trecho plano, e não onde precisava para o usuário. Ou seja, até as concessões no Brasil são mal conduzidas. E você vê claramente isso andando”, disse.

A pré-candidatura ao governo estadual também deve apresentar nomes de eventuais secretários ainda na fase de campanha. Zema disse que as escolhas não serão ideológicas, mas por afinidade às áreas contempladas, podendo ter representantes ligados a outras legendas.

“Não vejo nenhum problema (em ser de outro partido). Se ele entrar e desempenhar bem, ele está com o lugar garantido. É igual numa empresa, você não pergunta o partido. Nós queremos que o Estado devolva para o cidadão coisas boas e que ele seja eficiente. E ser eficiente precisa de bons profissionais. Vai ser uma mudança de paradigma.”

Para o Senado, o Novo irá lançar apenas o nome do empresário Rodrigo Paiva, de Belo Horizonte, que é formado em Engenharia com especialidade em tecnologia da informação.
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