12/04/2018 às 05h22min - Atualizada em 12/04/2018 às 05h22min

Minas registra 12 casos de Influenza

Uberlândia já teve uma ocorrência de Síndrome Respiratória Aguda Grave pelo vírus da gripe neste ano

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
Pessoas acima de 60 anos de idade estão entre o público-alvo da campanha de vacinação contra a Influenza | Foto: Valdo Leão/Ascom AM

Doze casos de Influenza foram registrados neste ano em Minas Gerais, de acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta semana pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Uma das ocorrências foi em Uberlândia. Nenhum dos casos evoluiu para óbito.

Ainda de acordo com informações da SES, foram registradas 348 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 222 amostras coletadas para exames. Dos 12 casos de SRAG causados pelo vírus influenza, dez foram do tipo A, sendo oito ocasionadas pelo vírus com o subtipo A/H3 sazonal. Os outros dois foram identificados como Influenza B.

O caso em Uberlândia foi diagnosticado como Influenza A/H3 sazonal. A Secretaria Municipal de Saúde informou que a paciente já foi tratada e recebeu alta.
Além de Uberlândia, foram registrados casos em Belo Horizonte, Contagem, Varginha, Araguari e Juatuba (Influenza A), além de Juiz de Fora e Lagoa Santa (Influenza B).

De acordo com Marcelo Sinicio, médico da vigilância epidemiológica da Prefeitura, o vírus H3N2 pode ser o de maior circulação neste ano, já que foi o tipo mais comum no inverno do hemisfério norte. “A tendência é que predomine o mesmo vírus no hemisfério sul.”

No último ano, a Superintendência Regional de Saúde de Uberlândia registrou quatro casos de Influenza A/H3N2 sazonal entre janeiro e abril.

Segundo Sinicio, é necessário diferenciar a gripe de um resfriado comum. O vírus da influenza traz sintomas mais intensos para o paciente e algumas vezes pode até atingir os pulmões. Tanto a Influenza A, quanto a B têm como principais sintomas a febre aguda, seguida de tosse, dor de garganta, dor de cabeça e dor no corpo. Nos casos de H1N1, a falta de ar também é um sintoma.
 
PREVENÇÃO
 
Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde da Superintendência Regional de Saúde de Uberlândia, Rosana Gervásio, higienizar as mãos, evitar locais muito aglomerados e se vacinar são as recomendações para se prevenir contra a influenza. “Também é importante estimular a utilização de copos de água individuais e utilizar a etiqueta da tosse, usando o manga da blusa para proteção da boca ao tossir ou espirrar”, afirmou.

Prevista para iniciar na próxima segunda-feira (16), a campanha de vacinação contra a Influenza foi adiada para o dia 23. O Dia D de imunização irá acontecer no dia 12 de maio.

A alteração na data se deve ao atraso da entrega do imunobiológico pelo Instituto Butantan, produtor da vacina. Segundo o Ministério da Saúde, mesmo com o adiamento, a campanha irá ocorrer antes do pico de transmissão do vírus influenza no país, que ocorre no mês de julho.

O público-alvo da campanha é composto por pessoas acima de 60 anos de idade, gestantes, puérperas, crianças de seis meses a menores de cinco anos, portadores de comorbidades clínicas, trabalhadores de saúde que atuam em serviços com atendimento público e professores.

O restante da população que não se enquadra no grupo de risco pode se vacinar em alguma clínica particular.

ORIENTAÇÃO

Saiba mais sobre as vacinas contra a gripe disponíveis no Brasil

AGÊNCIA BRASIL | BRASÍLIA

A influenza, comumente conhecida como gripe, figura entre as viroses mais frequentes no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 10% da população seja infectada anualmente por algum tipo de vírus influenza e que 1,2 bilhão de pessoas apresentem risco elevado para complicações relacionadas à doença. Entre elas, 385 milhões de idosos acima de 65 anos, 140 milhões de crianças e 700 milhões de pessoas com doenças crônicas.

Causada por mais de um tipo de vírus, classificados como A e B, a influenza tem diversos subtipos. Os subtipos A que mais frequentemente infectam humanos são H1N1 e H3N2, ambos com casos já notificados este ano no Brasil. Os subtipos B, por sua vez, são classificados como de linhagem Victoria e Yamagata. As informações são da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) que publicou uma série de perguntas e respostas sobre os diferentes tipos vacina utilizadas no país.

