15/04/2018 às 05h46min - Atualizada em 15/04/2018 às 05h46min

Cultura alternativa no Arte na Praça

Festival Cena Cerrado tem seis shows em seu último dia e traz Medulla pela primeira vez a Uberlândia

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA

Termina hoje a primeira edição do Festival Cena Cerrado, que começou na segunda-feira (9) com mesas de debates e shows gratuitos em diferentes locais de Uberlândia. Os shows acontecem em parceria com o festival Arte na Praça, na Praça Sérgio Pacheco, a partir das 13h. As atrações são as bandas mineiras Cachalote Fuzz, Vaine & Kainã Bragiola, Santa Pipe e Canábicos e ainda a carioca Medulla e a pernambucana Tagore.

Com 13 anos de estrada o Medulla fará seu primeiro show em Uberlândia. “Estamos muito ansiosos para tocar aí. Sempre recebemos muitas mensagens do pessoal de Uberlândia e outras cidades da região. Estivemos perto algumas vezes de fechar alguma data, mas só agora deu certo”, disse o baixista Tuti, em entrevista ao jornal Diário de Uberlândia.

Recentemente as mensagens dos uberlandenses mostram curiosidade sobre o setlist que será apresentado hoje. “Não revelamos muita coisa, preferimos surpreender”, disse o músico logo depois de sair de uma reunião para definir algumas ações para o lançamento do próximo disco da banda, ainda sem data pra sair. 

“Estamos em estúdio e gosto muito dessa fase. É um momento em que estamos ali, juntos, criando canções que não sabemos ainda exatamente como vão soar”, afirmou ele, sem dar certeza se haverá alguma música inédita no setlist deste domingo.

Entre 2005 e 2016 o Medulla passou por algumas mudanças na formação, lançou dois álbuns full lenght e outros cinco compactos. O álbum mais recente é “Deus e o átomo” (2016). Para Tuti esse é o disco que definitivamente mostra o que é o Medulla. 

“As mudanças pelas quais o mercado passou nos últimos anos são positivas para a banda no ponto de vista criativo. Elas fazem com que a gente não fique preso a um sistema ou a um formato. Como artistas, corremos o risco, às vezes, de criar uma fórmula e seguir confortável ali. O Medulla sempre foi comprometido com a época em que vive”, explicou o baixista.

Para o músico, as mudanças políticas, sociais e culturais pelas quais passamos refletem não só na parte criativa como também na vida pessoal de cada um dos integrantes e quando tudo isso converge a música surge naturalmente.

“Foram dez anos entre um álbum cheio e outro. Essa formação se consolidou com ‘Deus e o átomo’ que teve um resultado surpreendente pra gente”, comentou Tuti. Além dele o Medulla conta com Keops & Raony (voz) e Alex Vinícius (guitarra/synth). Segundo o baixista, no show de hoje o guitarrista Alex Vinícius, que precisou viajar para os Estados Unidos, será substituído por Rafael Brasil, guitarrista da Far From Alaska.

ESTRADA

O baixista Tuti aprecia tudo que está relacionado à vida de músico. Ex-integrante do Magüerbes, na qual ficou entre 1994 e 2017, ele sabe tirar o melhor desde os dias trancafiado nos estúdios ensaiando ou gravando e também a hora de cair na estrada e fazer os shows. 

“No estúdio tem aquele lance de estarmos ali, só a gente, com todo aquele mistério sobre o que será que virá e como as pessoas receberão isso. Já estou com mais de 20 anos de carreira e nesse período não me lembro de ficar dois meses longe da estrada. Quando acontecia ficava até meio perdido. O momento do palco é outro sem explicação. A troca que rola com a plateia é maravilhosa. Recebemos muita energia. Somos meio que um espelho de quem vê a gente e essa experiência é transformadora”, afirmou Tuti.

A trajetória no Mangüerbes foi valorosa, tanto que, até hoje, Tuti sente um pouco a dor da saída. “Tive que sair para continuar com outras coisas mas sou muito grato a tudo que a banda me proporcionou. Me formei como designer gráfico para fazer trampos legais pra gente, montei uma agência de marketing digital voltado para música... Acho que se não fosse por eles eu seria jogador de futebol porque gostava de jogar futebol pra caramba”, recorda o músico.

Apesar de ser uma banda carioca ninguém do Medulla nasceu no Rio de Janeiro. Tuti, por exemplo, é natural de Americana (SP). Atualmente todos os integrantes residem em São Paulo. 

NEOPSICODELIA

Cachalote Fuzz gravará videoclipe com Tagore

Entre as atrações de hoje do primeiro festival Cena Cerrado está a banda uberlandense de neopsicodelia Cachalote Fuzz. 

O quarteto formado por Iuri Resende (baixo e voz), Marcelo Chiovato (guitarra), Guilherme Vasconcelos (guitarra) e Arthur Rodrigues (bateria) está preparando novidades.

Segundo o baterista Arthur Rodrigues, que também é o idealizador do festival, durante esta semana a banda gravará um videoclipe com a participação da banda pernambucana Tagore, outra atração deste último dia de cena.

As gravações vão acontecer em Uberlândia. A Tagore e passará alguns dias na cidade.

A Tagore vem de duas apresentações recentes e grandes festivais, o SXSW, nos Estados Unidos, e na versão brasileira do Lollapalooza. Eles fazem hoje o último show da turnê do disco “Pineal” (2016). Depois, Tagore Suassuna (cantor e compositor), João Cavalcanti (baixo e teclados), Alexandre Barros (bateria), Julio Castilho (guitarra) e Caramurú Baumgartner (percussão, teclado e voz) voltam ao estúdio para gravação do disco novo que deve ser lançado ainda neste ano.

Na apresentação de hoje o repertório deve transitar por canções de “Pineal”, e “Movido a Vapor” (2014); além de uma canção inédita do novo disco, que vem sendo idealizado desde o ano passado: “Fantástica Companheira”. A música foi apresentada pela primeira vez no palco do Lollapalooza.

SERVIÇO

O QUE: Festival Cena Cerrado - Arte na Praça
SHOWS: Medulla (RJ); Tagore (PE); Cachalote Fuzz (MG); Vaine & Kainã Bragiola (MG); Canábicos (MG) e Santa Pipe (MG)
QUANDO: Hoje, das 10h às 22h
ENTRADA FRANCA
CLASSIFICAÇÃO: Livre
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