19/03/2018 às 19h13min - Atualizada em 19/03/2018 às 19h13min

Grupo intervém em poda de sibipiruna no Centro

Prefeitura diz não ter cogitado corte drástico em árvore centenária

NÚBIA MOTA E VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTERES
Serviço foi realizado na manhã de domingo para a retirada de galhos secos | Foto: Divulgação

O grupo ambientalista Damas de Verde fez uma intervenção em torno da sibipiruna da praça Adolfo Fonseca, no Centro de Uberlândia, na manhã do último domingo (18). A árvore centenária passou por uma poda por parte da Prefeitura de Uberlândia, o que mobilizou ativistas, que manifestaram preocupação com possíveis danos à estrutura do exemplar. A secretaria de Meio Ambiente, contudo, afirmou que o trabalho feito, mesmo com a presença e pressão do grupo, não foi diferente do que estava previsto.

Segundo a ativista Betânia Côrtes, o Damas de Verde foi até o local após receber uma denúncia. “Eles [técnicos da Prefeitura] não tinham laudo para fazer essa poda. O técnico que estava lá disse que iria podar a árvore para só ter que voltar daqui 2 anos, mas não é assim, eles podem desestabilizar a sibipiruna e atrapalhar sua estrutura”, disse Betânia sobre a árvore que é declarada imune ao corte, desde 1982, por uma lei municipal.

Como os técnicos da Prefeitura não apresentaram laudo específico para a poda, os ambientalistas acionaram a Polícia Militar Ambiental. A equipe do Município realizou apenas a retirada dos galhos secos próximos à rede elétrica. “Conseguimos essa atenção toda porque é uma árvore que tem status. Mas se fosse uma árvore lá no [bairro] Jaraguá, não teria tanta atenção. As pessoas precisam saber como é importante uma cidade arborizada”, afirmou Betânia. Essa foi a segunda vez que o grupo esteve no local para impedir o trabalho.

O assessor técnico da secretaria de Meio Ambiente, Anderson Alves de Paula, informou que as equipes chegaram ao local às 8h15 para fazer o trabalho. Segundo ele, nunca foi cogitada a poda drástica na sibipiruna. “Desde a primeira vez que eles [ativistas] foram lá e nos impediram de fazer a poda deixamos claro que era um procedimento de conservação. Era para tirar galhos em risco, próximos da fiação e que pegavam em ônibus. Depois que eles viram que não era nada do que estavam falando, ficaram sem graça”, disse.

Anderson de Paula também afirmou que, a despeito do pedido do grupo, o laudo emitido pela Prefeitura de Uberlândia não era específico para a sibipiruna, embora fosse válido. “Não teve supressão [determinada] na avenida João Pinheiro. E por isso foi dado o laudo compreendendo toda aquele extensão. Para complicar eles queriam um laudo específico para a sibipiruna. A Lei 4.043 de 1984 não determina que deve haver um laudo especial”, disse.
 
HISTÓRIA
 
A sibipiruna da praça Adolfo Fonseca, antiga praça Dom Pedro, completa 100 anos em julho. Ela foi plantada em 1918 por Oscar Miranda, de frente ao que era seu armazém. Armado, o comerciante chegou a defender a árvore de corte na época da administração do prefeito Renato de Freitas, na década de 1970, já que a sibipiruna era considerada um empecilho para o fluxo de carros na avenida João Pinheiro.

Já em 1982, a sibipiruna foi protegida legalmente, pelo então prefeito de Uberlândia, Virgílio Galassi.

Hoje, a árvore é sustentada por concreto depositado dentro do tronco, que ficou oco após ser atacado por fungos.
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