Confira abaixo os principais trechos da nota técnica divulgada pela entidade.
 
Como funcionam as vacinas contra a influenza usadas no Brasil?

As vacinas influenza disponíveis no Brasil são todas inativadas (feitas com vírus morto), portanto, sem a capacidade de causar doenças. Até 2014, estavam disponíveis no país apenas as vacinas trivalentes, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B (linhagem Yamagata ou Victoria). As novas vacinas quadrivalentes, licenciadas desde 2015, contemplam, além dessas três, uma segunda cepa B, contendo em sua composição, as duas linhagens de Influenza B: Victoria e Yamagata. Em 2018, as vacinas trivalente e quadrivalente terão uma nova cepa A/H3N2 (Singapore), que substituirá a cepa A/H3N2 (Hong Kong) presente no ano anterior.
 
Qual vacina será utilizada na campanha deste ano feita pelo Ministério da Saúde?
 
Em 2018, a vacina utilizada na Campanha de Vacinação contra a Gripe do Ministério da Saúde será a trivalente, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B linhagem Victoria.
 
Este ano, teremos então vacinas tri e quadrivalentes disponíveis no país?
 
Sim, por alguns anos, deveremos conviver com as duas vacinas. Como ocorreu no passado em que, de acordo com a epidemiologia, vacinas monovalentes foram substituídas por bivalentes que, por sua vez, foram substituídas por trivalentes. A tendência para os próximos anos é a produção apenas de vacinas quadrivalentes.
 
As vacinas influenza podem ser utilizadas na gestação?
 
Sim, gestantes constituem grupo prioritário para a vacinação, pelo maior risco de desenvolverem complicações e pela transferência de anticorpos ao bebê, protegendo contra a doença nos primeiros meses de vida.
 
Pacientes alérgicos ao ovo de galinha podem receber a vacina?
 
Sim, esses pacientes podem receber a vacina influenza. Alergias a ovo, mesmo graves como a anafilaxia, não são mais contraindicação nem precaução.
 
Quais as reações adversas esperadas após a aplicação da vacina?
 
Os eventos adversos mais frequentes ocorrem no local da aplicação: dor, vermelhidão e endurecimento em 15% a 20% dos vacinados. Essas reações costumam ser leves e desaparecem em até 48 horas. Manifestações sistêmicas são mais raras, benignas e breves. Febre, mal-estar e dor muscular acometem 1% a 2% dos vacinados de 6 a 12 horas após a vacinação e persistem por um a dois dias, sendo mais comuns na primeira vez em que tomam a vacina.

Reações anafiláticas são extremamente raras. Em caso de sintomas não esperados (febre muito alta, reação exagerada, irritabilidade extrema, sinais de dor abdominal, recusa alimentar e sangue nas fezes, entre outros), é recomendado procurar imediatamente o médico ou serviço de emergência para atendimento e para que sejam descartadas outras causas.
 
Crianças que receberam duas doses da vacina em anos anteriores deverão receber duas doses da quadrivalente este ano?
 
Não é necessário. A regra geral, tanto para as vacinas quadrivalentes quanto para as trivalentes, é que crianças que receberam duas doses na primeira vacinação recebam, nos anos seguintes, somente uma dose.
 
As vacinas influenza podem ser aplicadas simultaneamente com outras vacinas?
 
As vacinas trivalente e quadrivalente contra a influenza podem ser aplicadas simultaneamente com as demais vacinas do calendário da criança, do adolescente, do adulto ou do idoso.
 
Pessoas imunodeprimidas podem tomar as vacinas contra influenza?
 
Tratam-se de vacinas inativadas, portanto, sem restrições de uso em populações imunocomprometidas, que têm indicação de vacinação especialmente reforçada.
 
A entidade tem alguma recomendação com relação às vacinas?
 
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda o uso preferencial, sempre que disponível, da vacina quadrivalente, pelo seu maior espectro de proteção. Porém, a entidade reforça que, na indisponibilidade do produto, a vacina trivalente deve ser utilizada de maneira rotineira, especialmente em grupos de maior risco para o desenvolvimento de formas graves da doença.
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