21/03/2018 às 05h56min - Atualizada em 21/03/2018 às 05h56min

Uma noite ao som de clássicos do piano

Pianista Pablo Rossi, radicado em Bruxelas, é a atração da noite de amanhã no Teatro Municipal

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA

Apreciadores da boa música e quem está aberto a conhecer um pouco mais do cenário erudito podem se programar para a abertura do Concertos Tribanco – Temporada 2018, que acontece na quinta-feira (22). O recital de piano solo que abre o novo ano do projeto será com o catarinense, radicado em Bruxelas, Pablo Rossi. A apresentação será no Teatro Municipal e cada ingresso pode ser trocado por um litro de leite longa vida, que será doado a instituição de caridade. Entre os compositores que farão parte do programa desta noite estão R. Schumann, Schubert/Liszt, Prokofiev e F. Chopin.

Rossi abre o 15º ano do projeto, idealizado pela musicista Viviane Taliberti. “Fiquei feliz com o convite para abrir a temporada e será minha primeira vez em Uberlândia. Agradeço e parabenizo a  Viviane Taliberti pelo intenso trabalho musical na cidade”, disse ele em entrevista ao jornal Diário de Uberlândia, entre um voo e outro.

Natural de Florianópolis (SC), aos 29 anos, é bacharel e mestre pelo Conservatório Tchaikovsky de Moscou, onde estudou com Elisso Virsaladze. Ele tem na bagagem prêmios como o 1º Concurso Nacional Nelson Freire para Novos Talentos Brasileiros, conquistado em 2003, e ainda antes, com sete anos de idade, ganhou o 4º Concurso Jovens Intérpretes de Lages.

Questionado se para ter uma carreira de sucesso na música erudita implica em começar os estudos na infância, Rossi afirma que com esse mercado tão competitivo, independentemente da área em que você atue, a iniciação deve ser cada vez mais precoce. “Especialmente se você decide se dedicar ao estudo da música e do piano. Claro que existem algumas exceções, mas a regra é, sim, iniciar os estudos na primeira década de vida, como foi o meu caso aos 6 anos de idade. O mais importante é estar desde o início sob a orientação de um bom professor, que possa lhe transmitir a base técnica e musical necessárias para o desenvolvimento da sua personalidade artística”.

Rossi foi aluno da professora russa Olga Kiun, radicado em Curitiba desde os anos 90. E junto com um bom mestre é preciso alinhar algo entre cinco e seis horas diárias de estudo. A dedicação levou o jovem ao posto de solista frente à Orquestra de Câmara do Kremlin, Orquestra Sinfônica de Kirov, OSESP, Amazonas Filarmônica, entre outras.

A música já levou Rossi a diversas partes do mundo. Ele concorda, em parte, que o Brasil pouco valoriza a música chamada erudita, mas vê isso como uma questão de educação e costume. “Não podemos comparar o nível de desenvolvimento cultural do Brasil com o dos países europeus, que sustentam por séculos uma tradição na música clássica, investindo maciçamente na formação e manutenção de plateias. Também não podemos nos colocar na periferia do mundo da música. Temos instituições das quais podemos nos orgulhar, tanto pelo nível artístico, quanto pela gestão profissional”, afirmou Rossi que destaca a Sala São Paulo, a Filarmônica de Minas Gerais, a Sinfônica Municipal de São Paulo, entre outros.

Rossi percebe que é importante destacar o trabalho de projetos socioculturais que focam na formação de jovens músicos, muitas vezes transformando não só a vida de indivíduos, mas de comunidades inteiras. “Devemos aplaudir, exaltar e, mais importante, incentivar, dando oportunidade para que a cultura musical do nosso país continue a se desenvolver, apesar da escassez de recursos”, acrescentou.

O artista aposta na criação de políticas público-privadas incisivas, que incentivem de maneira contínua projetos tanto de formação musical em massa, quanto de profissionalização de músicos e grupos. “Temos que acabar com essa história de que o Brasil é o país do futuro! Nós somos o futuro e precisamos reconhecer nosso potencial e capacidade, sempre tentando progredir e melhorar nossas deficiências”, disse.
 
NOSSOS VALORES
 
Para Rossi, se hoje a música de concerto está acessível à uma grande massa e não é mais sinônimo de condição financeira privilegiada é o resultado de anos de ativismo cultural e da dedicação de gênios da nossa música, como Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri (que lecionou na UFU), entre muitos outros músicos e gestores brasileiros que lutaram pela nossa música. “Sou, de certa maneira, privilegiado de residir em Bruxelas e desenvolver minha carreira internacionalmente, mas para mim é sempre é prioridade voltar e tocar no Brasil. Muito me orgulha ver o respeito e admiração de plateias estrangeiras em relação à nossa, ainda pouco conhecida, música brasileira”, contou ele.

Recentemente o pianista se emocionou quando os professores do Conservatório de Shanghai o procuraram em busca das partituras dos ponteios de Camargo Guarnieri, executados em um recital no Concert Hall. “Por isso sempre incluo obras brasileiras nos meus recitais! Devemos, sim, nos espelhar e inspirar no que acontece além-mar, mas não podemos nos curvar a essa ideologia do ‘só é bom se vem de fora’”.

Rossi gravou o primeiro CD aos 11 anos de idade, com obras de Chopin, Bartók, Schumann, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Shostakovich e Nepomuceno. Em 2008 lançou o CD “Pablo Rossi – Live at Steinway Hall”, com obras de Mozart, Villa-Lobos, Prokofiev e Chopin – gravado ao vivo em Londres. Ele afirma que a volta aos estúdios é uma prioridade para este ano. Na agenda, entre os recitais já confirmados, Rossi passará por Nova Yorkr, Espanha, Itália, República Tcheca, Hungria, fará a segunda turnê na China e Japão. “E voltarei para recitais no Brasil”.

SERVIÇO

O QUE: Concertos Tribanco 2018
QUEM: Pablo Rossi (Piano solo)
QUANDO: Quinta-feira (22), às 20h
ONDE: Teatro Municipal de Uberlândia ( Av. Rondon Pacheco, 7.070)
CLASSIFICAÇÃO: 8 anos
INGRESSOS: 1 litro de leite longa vida vale um ingresso. A troca já pode ser feita na bilheteria do teatro hoje das 12h às 18h e amanhã das 12h às 20h
INFORMAÇÕES: 3235-1568
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